Por Carlo Barbieri / @oxford.usa
Avanços econômicos de 2025 reforçam confiança da Casa Branca PARA 2026
O contexto é relevante: indicadores divulgados ao longo de 2025 mostram um ambiente mais favorável do que o projetado no início do ano. A inflação anual, embora pressionada por tarifas, tem se mantido dentro de níveis considerados administráveis pelos formuladores de política econômica. O núcleo da inflação desacelerou no terceiro trimestre, e a indústria registrou seu melhor crescimento desde 2018.
O mercado de trabalho também surpreendeu positivamente.
O tamanho do desafio fiscal — e a solução proposta
Em 2024, o governo federal arrecadou cerca de US$ 2,2 trilhões em impostos de renda individuais, valor que corresponde a aproximadamente metade da receita total do Tesouro. Para substituir essa fonte de recursos, a administração Trump aposta em tarifas e no conceito ampliado do “External Revenue Service”, um modelo no qual parte significativa do financiamento do governo viria de empresas e governos estrangeiros.
A lógica é clara para os formuladores da proposta: se o país ampliar sua autonomia industrial e aumentar tarifas estratégicas, poderá capturar receitas substanciais de produtos importados, preservando a renda dos trabalhadores.
A política tarifária já mostrou efeitos mensuráveis. A receita federal obtida com tarifas aumentou de forma consistente em 2025, impulsionada tanto pelos ajustes de alíquota quanto pela reorientação de cadeias produtivas. Em setores como aço, semicondutores e equipamentos elétricos, empresas anunciaram retorno ao território americano, atraídas por incentivos e pela previsibilidade regulatória.
A engenharia econômica por trás da visão de Trump
Joseph Lavorgna, conselheiro econômico do Tesouro, tem sido uma das vozes mais enfáticas em defesa da proposta. Segundo ele, a combinação de tarifas estratégicas, crescimento industrial e expansão do emprego cria “uma janela histórica para aliviar a carga tributária da classe média”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforça que 2026 poderá ser “um ano espetacular” para os trabalhadores, com aumentos reais de renda e restituições substanciais.
Internamente, a Casa Branca argumenta que a economia americana — com o maior mercado consumidor do mundo, ampla capacidade tecnológica e uma classe empresarial inclinada a investir — possui a estrutura necessária para sustentar uma mudança tributária que antes pareceria impensável.
A matemática continua desafiadora — mas não impossível
O cálculo mais simples indica que substituir US$ 2,2 trilhões de imposto de renda demandaria tarifas médias muito elevadas sobre os US$ 3,2 trilhões em bens importados. No entanto, assessores econômicos apontam que esse número não deve ser interpretado de forma literal.
A administração trabalha com três pilares simultâneos
Tarifas graduais e setoriais, que aumentam a arrecadação sem precisar atingir níveis uniformes inatingíveis.
Crescimento econômico ampliado, que eleva a base tributária corporativa.
Reshoring acelerado, que reduz importações e aumenta a produção doméstica.
A estratégia política e econômica convergem
Há, sem dúvida, um forte componente político. A promessa de eliminar o imposto de renda mobiliza eleitores de forma poderosa, especialmente em um ambiente no qual famílias de classe média enfrentaram, durante anos, perda real de renda.
Mas, diferentemente de ciclos anteriores, o governo acredita que agora há fundamentos econômicos para viabilizar a mudança. A confiança empresarial, os índices de produção manufatureira e a entrada de novos investimentos privados sugerem que 2025 pode ser um ponto de virada.
Conclusão: visão ousada com potencial de redefinir a política fiscal americana
Trump jamais evitou propostas ambiciosas — e a eliminação do imposto de renda pode ser sua iniciativa mais audaciosa desde 2017. O desafio matemático é real, mas o governo acredita que o momento econômico oferece uma oportunidade única para reformular a estrutura tributária dos Estados Unidos.
Se a visão se confirmar, Trump poderá reivindicar um dos maiores marcos de política econômica da história moderna dos EUA.
Free Trade Zone: um passo estratégico para ampliar presença no mercado americano
Entrar nos Estados Unidos exige mais do que vender um produto. Exige estratégia, eficiência, planejamento fiscal e logístico, além de compreensão profunda do ambiente regulatório americano.
A Free Trade Zone (FTZ) se apresenta, hoje, como um dos instrumentos mais eficazes para empresas brasileiras que buscam competitividade e presença sustentável no maior mercado consumidor do mundo.
Ao contrário do que muitos imaginam, a FTZ não é uma solução momentânea.
Por que a Free Trade Zone é uma estratégia — e não um atalho?
Uma operação dentro de uma FTZ permite que sua empresa:
Reduza ou elimine tarifas sobre produtos importados para processamento, estocagem ou reexportação.
Otimize o fluxo de caixa ao adiar impostos até a saída do produto para o mercado americano.
Aumente velocidade de entrega ao manter estoque já dentro dos EUA, reduzindo prazos e ampliando competitividade comercial.
Ganhe previsibilidade com regras claras, compliance robusto e total aderência à legislação americana.
Amplie sua participação no mercado dos EUA com uma base operacional estruturada, segura e reconhecida.
Mais do que economizar, uma FTZ cria capacidade operacional para que a empresa evolua de exportadora eventual para player relevante no mercado americano.
Carlo Barbieri é CEO da Oxford, uma das instituições mais tradicionais no apoio à internacionalização de empresas brasileiras. Com 52 anos de atuação — sendo 41 nos Estados Unidos —, a Oxford auxilia companhias a operar com segurança, conformidade e visão estratégica no mercado americano. Sob a liderança de Barbieri, a empresa se consolidou como referência em estruturas de expansão e uso estratégico de Free Trade Zones. Sua gestão transforma operações táticas em modelos estruturais, eficientes e escaláveis. Uma liderança voltada ao crescimento sustentável e à competitividade global das empresas brasileiras nos EUA. / @oxford.usa.

