É inegável como o brasileiro é amante dos esports, os esportes eletrônicos! Seja no LoL, CS2, Valorant, Free Fire ou Fortnite, a comunidade por aqui é gigante. E mesmo com a presença de mulheres em mais da metade do público gamer brasileiro, como aponta a Pesquisa Game Brasil 2024, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir segurança e respeito nesse ambiente.

Nesse contexto, as Pixxies, o time feminino de Valorant da EPICdigitais, compartilharam com o Voxel experiências que evidenciam a persistência do machismo, assédio e discriminação no cenário nacional de esports. Vale lembrar que o Brasil é um dos 10 maiores mercados de jogos do mundo, gerando uma receita de US$ 2,6 bilhões em 2023, segundo dados da Newzoo.

É comum encontrar relatos de toxicidade contra mulheres tanto no CS2, quanto no Valorant.É comum encontrar relatos de toxicidade contra mulheres tanto no CS2, quanto no Valorant.Fonte:  Riot Games 

No entanto, mulheres no setor ainda enfrentam uma cultura tóxica que pode se manifestar desde ofensas em jogos online até o descaso em relação a patrocínios e reconhecimento. Enquanto times masculinos geralmente recebem grandes investimentos, as equipes femininas correm atrás de apoio financeiro e oportunidades em competições de alto nível.

Jogadoras compartilham experiências ruins

A jogadora Natash Silva, conhecida como Nivy, descreveu incidentes de assédio e ataques durante partidas, incluindo comentários misóginos e tentativas deliberadas de prejudicar seu desempenho. “Quando ouviram minha voz e viram que era mulher, começaram a me xingar, mandar eu lavar louça, entre outras coisas”, contou ela. “Ficaram jogando habilidades no meu pé e, no fim da partida, pegaram meu nick e foram xingar na minha live.”

Elisabete Ferreira, ou Lizy, outra integrante do time, relembra um episódio em que um jogador começou a perturbá-la com habilidades durante uma partida, enquanto fazia comentários ofensivos. “Foi a pior partida da minha vida”, desabafou a jogadora. Em outra ocasião, ela conta que um jogador abriu o microfone e tocou a música “Se eu largar o freio” do cantor Péricles, que faz referência a mulheres lavando louça.

Além disso, as agressões online não se limitam a insultos verbais. Em casos mais graves, como o de Scarlett, o assédio virtual tomou proporções perigosas, com ameaças que afetaram sua vida pessoal. Ela foi stalkeada por um período no jogo, nas lives e redes sociais. Essa realidade revela um padrão preocupante que requer ações urgentes para mudança.

Apoio e solidariedade como resposta ao assédio

Apesar dos desafios, as Pixxies enfatizam a importância da solidariedade e do apoio para enfrentar esses problemas. Laris, membro do time, destaca que, embora recebam muitos comentários negativos, o suporte de seus seguidores é fundamental para continuar em frente.

“Recebemos muitos comentários ruins, de fato, mas isso não apaga todo o suporte que temos de nossas respectivas comunidades, que foram construídas ao longo dos anos e, hoje, representam uma parte fundamental do nosso trabalho”, afirmou a jogadora.

Caroline Durso, membro das Pixxies, falou sobre suporte entre as próprias mulheres gamers, reforçando a importância da rede de apoio para superar obstáculos. “Além dos seguidores que estão sempre presentes nas lives e nos valorizam como atletas, a rede de apoio entre mulheres gamers também é muito importante”, afirma.

PixxiesScarlett (Scaryume), Natash Silva (Nivy), Caroline Durso, Laris, e Elisabete Ferreira (Lizy)

O time, formado por Natash Silva (Nivy), Scarlett, Laris, Caroline Durso e Elisabete Ferreira (Lizy), foi reunido pela EPICdigitais, uma CreativeTech que visa promover a capacitação de qualidade no meio criativo. Elas ainda ressaltam a importância de ter um apoio técnico na busca pela carreira profissional, principalmente, em um mercado tão competitivo.

Apesar dos obstáculos, as Pixxies seguem firmes e, juntas, acumulam cerca de 200 mil seguidores na Twitch e mais de 50 mil seguidores no Instagram.

Existe um cenário menos tóxico e mais acolhedor?

Existe, ou pelo menos, podemos criá-lo. Para isso, é preciso que as plataformas de jogos adotem políticas mais rigorosas para banir comportamentos inapropriados, e que as marcas ofereçam patrocínio, reconhecimento e invistam na capacitação profissional de mulheres gamers, garantindo espaço seguro para promover uma mudança real no cenário dos esports.

O relato das Pixxies evidencia uma questão central: para alcançar igualdade e respeito nos esportes eletrônicos, é necessário que a indústria e a comunidade se unam para enfrentar o preconceito e criar um ambiente mais inclusivo para todos os jogadores.

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