Desde a posse do presidente Donald Trump, os Estados Unidos registraram mais de 1.000 voos de deportação para 62 países, segundo dados do grupo de defesa dos imigrantes Witness at the Border. Esses voos transportam imigrantes detidos pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement), agência responsável pela fiscalização de imigração no país.
A partir de março, o monitoramento dessas operações se tornou mais complexo. As empresas que operam os voos passaram a solicitar que os números de cauda (tail numbers) das aeronaves fossem removidos de sites públicos de rastreamento, dificultando o acompanhamento das rotas pelos cidadãos e grupos de defesa dos direitos humanos.
Eunice Cho, advogada sênior do ACLU National Prison Project, explicou que essas informações são essenciais para compreender para onde os detidos estão sendo enviados, especialmente devido ao acesso limitado a dados sobre deportações. “Às vezes, essas informações públicas são a única forma de acompanhar o deslocamento de pessoas detidas”, afirmou.
Desde 2017, o aumento do número de voos e a diminuição da transparência têm chamado atenção de especialistas em imigração e de organizações de direitos humanos. A questão reforça o debate sobre a necessidade de maior clareza e acompanhamento das operações de deportação nos Estados Unidos.

