Por Debora Lousa / @deboralousa

A cozinha entra em 2026 e 2027 com uma estética mais acolhedora, sofisticada e integrada ao restante da casa. Depois de anos de predominância do branco, do cinza e de projetos com aparência muito padronizada, os ambientes começam a incorporar mais madeira, cores quentes, pedras naturais e uma marcenaria que se aproxima cada vez mais do design de mobiliário.

As novas propostas também refletem uma mudança na maneira como a cozinha é utilizada. O espaço deixou de ser exclusivamente destinado ao preparo das refeições e passou a funcionar como área de convivência, trabalho, refeições rápidas e encontros. Por isso, os projetos procuram equilibrar beleza, praticidade e organização.

Madeira natural ganha protagonismo

A madeira está entre os materiais que mais aparecem nas cozinhas contemporâneas. Tons naturais e médios, especialmente os inspirados no carvalho e na nogueira, ajudam a criar ambientes mais quentes sem necessariamente levar o projeto para uma estética rústica. O destaque está em superfícies de aparência natural, com veios visíveis e acabamento sofisticado. O white oak continua sendo uma referência importante, principalmente em projetos que combinam linhas retas e uma paleta neutra.

Marcenaria com aparência de mobiliário

Uma das principais transformações está nos armários. A tendência é criar uma marcenaria que pareça parte da arquitetura e, ao mesmo tempo, tenha aparência de móveis sofisticados. Portas lisas, painéis contínuos, armários altos e torres de armazenamento ajudam a criar uma composição visual mais uniforme. O excesso de divisões e detalhes decorativos perde espaço para soluções mais limpas e atemporais.

Cores mais quentes

O branco continua presente, mas divide espaço com tons mais acolhedores. Off-white, bege, areia, taupe e tonalidades próximas ao mushroom aparecem como alternativas aos cinzas frios. Para quem deseja acrescentar cor, verdes suaves, verde oliva, azul profundo e tons terrosos podem aparecer nos armários, na ilha ou em detalhes. A proposta é acrescentar personalidade sem comprometer a sensação de equilíbrio.

A ilha vira peça central

A ilha continua sendo um dos elementos mais importantes da cozinha, mas agora assume também uma função estética. Em muitos projetos, ela recebe acabamento diferente do restante da marcenaria, tornando-se o ponto focal do ambiente. Madeira contrastante, pedra com veios marcantes, bancos e soluções de armazenamento podem transformar a ilha em uma verdadeira peça de mobiliário. Ela também funciona como elo entre a cozinha e os espaços sociais em plantas abertas.

Eletrodomésticos cada vez mais discretos

A busca por uma aparência organizada também influencia os eletrodomésticos. Geladeiras, lava-louças e outros equipamentos podem ser integrados aos armários por meio de painéis, criando uma superfície visualmente contínua. Pequenos eletrodomésticos também começam a desaparecer das bancadas. Coffee stations, garagens para aparelhos e armários específicos permitem guardar cafeteiras, torradeiras e liquidificadores, deixando a área principal mais livre.

Pedras naturais ganham destaque

As bancadas deixam de ser apenas elementos funcionais e passam a participar da estética do projeto. Quartzito, mármore e outras pedras naturais com veios marcantes aparecem em combinação com marcenaria mais discreta. A composição entre madeira e pedra é especialmente forte porque reúne duas características valorizadas atualmente: o aspecto natural e a sofisticação. A pedra pode aparecer também na ilha, criando continuidade e reforçando seu papel de destaque.

Metais menos brilhantes

Nas torneiras, puxadores e luminárias, os acabamentos excessivamente brilhantes dão espaço a opções mais discretas. Bronze, latão envelhecido e outros tons quentes ajudam a criar uma atmosfera mais residencial. Esses detalhes também permitem atualizar uma cozinha sem grandes intervenções. Em projetos minimalistas, ferragens e metais ganham importância justamente por funcionarem como pequenos pontos de contraste.

Cozinha integrada ao living

A integração entre cozinha, sala de jantar e living continua forte, especialmente em projetos residenciais contemporâneos. A preocupação passa a ser criar continuidade entre os ambientes. Cores, madeiras e outros acabamentos utilizados na cozinha podem aparecer em móveis ou painéis de outros espaços da casa. Dessa forma, a cozinha deixa de parecer um ambiente independente e passa a fazer parte de uma composição única.

Iluminação em camadas

A iluminação também assume papel importante. Além da luz geral, projetos atuais combinam iluminação sob os armários, pendentes sobre a ilha e pontos decorativos. Essa combinação permite adaptar a cozinha a diferentes momentos do dia e valorizar materiais como madeira e pedra. A iluminação deixa de ser apenas funcional e passa a contribuir para a atmosfera do ambiente.

O fim do excesso de texturas

O ripado e o acabamento canelado continuam presentes, mas o uso exagerado desses elementos começa a perder força. A tendência é aplicar textura de maneira estratégica, em uma ilha, uma porta ou um detalhe específico. A mesma lógica vale para outros recursos decorativos: menos elementos repetidos e mais equilíbrio entre materiais, cores e formas.

Uma cozinha para viver

As tendências de 2026/27 mostram uma cozinha menos rígida e mais conectada à rotina. Madeira natural, marcenaria sofisticada, tons quentes, pedras expressivas, armazenamento inteligente e equipamentos integrados formam uma combinação que privilegia tanto a estética quanto a funcionalidade.

Mais do que acompanhar uma moda passageira, os novos projetos procuram criar ambientes que permaneçam atuais por mais tempo. A cozinha se consolida como um dos principais espaços de convivência da casa — um lugar para cozinhar, receber, trabalhar, conversar e estar junto. 

Para os próximos anos, o conceito pode ser resumido em uma combinação de aconchego, organização, materiais naturais e marcenaria com personalidade.