Vulcan Centaur leva o que pode ser considerado o 1º módulo comercial a pousar no satélite, em parceria com várias empresas; última missão americana de pouso lunar foi em 1972.

Um espetacular evento espacial marcou a madrugada desta segunda-feira, 8 de janeiro de 2024, quando o foguete Vulcan Centaur, um modelo inédito desenvolvido pela United Launch Alliance (ULA), decolou da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, às 4h18 (horário de Brasília).

Esse lançamento histórico representa não apenas o retorno dos Estados Unidos à Lua após mais de meio século, mas também a estreia do que pode ser o primeiro módulo comercial a pousar no satélite natural da Terra.

A ULA, uma joint venture da Boeing e Lockheed Martin, conduziu a missão em parceria com várias empresas, sendo a Astrobotic Technology, sediada em Pittsburgh, a responsável pelo desenvolvimento do módulo de pouso chamado Peregrine. Este, por sua vez, é um projeto honroso, com o nome em homenagem ao falcão, o pássaro mais veloz do mundo.

A NASA desempenha um papel crucial nessa missão, tendo pago à Astrobotic US$ 108 milhões para o desenvolvimento do Peregrine e para levar experimentos científicos à superfície lunar. Entre as 20 cargas a bordo do Peregrine, cinco são instrumentos científicos da NASA, com destaque para dois instrumentos que monitorarão o ambiente de radiação, auxiliando no preparo de futuras missões tripuladas à Lua.

No entanto, a diversidade de carga reflete a colaboração internacional e comercial nessa jornada lunar. Além das contribuições científicas de diversos países, o Peregrine transporta restos mortais em uma missão controversa, gerando oposição da Navajo Nation, o maior grupo de nativos americanos nos EUA, que considera a Lua sagrada.

A empresa funerária espacial Celestis também enviou uma carga especial, a Enterprise Flight, contendo cápsulas com restos humanos e amostras de DNA de figuras notáveis, incluindo ex-presidentes dos EUA e o astronauta da Apollo Philip Chapman.

O lançamento do Vulcan Centaur não é apenas um marco histórico em termos de missões lunares, mas também representa uma nova era para a ULA. O foguete, projetado para substituir os foguetes Atlas e Delta, é impulsionado por motores fabricados nos EUA pela Blue Origin, uma empresa financiada por Jeff Bezos, reduzindo a dependência da ULA de motores russos.

Com cerca de 70 missões já agendadas, o Vulcan Centaur é visto como uma peça-chave para a ULA manter sua relevância em um cenário competitivo dominado pela SpaceX. Apesar dos desafios enfrentados, o desenvolvimento do foguete é considerado um dos mais ordenados e bem executados na longa carreira da indústria aeroespacial, segundo Tory Bruno, CEO da ULA.

Se a missão for bem-sucedida, não apenas o Peregrine marcará sua presença na Lua em 23 de fevereiro, mas o Vulcan Centaur poderá se tornar uma peça vital no futuro das explorações espaciais.

Este lançamento representa não apenas a conquista de um novo território lunar, mas também a busca contínua pela inovação e expansão dos limites da exploração espacial.