Natal, mais uma história! Não sou o Grinch, o esquisito personagem que detestava o Natal, mas me causa um certo desconforto esta data, sem ter nada a ver com a grande importância do nascimento de Cristo. Falo de um Natal cheio de presentes ou talvez onde lembranças reacendem o passado.

Algumas pensava eu, que havia esquecido, outras me faziam sorrir ante pacotes que jurava que tinham um bom conteúdo e não passavam de um par de meias ou de cueca enfeitada com coraçãozinhos. Sempre continham surpresas!

Fugi! Fugi porque precisava fugir. Faltava-me coragem de enfrentar mais um desafio, já não tinha mais obrigação familiar de reunir-me com velhas tias ou primos contando lorotas sobre aventuras, que bem sabia inexistentes.

Fugi porque não teria coragem de olhar para meus filhos, que bem sabia os tinha abandonado. A fuga ultrapassou as minhas perspectivas e agora me via sozinho, sem ninguém para compartilhar e nem mesmo para reclamar. A verdade é que estava só! O primeiro pensamento – e agora?

Caminhar sozinho pelas ruas, nem pensar! Viajar! Sim viajar… e sem pestanejar peguei um onibus com destino a rodoviária. Lá teria a certeza que algum ônibus iria partir. Partir para algum lugar! Nem precisaria imaginar, que naquele local existia uma multidão que tinha deixado para ultima hora a compra da passagem que o levaria para a família. Olhei e vi um guichê sem fila e que ainda estavam atendendo.

Corri e me vi em frente ao guichê, sem me procupar pelos destinos. Um senhor grisalho atendeu-me delicamente, perguntando para onde queria ir. Apontou-me um painel aonde constava as cidades, cujas passagens ainda estaria disponíveis.

O primeiro ônibus iria partir dentro de uma hora, e o velho vendedor, enquanto preenchia o tiquet, começou a contar uma história e logo percebi que era da sua vida. Seus olhos marinados falavam de recordações de um tempo vivido: de esposa, de filhos e até mesmo de netos que já não os via mais. Como eu, havia fugido.

Naquele momento afastei-me do guichê, simplesmente, balbuciando para que o vendedor esperasse um pouco. E num canto chorei. Chorava copiosamente. Uma mão tocou meus ombros, entrou-me um lenço e sua voz suave, falou perto dos meus ouvidos: – Pai, vamos para casa!


EDUARDO PRUGNER é Consultor em Marketing pessoal e empresarial para pequenas empresas, com especialização em Copywriting e Empreendedorismo.  Escritor, Editorialista e Palestrante. Consultor e sócio na Prugner’s Digital Marketing.– Informações sobre o tema pelo E-mail: eprugner@gmail.com.