O governo do presidente Donald Trump anunciou oficialmente um novo conjunto de recomendações nutricionais para os Estados Unidos. Batizadas de Dietary Guidelines for Americans 2025–2030, as novas diretrizes representam uma mudança significativa na política alimentar do país e fazem parte da iniciativa “Make America Healthy Again” (MAHA), que tem como objetivo enfrentar o aumento das taxas de obesidade, diabetes e doenças metabólicas na população americana.
O anúncio foi feito em janeiro de 2026 pelos Departamentos de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e de Agricultura (USDA), sob a liderança do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e da secretária de Agricultura, Brooke Rollins.
Foco em “comida de verdade”
A principal mudança das novas diretrizes é o incentivo explícito ao consumo de alimentos minimamente processados, priorizando aquilo que o governo define como “comida de verdade”. A orientação é baseada em refeições mais simples e nutritivas, com destaque para:
• Proteínas de alta qualidade
• Frutas e vegetais frescos
• Grãos integrais
• Gorduras naturais e saudáveis
Em contrapartida, o documento recomenda a redução drástica de alimentos ultraprocessados, açúcares adicionados e bebidas adoçadas, apontados como fatores-chave no avanço de doenças crônicas nos Estados Unidos.
Mais proteína e reavaliação das gorduras
Outra mudança importante é o aumento da recomendação de proteína diária, com a orientação de que ela esteja presente em todas as refeições. Diferentemente das diretrizes anteriores, que limitavam o consumo de gorduras, as novas recomendações passam a aceitar e até incentivar o consumo de gorduras naturais, incluindo laticínios integrais, manteiga, azeite de oliva e gorduras de origem animal.
O governo argumenta que a demonização das gorduras ao longo das últimas décadas não trouxe os resultados esperados em termos de saúde pública e que o excesso de açúcar e alimentos industrializados teve papel central nesse cenário.
“Guerra ao açúcar” e alimentos ultraprocessados
As diretrizes também adotam um tom mais contundente contra o açúcar adicionado. O documento classifica o consumo excessivo como um dos principais vilões da dieta moderna e desencoraja fortemente refrigerantes, sucos industrializados, snacks e produtos com alto teor de aditivos químicos.
Segundo o governo, a proposta é promover uma mudança cultural na alimentação americana, indo além da contagem de calorias e focando na qualidade nutricional dos alimentos.
Nova abordagem visual e educativa
Como parte da estratégia, foi apresentada uma nova representação gráfica da alimentação saudável, substituindo modelos tradicionais. A imagem destaca proteínas e alimentos naturais como base da dieta, em contraste com a antiga pirâmide alimentar, que priorizava carboidratos.
Impacto nacional
As Dietary Guidelines for Americans são atualizadas a cada cinco anos e têm impacto direto em políticas públicas, incluindo:
• Programas de alimentação escolar
• Refeições fornecidas às Forças Armadas
• Programas federais de assistência alimentar
• Diretrizes usadas por médicos e nutricionistas
Por isso, as mudanças anunciadas podem influenciar a alimentação de milhões de americanos nos próximos anos.
Uma mudança de paradigma
Especialistas observam que as novas diretrizes marcam uma ruptura com décadas de recomendações nutricionais baseadas em dietas com baixo teor de gordura. A nova abordagem reflete um debate crescente na ciência da nutrição sobre o papel dos alimentos ultraprocessados e a importância de dietas mais tradicionais e naturais.
Embora a iniciativa ainda gere controvérsia entre profissionais da área, o governo Trump defende que a reformulação é necessária diante da crise de saúde pública enfrentada pelo país.

