É muito fácil reconhecer aquilo que o outro precisa mudar. Mais difícil é olhar para si e perceber que algumas das nossas atitudes também precisam ser revistas.
Nem sempre é confortável admitir que erramos, que poderíamos ter agido de outra maneira ou que determinados comportamentos nossos podem estar prejudicando justamente as relações que tanto valorizamos.
Mas existe algo muito bonito e admirável, em quem consegue reconhecer os próprios erros e tem disposição verdadeira para mudar. Porque reconhecer um erro não diminui ninguém. Pelo contrário. Exige maturidade para sair da necessidade de estar sempre certo e coragem para olhar para si sem tantas justificativas.
Você não precisa acertar sempre, nem ter todas as respostas. Mas precisa estar disposto a questionar suas certezas, ouvir aquilo que talvez não gostaria de ouvir e assumir a responsabilidade pelo que está ao seu alcance transformar.
Esse olhar para dentro também nos ensina a ter mais empatia com as pessoas ao nosso redor. Afinal, assim como nós, cada pessoa está enfrentando suas próprias dificuldades, aprendendo com as experiências e tentando encontrar maneiras de fazer diferente. Quando deixamos de apontar apenas as falhas dos outros, abrimos espaço para relações mais sinceras, baseadas no respeito, na compreensão e na disposição de crescer juntos.
E talvez uma das partes mais importantes desse processo seja compreender que reconhecer não basta quando nada muda depois. Pedir desculpas é importante. Admitir um comportamento também. Mas a mudança começa a ganhar significado quando aquilo que foi reconhecido passa a aparecer nas atitudes, nas escolhas e na forma como nos relacionamos.
Porque evoluir também é reconhecer que sempre existe algo em nós que pode ser melhor. Não para vivermos em uma busca impossível pela perfeição, mas para não nos acomodarmos naquilo que já sabemos que machuca, afasta ou precisa ser diferente.
Mudar exige constância, porque nem sempre conseguimos transformar hábitos e comportamentos de uma hora para outra. É um exercício diário de atenção, paciência e compromisso com aquilo que desejamos construir.
Pequenas atitudes, quando acompanhadas de uma intenção verdadeira, podem fazer uma grande diferença na maneira como nos posicionamos diante dos desafios e cuidamos das pessoas que fazem parte da nossa vida.
No fim, amadurecer talvez seja exatamente isso: ter humildade para reconhecer, coragem para mudar e disposição para transformar consciência em atitude.
DRA. ANDREA LADISLAU é psicanalista e especialista em saúde mental e comportamental. Ela escreve para vários veicuilos de comunicação no Brasil.

