O endividamento dos americanos por meio de cartões de crédito vem crescendo de forma acelerada, impulsionado por taxas de juros que permanecem em patamares históricos. De acordo com o JPMorgan Chase, maior banco dos Estados Unidos, o volume de saldos rotativos – valores que não são quitados integralmente no mês – aumentou significativamente. O Capital One também observou que o percentual de consumidores realizando apenas o pagamento mínimo supera os níveis registrados antes da pandemia.
Essa tendência reflete o acesso facilitado ao crédito nos últimos anos. Durante a pandemia, emissores de cartões flexibilizaram suas normas, ampliando o acesso ao crédito.
O pagamento de auxílio financeiro pelo governo ajudou a manter a inadimplência sob controle, permitindo que mais pessoas obtivessem cartões, inclusive aquelas com perfis de risco mais elevados. Contudo, a inflação persistente pressionou esses consumidores, tornando o pagamento das dívidas cada vez mais desafiador.
Charlie Wise, vice-presidente sênior de pesquisa e consultoria da TransUnion, aponta que muitas dessas pessoas não possuem casa própria e enfrentam aumentos expressivos nos custos de vida, como aluguel, alimentação, combustível, cuidados infantis e seguros. “Eles estão lidando com diversos desafios financeiros, e o endividamento acaba sendo uma forma de lidar com esses custos crescentes”, explicou Wise.
Com o aumento do saldo devedor, os consumidores também estão pagando mais juros. Segundo dados do Federal Reserve, a taxa média de juros dos cartões de crédito estava em torno de 21% no final de 2024, uma das mais altas já registradas. Isso significa que mesmo aqueles que mantêm dívidas relativamente pequenas acabam pagando valores expressivos apenas em encargos financeiros.
Além disso, a crescente dependência do crédito pode impactar outros setores da economia. Com mais consumidores alocando parte significativa de sua renda para o pagamento de dívidas, há uma possível redução no consumo de bens e serviços, o que pode desacelerar o crescimento econômico. Especialistas indicam que, se essa tendência persistir, pode haver reflexos no mercado de trabalho, uma vez que empresas de diversos segmentos podem ser afetadas por uma demanda mais contida.
O cenário levanta preocupações sobre o futuro da economia doméstica nos EUA. Especialistas alertam que, caso as taxas de juros permaneçam elevadas e a inflação continue pressionando o orçamento das famílias, a inadimplência pode aumentar, afetando tanto consumidores quanto instituições financeiras.
Para evitar o acúmulo excessivo de dívidas, economistas recomendam que os consumidores busquem renegociar taxas de juros, evitem os pagamentos mínimos sempre que possível e considerem formas alternativas de financiamento com condições mais favoráveis.
Diante desse panorama, o endividamento crescente se torna um reflexo das dificuldades econômicas vividas por milhões de americanos, ressaltando a importância de um planejamento financeiro mais rigoroso em tempos de incerteza.

