A “big band” brasileira Gafieira Rio Miami teve um 2023 realmente espetacular. Sempre com apresentações lotadas para presenciar os 11 músicos sensacionais liderados pelo vencedor do Latin GRAMMY, baixista brasileiro e compositor Diogo Brown, a banda também lançou o álbum de estreia, Bring Back Samba, em maio passado. Disponível em todas as plataformas de streaming e com participações especiais de Jair Oliveira, Liz Rosa, Chico Pinheiro e o lendário João Donato (em uma de suas últimas gravações), o álbum recebeu ótimas críticas da imprensa americana, e também no Brasil, incluindo Portal G1 e a coluna do jornalista Mauro Ferreira no Globo. O primeiro videoclipe da banda, para a música “Nó Na Madeira”, rapidamente ganhou mais de 15 mil visualizações no YouTube poucos dias após seu lançamento. O vídeo chamou a atenção do The World, da PRX, um programa de rádio transmitido em rede nacional nos Estados Unidos, que fez uma reportagem sobre como uma orquestra de gafieira surgiu da comunidade brasileira em Miami.

No último ano a banda fez muitas apresentações ao vivo, incluindo no South Beach Jazz Festival, Adrienne Arsht Center, Arts Garage e também no prestigioso Faena Theater, sempre com lotação esgotada. Ao presenciar uma autêntica orquestra de gafieira, o público sempre fica encantado com a energia, com o suingue dos músicos e com a voz e simpatia da cantora Isa Duarte. “Não existe nada parecido com essa banda aqui em Miami – e não acho que exista em nenhum outro lugar fora do Brasil”, observa Gene De Souza, empresário da banda e produtor executivo do álbum. Como veterano apresentador de rádio em Miami (programa Café Brasil 88.9fm WDNA) e agente de shows de artistas como Marisa Monte, Djavan e Yamandu Costa, Gene tem uma vasta experiência apresentando música brasileira na América do Norte. “Quando vi um vídeo da banda ensaiando no quintal do Diogo, e ouvi os arranjos, o ritmo do samba, soube que aquilo era algo muito especial”, diz. Para o fundador Diogo Brown, a Gafieira Rio Miami é a realização de “uma ideia maluca que tenho há anos, um sonho. Até que um dia me ocorreu e eu disse: ‘OK, chega. Vamos começar.’ E aqui estamos.”

Gafieira é uma palavra que significa coisas diferentes. Um livro de referência musical diz que é “uma espécie de samba, dançado a dois”. Mas a gafieira também é um salão de baile onde, a partir do início do século 20, a classe predominantemente negra da periferia do Rio de Janeiro ia para curtir música ao vivo, principalmente samba, e praticar dança de casais. Naquela época, os músicos tocavam valsas, tangos e polcas nos eventos da classe alta branca e depois iam para as gafieiras para sambar. Logo depois que o som das “big bands”, então populares nos Estados Unidos, chegou ao Brasil, os músicos cariocas começaram a torná-lo brasileiro, combinando os metais com uma seção rítmica de samba. Isso virou o som da gafieira.
“Para mim, é um resgate cultural de algo que tínhamos nos anos 40 e 50”, diz Diogo Brown, fundador e diretor musical da Gafieira Rio Miami. “A gafieira acabou crescendo em popularidade e aceitação a ponto de ser levada aos grandes teatros e ao salão de baile do Copacabana Palace, o grande hotel de luxo da praia de Copacabana. Cada salão de dança e bar da cidade tocava essa música. E então, na década de 1980, a popularidade foi diminuindo e as orquestras acabando. Minha ideia é trazer de volta o som da gafieira — com um toque moderno.”

Brown, que ganhou seu Latin GRAMMY em 2021 como músico no álbum Brasil 305 de Gloria Estefan, sabia que precisava de uma banda especial para tocar esses arranjos, então ele chamou os melhores músicos de Miami para ajudar a montá-la. Os 11 integrantes da Gafieira Rio Miami incluem alguns dos melhores músicos e solistas do sul da Flórida. “Metade da banda é brasileira — a seção rítmica, a cozinha, — e a outra metade, a seção de sopros, é bastante internacional”, observa Brown, que “Temos músicos da Venezuela, Cuba e Estados Unidos, o que dá à música uma mistura de sabores, culturas e ideias.” Nos vocais tem a potente e belíssima voz de Isa Duarte, natural do Rio Grande do Norte, que abraçou a gafieira e encanta o publico com sua presença de palco.

Os arranjos requintados de Ricardo Gilly são uma parte crucial das apresentações ao vivo e também do álbum Bring Back Samba. Gilly, um editor musical, violonista e arranjador baseado no Rio de Janeiro, escreveu arranjos para grandes artistas brasileiros, incluindo Chico Buarque, Edu Lobo, Djavan e Guinga. Para a Gafieira Rio Miami, ele capta o som e a sensação das clássicas bandas de gafieira, mas as carrega com um toque contemporâneo. Sofisticada, mas também popular e acessível, a Gafieira Rio Miami tem grandes planos para 2024, incluindo a gravação do segundo álbum com lançamento previsto para o mês de maio. Além disso haverá muitas apresentações na Florida, mas também em outras cidades do Estados Unidos.

O ano vai começar com um grande espetáculo no Pinecrest Gardens, um dos principais palcos do jazz da região de Miami. A banda pretende estrear canções novas e também incluir dançarinos de gafieira nessa primeira apresentação do ano. “Estamos realmente muito animados para 2024, com a gravação do segundo álbum, e também muitos shows na agenda. Vai ser incrível espalhar a nossa gafieira pelo mundo afora. Vamo que vamo!” exalta Diogo Brown.

Próximo show:
26 de janeiro, 2024 – 8pm
Pinecrest Gardens, 11000 Red Rd, Pinecrest, FL 33156
Ingressos: (305)669-6990 –
PinecrestGardens.org . Para mais informações siga a banda nas redes sociais @gafieirariomiami e visite o site GafieiraRioMiami.com.