Já presenciou algum refrigerante neon ou como aquele doce com cobertura azul tão vibrante ganharam essa cor? Por trás do visual atraente estão os corantes artificiais, compostos químicos derivados do petróleo ou do alcatrão, transformados em moléculas estáveis e visualmente chamativas. Frequentemente classificados como FD&C (Food, Drug & Cosmetic) esses corantes são usados para tornar produtos mais vendáveis, porém isso levanta problemas cada vez mais discutidos pela Ciência e pelos reguladores.
A Ciência por trás da cor
Exemplos clássicos de corantes incluem a Tartrazina (Yellow 5), o Allura Red (Red 40) e o Azul Brilhante FCF (Blue 1). A FDA exige estudos de toxicidade e estabelece limites de uso seguro, e todos devem ser rotulados conforme as regulações americanas. Em 2025, FDA e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA anunciaram um plano para eliminar até o fim de 2026 os corantes sintéticos à base de petróleo, favorecendo aditivos naturais. Já foi antecipada a revogação do uso do FD&C Red No. 3 (Erythrosine), por sua associação a câncer em camundongos. A indústria tem até janeiro de 2027 para se adaptar.
Um relato de 2024 do estado da Califórnia (EPA e OEHHA) associa os corantes sintéticos a efeitos neurocomportamentais em crianças, como hiperatividade e dificuldades de atenção, mesmo em crianças sem diagnóstico prévio de TDAH. E não para por aí! Estudos em animais recentes indicam que o Red 40 (Allura Red AC) pode causar inflamação intestinal, danos ao DNA e desequilíbrios na microbiota, fatores ligados a doenças inflamatórias crônicas.Estados como Califórnia e Virgínia proibiram o uso de seis corantes sintéticos em refeições escolares até 2027, em resposta a evidências neurológicas potenciais.
O FDA (Food and Drug Administration), agência do governo dos Estados Unidos, ligada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) reafirma que a maioria dos consumidores não sofre efeitos adversos, mas admite que estudos atualizados são necessários para entender os impactos neurológicos em crianças sensíveis e com restrições alimentares, por exemplo.
Pensem em alternativas…
Produtos obtidos de plantas como cúrcuma (amarelo), beterraba (vermelho), urucum (annatto), clorofila (verde), são cada vez mais aprovados. Em 2025, o FDA aprovou novos aditivos naturais como blue genipina (Gardenia extract blue) e Butterfly pea flower extract, com produção acelerada para facilitar a transição do setor alimentício. Então, vamos ter o hábito de ler os rótulos e evitar ingredientes como “Red 40”, “Yellow 5”, “Blue 1”, por exemplo. Prefira produtos com corantes naturais. Para experiências educativas em sala de aula ou em casa, prepare sucos ou alimentos coloridos com ingredientes naturais. Isso ajuda a ensinar às crianças que a Ciência está no dia a dia e que cores artificiais não são apenas branding, mas escolhas que impactam saúde e bem-estar!
Prof. Diogo Bacellar é Químico, Mestre e Doutor em Educação Cientifica; Especialista em Educação Ambiental. Atua há mais de 15 anos como professor e pesquisador na área de Educação Científica e Cidadania Crítica. Atualmente, estuda e pesquisa STEM nos EUA. / E-mail: professordiogob@gmail.com

