Jesus Cristo está em todos os lugares — pelo menos, é o que essas imagens geradas por inteligência artificial (IA) fazem parecer. Há poucas semanas, surgiu uma trend de imagens no Facebook e em outras redes sociais que, se você olhar com atenção, escondem não só a face da figura do Cristianismo, como também uma infinidade de outras mensagens ocultas.

Não, essas não são fotos reais. Na verdade, isso faz parte de uma febre que surgiu há bastante tempo na internet, mas voltou a ganhar tração com a popularização de IAs generativas capazes de criar imagens a partir de descrição em texto.

As criações desse tipo são várias, incluindo paisagens, gatinhos, crianças “artistas”, pessoas ou fotos de uma rua aparentemente normal. Ao fechar um pouco os olhos, é possível ver a imagem oculta, então descobrir do que se trata o post.

No Brasil, a febre recente está relacionada às artes de Jesus Cristo, figura importante do Cristianismo. As criações geradas por IA escondem o rosto do Redentor de várias formas diferentes, pegando de surpresa aqueles que passaram pelo post sem saber do que se trata.

Jesus feito com IA por todo lado

O TecMundo viu várias dessas figuras na internet e, neste artigo, reuniu algumas das publicações mais criativas. Se você tiver dificuldade em enxergar as figuras ocultas, tente fechar os olhos parcialmente. Confira abaixo:

Como são feitas essas imagens?

É impossível saber exatamente como as imagens foram feitas e, considerando que são várias figuras diferentes, provavelmente partiu de diferentes autores. Além disso, praticamente qualquer IA geradora de imagens consegue criar esse tipo de foto.

Portanto, você poderia usar o Copilot, o Midjourney ou o Adobe Firefly para criar as figuras. Para isso, é importante saber exatamente o que pedir, descrevendo com precisão o que espera que o modelo produza.

Vale ressaltar que nem toda ferramenta geradora de imagens pode criar fotos com figuras religiosas. Algumas empresas estabelecem políticas rigorosas contra a reprodução de imagens dessas entidades, assim evitando o mau uso dos aplicativos.

De certa forma, o processo de criação é o mesmo que gerou as memoráveis fotos do Papa Francisco com um estiloso casaco e correntes de grife.

Como essas imagens são vistas?

Provavelmente, só é possível reconhecer as imagens ocultas graças a incrível capacidade humana de reconhecer padrões visuais. Segundo a teoria de Cattell-Horn-Carroll, o cérebro humano possui uma capacidade incomum de captar diferenças sutis em uma imagem, como itens fora do lugar ou a peculiar posição de determinados itens.

Essa capacidade de distinguir figuras com facilidade é o Processamento Visual, que implica no poder de perceber, analisar, sintetizar e pensar com padrões visuais.

Impulso do algoritmo do Facebook

Ainda que a brincadeira pareça ser inofensiva, ela ressalta um dos problemas na recomendação de conteúdo de grandes redes sociais, como o Facebook. A repórter do site NPR Shannon Bond relatou como foi fácil esbarrar com uma dessas publicações, ainda que ela não tenha sido criada, compartilhada ou publicada por nenhuma página seguida ou perfil adicionado.

Imagens assim geram engajamento fácil pelo "fator surpresa".Imagens assim geram engajamento fácil pelo “fator surpresa”.Fonte:  Wellington Arruda/TecMundo 

As publicações são interessantes, mas se mostraram uma boa forma de gerar engajamento. Bond menciona que as publicações acumulam milhares de interações, entre curtidas, reações, comentários e compartilhamentos.

Essa febre, porém, é utilizada para impulsionar contas de conteúdo ilegítimo, isto é, páginas com a pura intenção de acumular curtidas e seguidores para aumentar o próprio valor. Posteriormente, esses mesmos perfis podem ser vendidos ou aproveitar a enorme audiência para divulgar sites criminosos, phishing, ou venda de produtos de origem questionável.

Agora que ferramentas com inteligência artificial tornaram a criação de conteúdo ainda mais fácil e acessível, trends como essa devem aparecer com ainda mais frequência. Os efeitos disso ainda estão para ser descobertos, mas talvez torne as redes sociais ainda menos “orgânicas” do que já são.



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