As semanas de moda em Nova York, Milão, Londres e Paris são eventos de renome mundial que estabelecem as tendências globais da indústria da moda a cada temporada. Nova York é conhecida pela sua diversidade e inovação, apresentando designers emergentes ao lado de grandes nomes da moda. Milão é o epicentro do luxo e da elegância italiana, com marcas como Prada e Gucci exibindo suas coleções deslumbrantes. Londres destaca-se por sua criatividade e ousadia, com marcas como Burberry e Alexander McQueen liderando o caminho em termos de design vanguardista. Paris, a capital da moda, é famosa pela sua sofisticação e glamour intemporais, com casas de moda lendárias como Chanel e Dior definindo o padrão de elegância. Em cada uma dessas cidades, as semanas de moda não apenas exibem as últimas criações dos designers, mas também são palcos para discussões sobre inclusão, sustentabilidade e inovação na indústria da moda. A seguir, apresentamos os destaques desta edição Outono/Inverno 2024.

Este ano, Carolina Herrera celebrou por seu estilo sofisticado, que combina linhas limpas e silhuetas clássicas com detalhes modernos e luxuosos. Sua coleção foi inspirada no poder da mulher, segundo as palavras do diretor criativo Wes Gordon, numa homenagem ao estilo da própria estilista venezuelana. Entre a influência latina de babados volumosos, os ombros foram elevados à proporção máxima, com mangas bufantes e super estruturadas. Um luxo de arte e moda que mostra a atemporalidade da marca.

Nesta temporada, a designer Gabriela Hearst escolheu homenagear a influente artista surrealista britânica Leonora Carrington em sua coleção. Carrington, que mais tarde se tornou uma figura proeminente no movimento de libertação das mulheres no México, inspirou Hearst com sua arte que explorava os horrores da Primeira Guerra Mundial. A designer expressou que o surrealismo ressoa com as adversidades enfrentadas pela humanidade, tanto no passado quanto nos dias de hoje, com conflitos e crises globais. A coleção apresentou elementos que desafiavam a percepção, como casacos de cashmere tecidos para imitar peles naturais e tecidos manipulados para parecerem estranhos, como o trench de couro enrugado. No entanto, alguns críticos sugeriram que a coleção poderia ter se arriscado mais na interpretação do realismo mágico e da alquimia presentes nas obras de Carrington. Em suma, a homenagem de Hearst a Carrington destaca a relevância contínua da arte surrealista e sua capacidade de refletir os desafios e a complexidade do mundo contemporâneo.

O diretor criativo da Gucci, Sabato De Sarno, inaugurou sua segunda coleção na Semana de Moda de Milão com uma mensagem poderosa de subversão e individualidade. Em suas notas, De Sarno convida os espectadores a buscar pequenos gestos subversivos e a ver as coisas de uma perspectiva não convencional. Sua abordagem à moda é comparada ao processo de sonhar, onde aspirações são estratificadas como os tijolos de uma casa. Ele enfatiza a importância de olhar de perto os detalhes antes de se afastar em busca de uma visão mais ampla. Esta coleção reflete a constante busca por equilíbrio entre o extraordinário e o ordinário, entre a moda e a realidade. A Gucci FW24 representa não apenas uma expressão de estilo, mas também um convite para repensar as normas estabelecidas e abraçar a individualidade em um mundo em constante mudança.

A Prada fez sua tão aguardada apresentação da coleção Outono/Inverno 2024 durante a Semana de Moda de Milão deste ano, mantendo-se fiel ao seu local icônico, o Deposito Fondazione Prada. O desfile, que mesclou passado e presente, teve início em um cenário único: um piso de vidro que permitia a visão de elementos naturais abaixo. Miuccia Prada e Raf Simons, os designers por trás da coleção, descreveram a criação como uma fusão de moda e história, explorando conceitos de beleza em um mundo contemporâneo marcado por memórias. A atmosfera romântica do evento foi evidente, evocando uma sensação nostálgica pelo passado. A coleção reflete a habilidade da marca em combinar elementos clássicos com uma estética moderna e inovadora, conquistando mais uma vez os corações dos entusiastas da moda em todo o mundo. Uma característica notável da coleção é a sua justaposição de elementos delicados e robustos, simbolizando o equilíbrio entre fragilidade e força inerente à feminilidade, com destaque para os laços, presents nas peças desfiladas em Milão.

