Por Laine Furtado / @lainefurtado
Com uma curadoria marcada por peças de personalidade, design diferenciado e exclusividade, Vanessa Tessinari celebra dez anos de atuação nos Estados Unidos e uma nova etapa de sua marca em Boca Raton. Há acessórios que complementam uma produção e há aqueles capazes de definir uma imagem.
É justamente nesse segundo universo que Vanessa Tessinari construiu a identidade de sua marca. Peças marcantes, pedras diferenciadas, volumes, design e personalidade fazem parte de uma curadoria pensada para mulheres que entendem a moda também como uma forma de expressão.
À frente da Vanessa Tessinari, a empresária brasileira transformou sua experiência com semijoias em um negócio que chega a uma nova fase nos Estados Unidos. Em setembro, a marca celebrou a inauguração de sua nova loja em Boca Raton, com um coquetel que reuniu clientes, amigos e convidados. O novo endereço representa uma conquista importante, mas também ajuda a contar uma história iniciada muito antes.
Quando Vanessa Tessinari chegou aos Estados Unidos, em 2014, trouxe na bagagem uma experiência que já fazia parte de sua vida profissional no Brasil: o trabalho com semijoias. Recomeçar em outro país, porém, significava reconstruir também uma clientela. Os primeiros passos foram dados longe de uma loja convencional. Vanessa visitava clientes, carregava sua própria maleta de peças e, algumas vezes, fazia os atendimentos até mesmo dentro do carro.
Brasileira e formada em Comunicação Social, Vanessa já mantinha uma loja de semijoias no Brasil antes de se mudar para a Flórida. Nos Estados Unidos, desenvolveu a Vanessa Tessinari, marca voltada à curadoria e comercialização de semijoias produzidas no Brasil, reunindo peças de diferentes fornecedores e propostas que vão do casual e minimalista aos acessórios com pedras, cravações e designs de maior impacto.
Ao longo dos anos, o negócio incorporou vendas digitais, lives e outras categorias de acessórios, enquanto ampliava sua presença no sul da Flórida.
Cerca de uma década depois de sua chegada ao país, a abertura de um novo espaço em Boca Raton ajuda a dimensionar o caminho percorrido pela empresária. Entre um momento e outro, Vanessa desenvolveu uma operação baseada no atendimento personalizado, na seleção de diferentes fornecedores, no relacionamento com as clientes e na renovação frequente das coleções.
“Começamos bem devagar, de pouquinho em pouquinho, trabalhando, indo à casa das clientes, arrastando a maletinha, atendendo dentro do carro”, relembra Vanessa em entrevista à Linha Aberta.
A CURADORIA COMO PARTE DO NEGÓCIO
A experiência adquirida no contato direto com as consumidoras acabou influenciando também a forma como Vanessa desenvolve sua curadoria. Segundo ela, observar o que as clientes procuravam, quais estilos preferiam e como utilizavam os acessórios tornou-se parte do processo de seleção das peças.
Atualmente, Vanessa trabalha com mais de 20 fornecedores e utiliza, em média, produtos de dez deles na composição de cada coleção. Isso permite reunir diferentes propostas, materiais e estilos sem concentrar a seleção em apenas uma origem.
“Eu olho para peças que são únicas, que são bem exclusivas. Gosto de design diferenciado, pedra diferenciada. Gosto de peças maximalistas”, explica.
As tendências fazem parte desse processo, mas não determinam sozinhas o que será incorporado ao acervo. Vanessa conta que já decidiu não comprar de fornecedores com os quais costuma trabalhar por considerar que, naquele momento, as peças apresentadas não correspondiam ao perfil que estabeleceu para a marca.
Embora tenha preferência pelos acessórios de maior impacto visual, ela também mantém opções delicadas e minimalistas, principalmente para clientes de estilo mais casual ou para quem procura presentes.
É nesse contexto que aparece um conceito bastante utilizado atualmente na moda: o statement piece. São acessórios que assumem maior destaque na composição e podem modificar a leitura de uma produção relativamente simples.
