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Desde 2020, o preço do azeite de oliva subiu significativamente, transformando-o em um item de luxo globalmente. No Brasil, essa valorização é evidente com a adoção de medidas de segurança nos supermercados, como lacres antifurto, geralmente reservados para produtos de alto valor, segundo informações da Folha.

A surpresa é grande para quem via o azeite como um ingrediente comum. Nas redes sociais, proliferam imagens de garrafas lacradas, embora essa prática de segurança ainda não seja uma política oficial das redes varejistas.

Relatos sobre essa medida de segurança começaram em 2022, observados em supermercados de São Paulo e Vitória, e também no Rio de Janeiro, onde os lacres foram vistos em diversas lojas.

Até na Espanha, maior produtor mundial de azeite, os supermercados adotaram medidas extremas, como trancar as garrafas com correias e cadeados. O preço médio das garrafas na Espanha subiu para 14,5 euros, refletindo um aumento de 150% em dois anos.

No Brasil, o IPCA registrou um aumento de 44,23% no preço do azeite desde 2020, com um salto de 24,7% apenas no último ano, conforme dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O aumento nos preços resultou em mais furtos e operações para apreender azeites falsificados ou impróprios para consumo. O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil interceptou uma grande quantidade de azeite falso da Argentina, e a Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou uma fábrica clandestina de óleo de cozinha.

Até as receitas tradicionais estão sendo adaptadas. Restaurantes portugueses e espanhóis estão reinventando seus cardápios ou aumentando os preços. Durante a Páscoa, o bacalhau, que antes era o item mais caro, agora é ofuscado pelo alto custo do azeite.

Segundo Felippe Serigati, economista e pesquisador da Fundação Getulio Vargas, as condições climáticas adversas afetaram a produtividade das oliveiras em países produtores chave como Portugal, Espanha, Itália e Grécia.

A expectativa é que os preços do azeite não retornem aos níveis anteriores em breve. As oliveiras, sendo culturas permanentes, demoram a se recuperar de danos sofridos em safras anteriores, o que significa que o preço elevado do azeite pode persistir por mais tempo.