O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta segunda-feira (1º) suas críticas à autonomia do Banco Central, um modelo que, segundo ele, favorece principalmente os interesses do mercado financeiro. Durante uma entrevista concedida a uma rádio na cidade de Feira de Santana, na Bahia, Lula destacou que a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 10,5% ao ano, é exagerada e prejudicial para a economia nacional.

Lula, em tom firme, afirmou: “Quem defende a autonomia do Banco Central é o mercado, que faz parte do Copom e decide sobre a meta de inflação e a política de juros. Durante o meu governo, Henrique Meirelles teve total independência para conduzir a política monetária sem interferência do presidente. No entanto, o atual cenário não reflete os desejos da nação. Não precisamos de uma política de juros altos neste momento, a inflação está sob controle.”

No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por interromper a série de cortes na Selic que vinha ocorrendo desde agosto de 2023, mantendo a taxa em 10,5% ao ano. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado, considerando fatores como a alta dos juros nos Estados Unidos e a percepção de aumento no risco fiscal do Brasil.

A trajetória recente da Selic incluiu uma sequência de sete cortes consecutivos, que reduziram a taxa de 13,75% em agosto do ano passado para os atuais 10,5%. A cada reunião, de agosto de 2023 a março de 2024, a Selic foi diminuída em 0,5 ponto percentual. Na reunião de maio, no entanto, a redução foi menor, de apenas 0,25 ponto percentual, refletindo um ritmo mais cauteloso nos ajustes monetários.

Apreciação da Inflação e Mudanças na Meta

Lula ressaltou a importância de manter a inflação sob controle, destacando que a manutenção de uma média de 3% foi recentemente aprovada. “Para mim, inflação baixa não é apenas um desejo, é uma obsessão. Isso garante maior poder aquisitivo para os trabalhadores e estabilidade para a economia”, afirmou.

Em uma medida recente, o presidente editou um decreto que modifica o sistema de metas de inflação do país. A partir de 2025, a meta será monitorada mensalmente, com base na variação da inflação dos 12 meses anteriores, em vez de um período fixo de janeiro a dezembro. A mudança visa tornar o acompanhamento da inflação mais dinâmico e alinhado com a realidade econômica do país.

Repercussões e Desafios Futuros

A autonomia do Banco Central, implementada em 2021, continua a ser um ponto de debate acirrado. Enquanto setores do mercado financeiro defendem a independência da instituição como essencial para a credibilidade da política monetária, críticos como Lula argumentam que essa configuração pode se distanciar das necessidades econômicas e sociais da população.

A manutenção da Selic em patamares elevados é vista por muitos como um freio ao crescimento econômico, dificultando a retomada robusta da atividade produtiva e o aumento do consumo. Para os próximos meses, a atenção estará voltada para as decisões do Banco Central e como elas irão impactar a economia brasileira em um cenário de desafios internos e externos.