Nos últimos meses, uma série de vídeos virais no TikTok e Instagram levantou questionamentos sobre a eficácia dos protetores solares, acusando-os de serem “inúteis” ou até prejudiciais à saúde. Essas alegações, muitas vezes feitas por influencers, modelos e até médicos, afirmam sem evidências concretas que os protetores solares podem causar câncer ou conter substâncias nocivas.
Esses vídeos também criticam a capacidade dos protetores de bloquear raios ultravioleta tipo C (UVC), embora a Food and Drug Administration (FDA) esclareça que o UVC não atinge a superfície da Terra, sendo barrado pela camada de ozônio. A disseminação dessas informações incorretas tem gerado preocupações entre especialistas em dermatologia.
A dermatologista Aparecida Moraes, coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), condena veementemente a desinformação sobre protetores solares. Ela destaca que décadas de pesquisa comprovam a eficácia desses produtos na prevenção do câncer de pele, uma recomendação endossada por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estudos recentes mostram que apenas uma pequena parte dos conteúdos sobre proteção solar nas redes sociais é produzida por profissionais de saúde. A pesquisa da Universidade de Miami revela que muitos vídeos são criados por blogueiros e consumidores, com um percentual significativo contendo informações falsas ou inadequadas.
Especialistas como a dermatologista Heather Woolery-Lloyd sugerem que influenciadores podem ser úteis ao compartilhar experiências práticas com produtos, mas alertam para a necessidade de informações baseadas em evidências científicas. A presença de médicos nas redes sociais pode ajudar a desmentir mitos e fornecer orientações precisas.
Para garantir a proteção eficaz contra os danos solares, a OMS recomenda o uso de protetores solares com fator de proteção solar (FPS) 30 ou superior, aplicados generosamente e reaplicados a cada duas horas. A escolha do protetor deve considerar o tipo de pele, e alternativas acessíveis estão disponíveis no mercado.
Além dos protetores solares, a proteção pode ser complementada com roupas UV, chapéus e óculos de sol, bem como evitando a exposição intensa durante os horários de pico. A personalização dos cuidados com a pele, conforme as diretrizes recentes da Austrália, pode ajudar a equilibrar a proteção contra o câncer de pele e a obtenção de vitamina D.
Em suma, a melhor forma de resguardar a pele continua sendo a combinação de protetores solares adequados e outras medidas de proteção, sempre com base em orientações de especialistas em dermatologia.

