O Immigration and Customs Enforcement (ICE) deixou de informar publicamente, em seu sistema online de localização de detidos, onde estão milhares de imigrantes que possuem ordens finais de deportação. A mudança entrou em vigor em 15 de setembro de 2026 e não foi anunciada publicamente pela agência. A informação foi revelada pela Associated Press após advogados e familiares perceberem que pessoas anteriormente localizáveis no sistema haviam desaparecido da plataforma.
Segundo dados do ICE obtidos pelo Deportation Data Project, quase 16 mil pessoas que foram presas e registradas em centros de detenção do ICE em julho tinham ordens finais de remoção. Esse grupo representava mais de um terço das detenções registradas naquele mês. A nova prática, segundo autoridades ouvidas pela Associated Press, não se aplica a algumas unidades específicas que estão sujeitas a decisões judiciais determinando que o ICE informe a localização dos detidos.
O sistema online de localização de detidos foi criado pelo ICE em 2010 justamente para permitir que familiares, advogados e outras pessoas encontrem indivíduos sob custódia migratória. A ferramenta permite pesquisas pelo nome, país de nascimento e data de nascimento ou pelo número de registro migratório, conhecido como A-Number. O governo federal continua disponibilizando o sistema, mas a retirada das informações referentes a pessoas com ordens finais de deportação criou uma nova limitação para quem tenta localizar esses indivíduos.
Advogados de imigração afirmam que a mudança pode dificultar o acompanhamento de processos e a apresentação de recursos de última hora. Uma das principais dificuldades é que pessoas detidas pelo ICE podem ser transferidas entre diferentes unidades, inclusive para locais distantes de suas famílias e representantes legais. Sem saber onde o cliente está, o advogado pode enfrentar obstáculos para estabelecer contato e determinar qual tribunal federal tem jurisdição sobre determinadas medidas judiciais.
A American Immigration Lawyers Association alertou seus membros sobre a mudança depois de receber relatos de clientes que deixaram de aparecer no sistema. Organizações que prestam assistência jurídica também relataram casos semelhantes. A Associated Press informou que uma organização de defesa de imigrantes identificou pelo menos 17 clientes que desapareceram do localizador após a alteração.
O ICE não confirmou nem negou à Associated Press que tenha adotado uma nova política para retirar essas informações do sistema. Em declaração à agência, porém, afirmou que pessoas com ordens finais de remoção estão sendo priorizadas para deportação e mencionou o elevado número de decisões judiciais que atualmente impedem determinadas remoções. A agência também informou que os detidos continuam tendo acesso a telefones.
A mudança ocorre em um momento de forte expansão da detenção migratória nos Estados Unidos. Segundo dados citados pelo Washington Post, mais de 60 mil pessoas estavam sob custódia do ICE em um dia médio, número aproximadamente duas vezes superior ao registrado durante a administração anterior. Nesse cenário, a localização dos detidos tornou-se uma questão ainda mais relevante para famílias e advogados que acompanham processos migratórios.
Para familiares de imigrantes detidos, a recomendação oficial continua sendo utilizar o sistema de localização do ICE e, quando a pessoa não aparecer, procurar o escritório regional de Enforcement and Removal Operations ou entrar diretamente em contato com a unidade de detenção conhecida.

