Estatísticas globais têm demonstrado que mulheres mais jovens estão sendo diagnosticadas com câncer, especialmente o de mama, precocemente. Historicamente, cerca de 2% dos casos ocorriam em mulheres abaixo de 35 anos, entretanto, em alguns países, incluindo o Brasil, agora esse número chega a 5%. É um fato que esse percentual vem aumentando, embora ainda não tenhamos estudos aprofundados que possam esclarecer esse aumento.

O câncer de mama em mulheres jovens é uma preocupação, pois pode ser mais agressivo e ser diagnosticado em estágios mais avançados. Mulheres jovens com a doença têm fatores únicos a serem considerados, como predisposição genética, possibilidade de menopausa prematura, questões relacionadas à sexualidade e fertilidade, além de alterações no ambiente familiar, incluindo a criação dos filhos, sua educação e carreira. É importante que mulheres jovens estejam cientes dos sinais e sintomas e realizem exames preventivos regularmente, como o autoexame mensal dos seios e exames clínicos anuais com um médico (podendo ser semestrais, dependendo do histórico familiar).

O autoexame e os exames regulares são fundamentais para a detecção precoce e o tratamento eficaz.O diagnóstico de câncer de mama em mulheres jovens geralmente envolve uma combinação de exames clínicos, como exame físico e avaliação do histórico médico, juntamente com exames de imagem, como mamografia, ultrassonografia e, em casos selecionados, ressonância magnética.

Além disso, a biópsia é frequentemente necessária para confirmar o diagnóstico, onde uma amostra de tecido é retirada para análise laboratorial.É fundamental que mulheres procurem atendimento médico imediatamente caso notem quaisquer alterações suspeitas em seus seios. O tratamento do câncer de mama em mulheres jovens depende de vários fatores, incluindo o estágio da doença, características específicas do tumor e saúde geral da paciente.

As opções de tratamento podem incluir cirurgia para remover o tumor (como mastectomia ou lumpectomia), radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e terapia-alvo. O plano de tratamento é individualizado e geralmente envolve uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde, como oncologistas, cirurgiões, radiologistas, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. O objetivo é proporcionar o melhor resultado possível, com o menor impacto possível na qualidade de vida da paciente.Embora nem todos os casos de câncer de mama possam ser prevenidos, existem medidas que as mulheres jovens podem adotar para reduzir o risco. O estilo de vida pode influenciar o risco de desenvolver câncer de mama em mulheres jovens de várias maneiras:

Amamentar: A amamentação pode reduzir o risco de câncer de mama, especialmente se for praticada por longos períodos;

Evitar terapia de reposição hormonal (TRH): Se possível, evitar ou limitar o uso de TRH, especialmente em doses elevadas ou por longos períodos;

Conhecer o histórico familiar: mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou genes de susceptibilidade devem discutir opções de triagem e prevenção com seus médicos;

Alimentação saudável: consumir uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis, e limitar o consumo de alimentos processados e ricos em gordura saturada pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama;

Atividade física: segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), é recomendado que as mulheres pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade aeróbica vigorosa por semana, ou uma combinação equivalente a ambos. Essa recomendação pode incluir caminhada rápida, corrida, ciclismo, natação, dança, entre outras atividades aeróbicas que elevem a frequência cardíaca e promovam o condicionamento físico;

Consumo de álcool e tabagismo podem afetar os níveis hormonais e o sistema imunológico, potencialmente aumentando o risco de câncer de mama. Organizações de saúde, como o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a American Cancer Society, aconselham as mulheres a limitarem o consumo de álcool a uma bebida por dia, ou até mesmo a evitarem completamente o consumo de álcool, se possível. Quanto mais álcool uma pessoa consome, maior é o risco, portanto, a moderação ou a abstinência do consumo de álcool pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama.

Manter um peso saudável: mulheres que estão acima do peso ou obesas têm um risco aumentado de desenvolver câncer de mama, especialmente após a menopausa. Isso ocorre porque o tecido adiposo produz hormônios, como o estrogênio, que podem estimular o crescimento de células de câncer de mama. Além disso, o excesso de peso também está relacionado a uma série de outros fatores de risco para o câncer, como resistência à insulina e inflamação crônica;

Controle do estresse e equilíbrio psicoemocional: também desempenham um papel importante na saúde geral e podem ajudar na prevenção do câncer de mama;Espiritualidade: pode desempenhar um papel significativo no equilíbrio psicoemocional e até social das pessoas. A conexão com uma fé ou crença espiritual pode ajudar a reduzir o estresse, promover a resiliência emocional e fornecer um senso de propósito e direção. Incorporar práticas espirituais, como oração, meditação, ou simplesmente encontrar conforto na crença em algo maior, pode ajudar as pessoas a enfrentarem os desafios emocionais impostos no dia a dia e até pela própria doença. Entretanto, é importante notar que a espiritualidade é uma questão pessoal e que cada indivíduo pode encontrar conforto.

A crença em algo maior pode ajudar as pessoas a enfrentarem os desafios emocionais do dia a dia e até mesmo os impostos pela própria doença. É importante notar, entretanto, que a espiritualidade é uma questão pessoal e que cada indivíduo pode encontrar conforto de maneiras diferentes.

As estatísticas e a ciência têm apontado cada vez mais para o fato de que modificações no ambiente podem influenciar significativamente o processo de adoecimento e até na expressão genética do indivíduo. Recentemente, tem-se falado muito sobre como a epigenética influencia a expressão gênica. A epigenética refere-se a mudanças na expressão gênica que ocorrem sem alterar a sequência de DNA subjacente.

Essas modificações podem influenciar como os genes são ativados ou desativados, afetando assim o funcionamento das células e dos organismos. Esses processos epigenéticos podem ser influenciados por fatores ambientais, estilo de vida e até experiências pessoais, e têm sido associados a uma variedade de condições de saúde, incluindo câncer, doenças cardíacas e distúrbios neurológicos, entre outros. Desse modo, fica cada vez mais evidente que nem toda informação ou tendência genética presente ao nascer será necessariamente expressa ao longo da vida. O estilo de vida, as escolhas e o comportamento sociocultural influenciam significativamente o processo de adoecimento.

O “preenchimento de vazios existenciais”, discutido há tantos anos por humanos, incluindo filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Nietzsche e Sartre, bem como a busca por direção, senso de pertencimento e de propósito, equilíbrio e a busca pela felicidade, parecem ser temas tão antigos quanto atuais e necessários para diminuir a incidência de cânceres e manter a saúde em bom estado.

Dra. Vanessa Leal

Medica Mastologista

CRM 16916/PE | RQE 4783