Da moda ao cinema, da música ao turismo, referências brasileiras vivem um novo momento de projeção internacional e despertam o interesse de marcas, celebridades e consumidores ao redor do mundo.

O Brasil está na moda. A expressão, repetida muitas vezes ao longo das últimas décadas, ganhou novo significado em 2026. Uma reportagem publicada pela Associated Press chama atenção para um movimento que já pode ser percebido em diferentes áreas: a cultura brasileira atravessa um período de forte visibilidade internacional.

O fenômeno começou a ganhar força com o chamado Brazilcore, tendência que levou as cores da bandeira, camisas de futebol, chinelos, crochê, biquínis e outras referências da estética brasileira para as redes sociais e, posteriormente, para a moda internacional.

Hoje, porém, o movimento vai muito além do verde e amarelo.

Da estética brasileira às passarelas

Marcas internacionais passaram a incorporar referências ao Brasil em coleções e campanhas, enquanto elementos tradicionalmente associados ao cotidiano brasileiro ganharam status fashion.

Segundo dados da plataforma de moda Lyst divulgados pela Vogue, o interesse por referências relacionadas ao Brasil cresceu 91% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. Quando consideradas especificamente as marcas brasileiras, o avanço chegou a 204%.

Até o tradicional chinelo de dedo vive um novo momento. No verão do Hemisfério Norte, o calçado apareceu nas produções de celebridades e nas passarelas internacionais. Dados divulgados pela imprensa brasileira mostram que as buscas por “flip flops” no TikTok cresceram fortemente em 2026, enquanto as Havaianas registraram aumento de aproximadamente 40% no volume de pares vendidos nos Estados Unidos.

A brasilidade deixou, portanto, de funcionar apenas como uma referência exótica ou tropical e passou a ocupar um espaço mais amplo dentro da conversa internacional sobre moda e comportamento.

Música, cinema e cultura ampliam o fenômeno

A força brasileira também se manifesta fora das passarelas. A música nacional — especialmente gêneros como o funk — ampliou sua presença internacional, enquanto artistas brasileiros alcançam novos públicos por meio das plataformas digitais.

O cinema é outro importante vetor dessa projeção. Produções brasileiras vêm conquistando espaço em festivais, premiações e mercados internacionais, contribuindo para apresentar ao mundo um Brasil mais complexo e diverso do que os estereótipos historicamente associados ao país.

As redes sociais aceleram esse processo. Imagens, músicas, danças, gastronomia, praias, moda e expressões brasileiras circulam diariamente entre milhões de usuários, transformando manifestações locais em referências globais.

Turismo também sente o efeito

O interesse crescente pelo Brasil aparece também nos números do turismo.

Em 2025, o país recebeu mais de 9 milhões de turistas internacionais, segundo dados citados pela Associated Press — crescimento de 37% em comparação com 2024.

E o movimento continua em 2026. Entre janeiro e julho deste ano, mais de 4 milhões de turistas internacionais chegaram ao Brasil por via aérea, um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais do governo brasileiro.

Os Estados Unidos aparecem entre os principais mercados emissores, com cerca de 430 mil chegadas aéreas ao Brasil no período.

Tendência ou mudança de percepção?

A grande questão é saber se esse movimento representa apenas mais um ciclo de tendências ou uma transformação mais profunda na maneira como o Brasil é percebido internacionalmente.

O Brazilcore pode ter servido como porta de entrada, mas a atual projeção brasileira envolve algo maior: criatividade, identidade, música, audiovisual, turismo e uma maneira particular de interpretar moda e estilo de vida.

Há também um aspecto econômico importante. Quando a cultura de um país se torna desejada internacionalmente, ela movimenta turismo, moda, entretenimento, gastronomia e diferentes setores da chamada economia criativa.

O desafio será transformar a atenção momentânea em presença consistente.

Porque, em 2026, uma coisa parece clara: o mundo está olhando para o Brasil — e não apenas para suas paisagens, mas para aquilo que o país cria, veste, canta, produz e representa.