O físico teórico alemão Albert Einstein é um dos cientistas mais conhecidos do mundo, ao lado de nomes aclamados como Isaac Newton e Marie Curie. A comunidade científica aponta que Einstein é um dos pais da física moderna e o criador da teoria da relatividade, um trabalho que abrange diversos aspectos da compreensão do universo. Mas será que ele foi o único responsável pela descoberta da relatividade?

Uma discussão polêmica é justamente sobre a disputa que envolve a descoberta da relatividade especial. Alguns sugerem que, antes das publicações de Einstein sobre a relatividade, o físico holandês Hendrik Antoon Lorentz foi o primeiro a abordar esses conceitos que levaram à revolução da ciência moderna. Inclusive, Lorentz foi colega de Einstein.

Quando Albert Einstein publicou os artigos que apresentaram as teorias da relatividade geral e da relatividade restrita não foram citadas referências a outros estudos na áreaPorém, o cientista alemão utilizou as fórmulas matemáticas propostas por Lorentz para desenvolver sua teoria, além de informações incluídas em trabalhos de Henri Poincaré, David Hilbert e outros físicos que estudavam o tema.

“A relação entre a teoria da relatividade especial de Albert Einstein e a teoria do éter de Hendrik A. Lorentz é melhor compreendida em termos de interpretações concorrentes da invariância de Lorentz. Na década de 1890, Lorentz provou e explorou a invariância de Lorentz das equações de Maxwell, as leis que governam os campos eletromagnéticos no éter, com o que ele chamou de teorema dos estados correspondentes”, é descrito em um estudo publicado na revista científica Physics in Perspective.

Para compreender a verdade por trás da suposta disputa entre Einstein e Lorentz, reunimos informações de artigos científicos e de especialistas da área.

Relatividade especial: Einstein ou Lorentz?

Precisamos começar defendendo Einstein. Apesar de não ter referenciado seus colegas de trabalho, o cientista utilizou as Transformações de Lorentz no desenvolvimento da Teoria da Relatividade Geral. Ou seja, é implícito que o alemão estava utilizando o trabalho de outro pesquisador, afinal, as equações foram nomeadas em homenagem a Lorentz.

Também é importante destacar que não existe nenhuma discussão sobre Einstein ter roubado as fórmulas, apenas sobre ele não ter citado as fontes originais. Isso não tira o mérito dele ter descoberto informações revolucionárias para a compreensão do universo. Não é à toa que o físico é considerado um dos principais nomes da ciência e, notavelmente, isso não seria resultado de nenhum tipo de plágio.

Originalmente, a relatividade especial foi publicada por Einstein em 1905, mas a Teoria da Relatividade Geral só foi publicada em 1915. Mas antes disso, cientistas como Hendrik Lorentz, Henri Poincaré e Hermann Minkowski também contribuíram significativamente para a relatividade restrita.

Da esquerda para a direita, a imagem apresenta os físicos Albert Einstein, Henri Poincaré e Hendrik Lorentz.Da esquerda para a direita, a imagem apresenta os físicos Albert Einstein, Henri Poincaré e Hendrik Lorentz.Fonte: Wikipédia

“Hendrik Antoon Lorentz (nascido em 18 de julho de 1853 – falecido em 4 de fevereiro de 1928) foi um físico holandês e co-vencedor (com Pieter Zeeman) do Prêmio Nobel de Física em 1902 por sua teoria da radiação eletromagnética. [Suas] fórmulas matemáticas descrevem o aumento da massa, o encurtamento do comprimento e a dilatação do tempo que são característicos de um corpo em movimento e constituem a base da teoria da relatividade especial de Einstein”, a enciclopédia Britannica explica.

Atualmente, os historiadores concordam que Einstein utilizou equações matemáticas de Lorentz, Poincaré e outros pesquisadores da época. Mas foi o próprio físico alemão que conseguiu demonstrar a relatividade geral do espaço e do tempo e eliminar a ideia de éter na comunidade científica — o éter é uma substância hipotética proposta para explicar alguns fenômenos físicos do cosmos, como a gravidade. Por isso, ele é apontado corretamente como o cientista que descobriu a relatividade especial.

A moral dessa história é que a ciência não é desenvolvida a partir dos estudos de apenas um cientista. Na verdade, ela funciona como uma teia de aranha, onde cada fio representa o trabalho de diferentes cientistas e a junção desses fios forma uma grande teia de conhecimento. A ciência funciona justamente a partir das contribuições.

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