Reportagem & Texto de Alethéa Mantovani / @aletheamantovani
Com 20 anos de carreira, Monique Alfradique vive uma nova fase profissional e pessoal. Conhecida por trabalhos na televisão, no cinema e no teatro, a atriz brasileira vem experimentando novas funções sem deixar a dramaturgia de lado. Nos últimos anos, a apresentação e a produção também passaram a fazer parte de sua trajetória, o que ampliou a sua participação nos processos de criação e nas decisões de cada projeto.
Monique acredita que amadurecer profissionalmente significa reconhecer a própria identidade, entender o que faz sentido para sua carreira e ter liberdade para experimentar. “Eu estou sempre em busca de desafios que façam sentido para a minha trajetória”, afirma.
Em 2020, a atriz teve uma experiência como apresentadora do programa “Mestre do Sabor”, da TV Globo, que despertou seu interesse por novos desafios diante das câmeras e pela criação de projetos. Em 2025, estreou como apresentadora e coprodutora de “Crush Animal”, do Multishow, ao lado de Pedro Ottoni, e de “Beach Life”, do canal E!. As experiências permitiram que participasse mais de perto dos processos de criação e desenvolvimento das produções.
A decisão de atuar como coprodutora também está ligada ao desejo de ter maior participação nas escolhas profissionais. Segundo a atriz, assumir funções nos bastidores foi uma maneira de desenvolver projetos mais alinhados ao seu estilo e aos seus interesses.
Na teledramaturgia, Monique também encarou novos desafios. Em “Êta Mundo Melhor!”, novela exibida entre 2025 e 2026, interpretou Tamires, personagem cheia de reviravoltas na trama assinada por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson. Para viver o papel, passou por uma transformação no visual e ficou ruiva pela primeira vez.
Após o final da novela, Monique voltou aos cabelos loiros para um novo projeto da Universal+, retomando uma aparência que, segundo ela, representa uma reconexão com sua identidade fora das telas. A experiência também reforçou sua reflexão sobre a relação entre televisão, imagem e cobrança estética.
Hoje, a atriz diz ter uma relação mais tranquila com a própria imagem. Ela reconhece que a pressão estética ainda existe, especialmente para mulheres que trabalham diante das câmeras, mas acredita que o conceito de beleza vem sendo repensado. “Eu sempre procuro cuidar de mim porque isso me faz bem, e não para corresponder à expectativa de alguém”, afirma.
Sua rotina de cuidados envolve alimentação equilibrada, atividade física, sono, cuidados com a pele e atenção à saúde mental. Monique também não descarta procedimentos estéticos, desde que estejam relacionados ao bem-estar e à valorização da própria beleza. “Acho que o mais importante é estar feliz com quem eu sou”, resume.
Quando o assunto é empoderamento feminino, Monique defende a liberdade de fazer as próprias escolhas. Para ela, ser uma mulher empoderada significa reconhecer o próprio valor, ocupar espaços com confiança e não abrir mão da essência para atender às expectativas externas. “Eu me considero uma mulher em constante construção”, afirma.
Essa visão também aparece quando o assunto é maternidade. O desejo de ser mãe está nos planos da atriz, mas ela prefere tratar o tema com tranquilidade, sem transformar a questão em uma corrida contra o tempo ou em resposta às expectativas da sociedade. “Cada mulher tem o seu tempo e a sua história, e não acredito que exista uma fórmula ou um momento perfeito”, enfatiza.
Com as redes sociais, a relação de Monique com o público também mudou. As plataformas aproximaram artistas e fãs, mas aumentaram a exposição e a possibilidade de críticas. A atriz gosta dessa proximidade, mas aprendeu a estabelecer limites. “As críticas construtivas fazem parte e podem até nos ajudar a evoluir. Já os comentários de ódio, eu procuro não alimentar. Hoje escolho preservar a minha saúde mental e direcionar a minha energia para aquilo que realmente importa”, diz.
As transformações da televisão brasileira também fazem parte das reflexões da atriz. O crescimento do streaming e as novas formas de consumo mudaram a relação do público com os conteúdos. Para Monique, reinventar-se não significa deixar de lado a televisão aberta. Ela acredita que TV e streaming podem coexistir e que a força da teledramaturgia continua nos personagens humanos e nas histórias capazes de criar identificação.A teledramaturgia brasileira continua sendo uma das melhores do mundo, com profissionais extremamente talentosos e histórias que conseguem emocionar, divertir e provocar reflexão”, afirma.
Com novos projetos mantidos em segredo, Monique prefere esperar o momento certo para revelar as novidades. Por enquanto, celebra a fase profissional que está vivendo e a possibilidade de continuar experimentando. “Estou muito feliz com esse momento da minha carreira!”
Confira, a seguir, a entrevista que Monique Alfradique concedeu à Linha Aberta.
LINHA ABERTA – A televisão brasileira vive um momento de grandes transformações, com a chegada do streaming, novas formas de consumo e mudanças no comportamento do público. Como você avalia a TV brasileira hoje, especialmente a teledramaturgia?
MONIQUE ALFRADIQUE – Hoje o público tem liberdade para escolher como, quando e onde quer assistir aos conteúdos, e isso faz com que a televisão também esteja se reinventando o tempo todo. Vejo a TV aberta e o streaming como plataformas que se complementam, cada uma com suas características e seu público. A teledramaturgia brasileira continua sendo uma das melhores do mundo, com profissionais extremamente talentosos e histórias que conseguem emocionar, divertir e provocar reflexão. Acho que o principal é acompanhar essas mudanças sem perder a essência do que sempre fez as nossas novelas serem tão especiais: personagens humanos e histórias que criam identificação com quem está do outro lado da tela.