Na interpretação de Vanessa, essas peças funcionam também como uma forma de comunicação pela imagem. “É aquele poder sem falar”, define. “Eu chego a um lugar e tenho aquele poder na minha imagem sem precisar abrir a boca.”
DO CASUAL AO PREMIUM
Para organizar essa variedade de produtos, a Vanessa Tessinari trabalha com diferentes categorias. Durante a entrevista à Linha Aberta, Vanessa destacou três delas: casual, luxo e premium.
A linha casual concentra peças mais minimalistas e adequadas ao uso cotidiano. A categoria luxo reúne maior presença de cravações e pedrarias. Já a premium incorpora peças com designers exclusivos, pedras naturais, lapidações diferenciadas e outros materiais selecionados.
A divisão permite que a empresa trabalhe com públicos e ocasiões diferentes sem depender de um único estilo de acessório.
O calendário também segue uma dinâmica própria. As coleções principais são desenvolvidas em ciclos de aproximadamente seis meses, mas isso não significa que os produtos permaneçam os mesmos durante todo esse período.
“Dentro desses seis meses tem sempre peças novas. Todo mês a gente está trazendo”, explica Vanessa.
As lives realizadas semanalmente pela marca contribuem para essa renovação. A presença digital, que se tornou uma importante ferramenta para pequenos e médios negócios de moda, permite apresentar lançamentos, conversar diretamente com as consumidoras e manter um fluxo de novidades entre uma coleção e outra.
ALÉM DAS SEMIJOIAS
Com o desenvolvimento da empresa, a curadoria passou a incluir também óculos. A decisão surgiu da percepção de Vanessa de que eles poderiam ser tratados não apenas como um item funcional, mas como parte dos acessórios que compõem a imagem pessoal.
A localização da empresa também teve influência nessa escolha. Em uma região como o sul da Flórida, marcada por forte exposição ao sol durante praticamente todo o ano, os óculos fazem parte da rotina. Vanessa afirma que buscou modelos com proteção UV400 e designs que pudessem acompanhar a proposta estética das demais categorias da marca.
A ampliação do portfólio mostra também como o negócio foi sendo adaptado ao comportamento das próprias consumidoras. Essa capacidade de observar o público esteve presente desde os primeiros anos da empresa nos Estados Unidos.
DA MALETINHA A BOCA RATON
Quando relembra o início, Vanessa volta frequentemente ao relacionamento estabelecido com as primeiras clientes. Em vez de uma estrutura comercial pronta, seu trabalho foi desenvolvido por meio de visitas, indicações e atendimento individual.
“Fomos conquistando nossa clientela com muita fidelidade, confiança e reciprocidade, olhando para as necessidades da cliente, o que elas desejavam, o que gostavam e buscando melhorar cada vez mais”, afirma.
A trajetória também reflete uma realidade comum a muitos brasileiros que empreendem nos Estados Unidos: a experiência profissional adquirida no Brasil precisa ser adaptada a um novo mercado, a novos consumidores e a diferentes formas de fazer negócios.
No caso de Vanessa, essa adaptação aconteceu gradualmente. O atendimento pessoal foi acompanhado pela expansão das vendas, pelo uso das redes sociais, pelas lives, pela diversificação dos produtos e pela estruturação da curadoria.
A inauguração da nova loja em Boca Raton, realizada em setembro com a presença de clientes, amigos e convidados, representa agora mais uma etapa desse processo. O novo endereço amplia a presença da marca no sul da Flórida e cria um espaço para reunir uma operação que, em seus primeiros anos, acontecia de maneira muito diferente.
Entre a empresária que percorria a região com uma maleta de semijoias e o momento atual existe uma história construída cliente por cliente. Uma trajetória na qual a curadoria se desenvolveu não apenas a partir das tendências da moda, mas também da observação das mulheres que, ao longo dos anos, ajudaram a definir o perfil da Vanessa Tessinari.

