A NASA acaba de divulgar a simulação de uma viagem sonhada por muitas pessoas desde que Albert Einstein forneceu, em 1916, as bases para a compreensão científica deste destino incompreensível e insondável: os buracos negros (BNs). Mais de quarenta anos depois, o físico David Finkeltein forneceria a clássica definição de “região do espaço-tempo da qual nada pode escapar”.

A nova visualização imersiva, produzida no supercomputador Discover, do Centro de Simulação Climática da NASA, permite que os curiosos, que sempre imaginaram o que aconteceria se caíssem num buraco negro massivo, consigam mergulhar no misterioso horizonte de eventos, a fronteira no espaço-tempo além da qual nem mesmo a luz escapa.

Segundo Jeremy Schnittman, do Goddard Space Flight Center da NASA, para essas pessoas que perguntam sempre sobre o assunto, “simulei dois cenários diferentes: um no qual uma câmera — representando um astronauta corajoso — por pouco não cruza o horizonte de eventos e é lançado de volta para fora, e outro em que ela atravessa a fronteira, selando seu destino”, explica o astrofísico no site da agência espacial.

1ª simulação: mergulhando no buraco negro

As duas simulações começam com a câmera situada a quase 400 milhões de distância, viajando a velocidades cada vez mais próximas da luz. Logo, o disco do buraco negro, seus anéis de fótons e o próprio céu noturno se tornam mais distorcidos, formando imagens variadas, pois a luz atravessa o espaço-tempo.

Como a distorção faz com que o tempo passe mais devagar para os objetos mais próximos do buraco negro, a câmera leva 3 horas para cruzar o horizonte de eventos e completar quase duas órbitas de 30 minutos. Mas, para um observador externo, a câmera jamais alcançaria o horizonte de eventos. Na verdade, ela pareceria congelar antes de cruzar o horizonte.

Animação de um buraco negroVocê já imaginou como seria, ‘mergulhar’ em um buraco negro massivo?Fonte: NASA’s Goddard Space Flight Center/J. Schnittman and B. Powell

Logicamente, tudo isso é uma simplificação da realidade, pois, se ocorresse em um buraco negro de verdade, a câmera seria desintegrada, mesmo antes de chegar ao horizonte de eventos. “Assim que a câmera cruza o horizonte, sua destruição por ‘espaguetificação’ ocorre em apenas 12,8 segundos”, afirma Schnittman.

2ª simulação: contornando o buraco negro

Na simulação alternativa, na qual a câmera orbita o buraco negro, mas não entra no horizonte de eventos, o astronauta ali representado orbitaria o objeto espacial por 6 horas (pelo seu controle de tempo). Mas, para os seus colegas da nave-mãe, que permaneceram longe da ação, o tempo passa mais rápido, e a viagem teria durado 6 horas e 36 minutos.

Isso acontece porque, de forma análoga, o tempo passa de forma mais lenta quando estamos perto de uma fonte gravitacional forte, e quando nos movemos próximo à velocidade da luz.

Entretanto, se o buraco negro não fosse do tipo abordado na simulação, mas um que “girasse rapidamente, como aquele mostrado no filme ‘Interestelar’ de 2014”, pondera Schnittman, a situação poderia ser bem mais extrema. Nesse caso, nosso astronauta voltaria para a nave “muitos anos mais jovem que seus companheiros”, conclui.

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