Utilizando uma tecnologia “inovadora” que se fundamenta na medição do campo magnético presente em tijolos queimados, pesquisadores de quatro universidades israelenses confirmaram a veracidade de um evento mencionado no Segundo Livro dos Reis da Bíblia: a conquista da cidade filisteia de Gate por Hazael, o rei de Arã.

A descoberta, conduzida por cientistas da Universidade de Tel Aviv (TAU), da Universidade Hebraica de Jerusalém (HU), da Universidade Bar-Ilan (BIU) em Ramat Gan e da Universidade Ariel em Samaria, além de permitir aos arqueólogos identificarem materiais queimados encontrados em escavações, permitirá que eles estimem as temperaturas de queima desses artefatos.

“Nossas descobertas são importantes para determinar a intensidade do incêndio e o escopo da destruição em Gate – a maior e mais poderosa cidade do país na época – e também para compreender as práticas de construção na região”, escreveram eles na revista PLOS ONE sob o título “Aplicando desmagnetização térmica a materiais arqueológicos: uma ferramenta para detectar argila queimada e estimar sua temperatura de queima”.

Aplicando o seu método às descobertas da antiga Gate (Tell es-Safi, situada entre as cidades de Ashkelon e Beit Shemesh, no centro de Israel), os pesquisadores confirmaram a veracidade do relato bíblico que descreve: “Então subiu Hazael, rei da Síria, e pelejou contra Gate, e a tomou; depois Hazael resolveu marchar contra Jerusalém” (2 Reis 12:17).

Os cientistas explicam que, ao contrário dos métodos anteriores, a técnica de agora pode determinar se um item como um tijolo de barro foi queimado mesmo em temperaturas relativamente baixas, a partir de 200°C. Esta informação pode ser determinante para interpretar corretamente os resultados.

As argilas são ricas em minerais de ferro magnético, dependendo da geologia específica do local. Porém, é uma característica comum a todos os minerais argilosos contendo ferro o fato de que, ao serem aquecidos a temperaturas variando de cerca de 150°C a 700°C, passam por uma transformação em minerais ferrimagnéticos estáveis, tais como magnetita, maghemita e hematita.

O estudo multidisciplinar foi liderado pelo Dr. Yoav Vaknin, do Instituto Nadler de Arqueologia da Faculdade de Humanidades Entin da Universidade de Tel Aviv (TAU) e do laboratório paleomagnético da Universidade Hebraica de Jerusalém (HU).

Outros colaboradores incluíram o Prof. Ron Shaar, do Instituto de Ciências da Terra da HU; o Prof. Erez Ben-Yosef e o Prof. Oded Lipschits do Instituto TAU; o Prof. Aren Maeir do Departamento de Estudos Martin (Szusz) Terra de Israel da Universidade Bar-Ilan (BIU); e o Dr. Adi Eliyahu Behar do Departamento de Estudos e Arqueologia da Terra de Israel da Universidade Ariel, assim como o seu Departamento de Ciências Químicas.