LINHA ABERTA – Novelas como “Êta Mundo Melhor!”, da qual você fez parte do elenco recentemente, e outros remakes estão tendo grande repercussão e, muitas vezes, alcançando mais audiência e sucesso do que produções inéditas. Na sua opinião, por que o público tem se conectado tanto com histórias já conhecidas?
MONIQUE ALFRADIQUE – Acredito que existe um componente muito forte de memória afetiva. As pessoas gostam de revisitar histórias que marcaram uma fase da vida, mas também têm curiosidade para ver como elas ganham uma nova leitura, com outros olhares, tecnologias e interpretações. Ao mesmo tempo, boas histórias são atemporais. Quando um texto é bem escrito e trata de sentimentos universais, como amor, família, amizade e superação, continua fazendo sentido muitos anos depois. Foi muito especial fazer parte de “Êta Mundo Melhor!” justamente por perceber esse carinho do público e como essas histórias continuam despertando emoção em diferentes gerações.
LINHA ABERTA – O empoderamento feminino ganha cada vez mais espaço no debate público, mas ainda existem muitos desafios. Na sua opinião, o que significa ser uma mulher empoderada? Você se considera uma delas?
MONIQUE ALFRADIQUE – Para mim, ser uma mulher empoderada é, antes de tudo, ter autonomia para fazer as próprias escolhas e não abrir mão da essência para atender às expectativas dos outros. É entender o seu valor, ocupar espaços com confiança e, ao mesmo tempo, apoiar outras mulheres para que elas também possam crescer. Eu me considero uma mulher em constante construção. Ao longo da minha trajetória, fui aprendendo a confiar mais em mim, a respeitar meus limites e a celebrar minhas conquistas. Ainda existem muitos desafios, mas acredito que cada mulher que encontra a própria voz e incentiva outras a fazerem o mesmo contribui para uma transformação muito importante.
LINHA ABERTA – Como você lida com a pressão estética, especialmente sobre as mulheres que trabalham na televisão? Ainda existe muita cobrança?
MONIQUE ALFRADIQUE – A cobrança ainda existe, sem dúvida, mas sinto que estamos vivendo uma mudança importante. Hoje, existe um espaço muito maior para conversarmos sobre beleza de uma forma mais saudável e real. Eu sempre procuro cuidar de mim porque isso me faz bem, e não para corresponder à expectativa de alguém. A beleza está muito ligada à forma como nos sentimos, à nossa autoestima e ao nosso equilíbrio. Com o tempo, fui entendendo que é impossível agradar a todo mundo e que o mais importante é estar feliz com quem eu sou. Essa liberdade é muito valiosa.
LINHA ABERTA – Com uma rotina intensa, repleta de trabalhos e compromissos, quais os cuidados que você considera indispensáveis para manter a saúde e a beleza? Você é adepta dos procedimentos estéticos de última geração?
MONIQUE ALFRADIQUE – A beleza é consequência de um conjunto de hábitos. Procuro manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, dormir bem sempre que a rotina permite e cuidar da minha saúde mental, que faz toda a diferença. Também tenho bastante disciplina com os cuidados com a pele, principalmente porque a maquiagem faz parte do meu trabalho. Sobre procedimentos estéticos, gosto de tudo que possa contribuir para realçar a beleza. Hoje, a tecnologia oferece recursos incríveis para cuidar da saúde da pele, estimular a produção de colágeno e promover um envelhecimento mais saudável.
LINHA ABERTA – Você declarou recentemente que a maternidade está nos seus planos. Como tem lidado com esse desejo e com as expectativas em torno dessa questão?
MONIQUE ALFRADIQUE – Encaro com muita tranquilidade. Acho que cada mulher tem o seu tempo e a sua história, e não acredito que exista uma fórmula ou um momento perfeito. É uma decisão muito importante, que envolve amor, responsabilidade e também um alinhamento com os projetos de vida.
LINHA ABERTA – As redes sociais aproximaram os artistas do público, mas também trouxeram uma exposição muito maior. Como você vê essa interação direta com os seus fãs? Costuma acompanhar os comentários e como lida com as críticas e possíveis haters?
MONIQUE ALFRADIQUE – Eu gosto muito dessa proximidade que as redes sociais proporcionam. É um espaço onde consigo mostrar um pouco mais da minha rotina, dos meus trabalhos e também trocar carinho com as pessoas que acompanham a minha trajetória há tantos anos. Sempre que posso, leio os comentários e fico muito feliz com o retorno do público. As críticas construtivas fazem parte e podem até nos ajudar a evoluir. Já os comentários de ódio eu procuro não alimentar. Hoje, escolho preservar minha saúde mental e direcionar minha energia para aquilo que realmente importa.
LINHA ABERTA – Após tantos anos de carreira, que conselho você daria hoje para as mulheres que estão começando na televisão e precisam lidar, ao mesmo tempo, com as cobranças profissionais, a exposição pública e a pressão para se manterem sempre jovens e dentro de determinados padrões de beleza?
MONIQUE ALFRADIQUE – Diria para nunca perderem a essência. É muito fácil se comparar ou acreditar que é preciso se encaixar em determinados padrões, mas a autenticidade é um dos maiores diferenciais que alguém pode ter. Estudar, se preparar, ter disciplina e respeitar o próprio tempo faz toda a diferença. Quanto mais segura você estiver de quem é, mais preparada estará para enfrentar qualquer desafio.
LINHA ABERTA – Quais são os seus próximos projetos?
MONIQUE ALFRADIQUE – Estou muito feliz com esse momento da minha carreira. Tenho alguns projetos muito especiais vindo por aí, mas ainda não posso dar muitos detalhes. Estou ansiosa para poder compartilhar tudo no momento certo.