Na London Fashion Week, a JW Anderson apresentou sua coleção Outono/Inverno 2024, marcando uma evolução do desfile inspirado em “Eyes Wide Shut” exibido anteriormente em Milão. Denominada como uma “fantasia doméstica” nas notas do desfile, a coleção adotou uma abordagem aparentemente mais contida em relação ao surrealismo característico da JW Anderson. As silhuetas oversized surgiram em cores sutis, enquanto franjas vibrantes, fitas e bordados adicionaram um toque lúdico aos visuais clássicos. Uma abordagem “perversamente doméstica” permeou a coleção, revelando tecidos inspirados em mobília, detalhes de design monocromáticos e uma sensação de que “algo não está certo”. JW Anderson continua a desafiar as expectativas, oferecendo uma coleção que equilibra sofisticação e ludicidade na icônica semana de moda londrina.

A moda boho está de volta e em destaque no desfile da Chloé durante a Semana de Moda de Paris. Este aguardado evento marcou a estreia da diretora criativa Chemena Kamali, que trouxe uma visão forte para a marca, revisitando os elementos das coleções icônicas da Chloe dos anos 1970. Kamali buscou inspiração nas criações de Karl Lagerfeld para a Chloe na década de setenta, trazendo uma feminilidade sem esforço para sua coleção de estreia. O desfile foi marcado por uma mistura de elementos boêmios e festivos, com jeans patchwork, tops de renda franzida e vestidos leves com casacos com capuz. As blusas desempenharam um papel central na coleção, refletindo a obsessão de Kamali por essa peça de vestuário. Além disso, os acessórios, como óculos de sol chamativos e joias douradas, adicionaram um toque retrô ao visual. A coleção, embora inspirada no passado, trouxe elementos modernos e contemporâneos, mostrando a capacidade de Kamali em revitalizar o legado da marca Chloe para uma nova geração de fashionistas.

Simone Rocha apresentou sua aguardada coleção AW’24 na Semana de Moda de Londres, concluindo um tríptico que explorou o tema da morte e das roupas de luto. Apesar desse tema sombrio, a atmosfera em torno do desfile no sábado à noite na igreja de São Bartolomeu em Smithfield foi de celebração e reconexão com suas raízes. Esta coleção, composta por 50 looks, marcou o maior desfile de Rocha até o momento, com uma recepção calorosa que ecoou os aplausos e os gritos de aprovação do desfile anterior em Paris. A estética da designer, que mescla elementos vitorianos com toques de punk, tem sido um ponto focal de sua carreira ao longo dos anos, e nesta temporada ela se inspirou nas roupas de luto usadas pela Rainha Vitória ao longo de quatro décadas. Rocha continua a impressionar o mundo da moda com sua habilidade em trazer à tona temas complexos por meio de suas criações, enquanto mantém sua assinatura estética reconhecível.

Na Schiaparelli, Daniel Roseberry surpreendeu ao encontrar um equilíbrio entre o extravagante e o funcional. Enquanto a marca ganhou destaque nos últimos anos por seus momentos marcantes no tapete vermelho e na alta-costura, Roseberry decidiu repensar o papel do prêt-à-porter no universo Schiaparelli. Sua abordagem buscou tornar as peças mais acessíveis e integráveis ao cotidiano de suas clientes, mantendo, ao mesmo tempo, a essência dramática característica da marca. Os primeiros looks apresentados indicaram uma mudança sutil do estilo fantástico que tem sido marca registrada da Schiaparelli até então. Ternos em tons sóbrios, como cinza, preto e bege, foram cortados em modelagens mais relaxadas, mostrando uma interpretação surrealista nos detalhes, como gravatas feitas de cabelo trançado. Os casacos destacavam-se apenas pelos botões dourados excêntricos, uma assinatura Schiaparelli discreta. Os vestidos, verdadeiras obras de arte, foram os grandes protagonistas do desfile.

Na maison Dior, a temporada de outono/inverno 2024 foi marcada por uma homenagem ao passado e uma visão para o futuro. Inspirada na revolucionária ideia do prêt-à-porter de 1967, a diretora criativa Maria Grazia Chiuri apresentou uma coleção que combinava elementos clássicos com um toque contemporâneo. A estética feminina característica da marca permaneceu evidente, com Chiuri demonstrando sua habilidade em adaptar-se aos tempos modernos. Os primeiros looks destacaram-se por sua simplicidade elegante, com um trench coat bege sobre calças retas e uma camisa branca, mostrando uma abordagem mais prática e acessível. A coleção também apresentou vestidos de linha A e minissaias, combinados com botas de salto baixo para um toque casual-chique. Nas peças de noite, colunas esbeltas bordadas com detalhes requintados adicionaram um toque de glamour. O tema da coleção foi a Miss Dior, graficamente representada em roupas e acessórios, relembrando o legado da marca. Sob a liderança de Chiuri, a Dior continua a ser um nome dominante na moda, unindo tradição e inovação. Essa coleção certamente atrairá uma nova geração de fashionistas, enquanto mantém a fidelidade dos admiradores de longa data da icônica maison Dior.