sensus
Lytron
My Partner
Census
Sebrae

Tania Khalill

FOTO: DIVULGAÇÃO

A ATRIZ FALA SOBRE O PROJETO “PALCO DA VIDA” PARA MULHERES 40+ A PARTIR DA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA

Texto de ALETHÉA MANTOVANI
@aletheamantovani

A atriz Tania Khalill, 45 anos, está empenhada numa empreitada diferente daquela que o público estava acostumado a vê-la no horário nobre da TV. Ela criou, a partir da sua própria história e experiência, o projeto “Palco da Vida”, nos Estados Unidos, voltado às mulheres 40+ para que estas possam se reinventar, ressignificar e serem as protagonistas das suas próprias trajetórias – algo muitas vezes difícil de acontecer pois várias delas, nessa faixa etária, estão mais voltadas à família, aos problemas da casa e acabam deixando as suas vontades e planos em segundo lugar. “O ‘Palco da Vida’ surgiu da minha própria experiência de buscar ferramentas que tivessem a ver com o meu processo de desenvolvimento pessoal, dessa necessidade de olhar para a minha história, de rever e reescrever essa metade da vida que teoricamente eu ainda tenho” – conta.

De acordo com uma pesquisa realizada por Tania, que também é formada em Psicologia, juntamente com a pesquisadora da TV Globo, Cíntia D’ Auria, mulheres de diversas classes sociais, etnias e diferentes estados civis, estão em movimento de mudança da mente, do corpo, das ideias e dos espaços que desejam ocupar no tempo que elas têm pela frente. “Observamos que muitas mulheres dessa faixa etária, assim como eu, desejam se reinventar e muitas vezes encontram dificuldade, pois durante a metade da vida elas funcionaram e almejaram aspectos que já não trazem mais sentido. Foi então que surgiu, nesse meu movimento de reinvenção, o desejo de me aprofundar e de unir a arte, o estudo do corpo como ‘veículo’ físico e o energético, com a Psicologia, que é a área da minha formação. Assim nasceu o primeiro workshop ‘Palco da Vida’!” – afirma a atriz que ainda completa, “Ele é a união da Psicologia e do teatro, valorizando o agora, a vida em sua meia idade, esse novo tempo, um manifesto que serve como cura, uma teia de apoio entre as mulheres”.

A artista, que vive nos Estados Unidos há cinco anos com a família – o marido Jair Oliveira, 47 anos, e as filhas Isabella, 15, e Laura, 11 – inicialmente em Nova Iorque e mais recentemente em Miami -, conta que a mudança para o país a fez utilizar as artes cênicas de outra maneira. Ela passou a estudar as técnicas de teatro que também são de cura, de transformação energética, física e de padrão de pensamento. “Chegar aos 40 anos foi um portal com uma placa bem grande na entrada dizendo: ‘Pare! Olhe para dentro!’” – diz.

TANIA KHALILL COM O MARIDO JAIR OLIVEIRA E AS FILHAS LAURA E ISABELLA FOTO: CAROLINE BIAZOTTO

Atualmente, ela está desenvolvendo o “Palco da Vida” na Flórida, com a atriz e yoga terapeuta Sandra Flores e tendo um retorno excelente. “Nós estamos fazendo um trabalho incrível com as mulheres na Flórida e isso tem sido muito enriquecedor. Aqui, muitas delas mudam para acompanhar os maridos, para preservar a família e os filhos, e deixam as profissões e as suas histórias” – enfatiza. Sobre a vida nos Estados Unidos, Tania afirma que adora viver no país, apesar de ter que ficar longe da família e de ter tido que se afastar do trabalho – fato bastante questionado por seus fãs nas redes sociais. “Eu adoro morar aqui. O ponto negativo é ficar longe da minha família, além de ‘abrir mão’ de muita coisa, como do meu trabalho por exemplo. Apesar disso, esse abrir mão me possibilitou como se fosse receber a ‘mão do universo’ para outro aspecto da minha vida que não só trabalhar. Eu me sinto muito presenteada, mas no começo foi muito desafiador” – conta.

Confira a seguir a entrevista que Tania Khalill concedeu à Linha Aberta.

1- LINHA ABERTA – Como surgiu a ideia do projeto “Palco da Vida”, voltado às mulheres acima dos 40 anos?

TANIA KHALILL – A ideia do projeto no “Palco da Vida” surgiu da minha própria experiência de buscar ferramentas que tivessem a ver com o meu processo de desenvolvimento pessoal. Eu sou formada em Psicologia e sempre segui estudando. Com a minha mudança para os Estados Unidos, eu comecei a estudar técnicas de teatro que são também técnicas de cura, de transformação energética, física e de padrão de pensamento. Chegar aos 40 anos foi um portal com uma placa bem grande na entrada dizendo: “Pare! Olhe para dentro!”. Isso sempre fez parte da minha vida, pois eu sou filha de psicólogos, mas veio de uma outra maneira. Olhar para dentro, olhar para a minha família e para o meu trabalho, que não parava nunca, que só viajava, que estava sempre atrás de histórias para contar. Mas, a minha própria história estava com pouco tempo. Então, o “Palco da Vida” surgiu dessa necessidade de olhar para a minha história, de rever e reescrever essa metade da vida que, teoricamente, eu ainda tenho.

2- LINHA ABERTA – Em quais aspectos o projeto irá ajudar as mulheres que estão nessa faixa etária e de que maneira?

TANIA KHALILL – Ajuda, antes de tudo, por estar presente, conectar com os sentimentos, observar que nós somos responsáveis e temos imensas chances de ressignificar inúmeros aspectos da nossa vida emocional. A gente tem que trazer essa responsabilidade num bom sentido, está em nossas mãos a chance de instalar a energia, a frequência do que a gente quer viver em nosso dia a dia, em nosso cotidiano, em nossas relações mais profundas e simples. No “Palco da Vida” a gente aprende as ferramentas dessa junção de psicologia, teatro, psicodrama, mindfulness e meditação.

3- LINHA ABERTA -Você mora há alguns anos nos Estados Unidos já deve ter certa percepção sobre as iniciativas do país voltadas às mulheres dessa faixa etária. As oportunidades são maiores na América do Norte? E no Brasil, como está a questão da representatividade das mulheres nessa faixa etária?

FOTO: DIVULGAÇÃO

TANIA KHALILL – Eu moro nos Estados Unidos faz cinco anos, antes estava em Nova Iorque, agora em Miami. Eu estou fazendo um trabalho incrível com as mulheres na Flórida e que tem sido muito enriquecedor, em parceria com a Sandra Flores, que é uma outra atriz e yoga terapeuta, e o retorno está sendo excelente. Aqui, muitas delas mudam para acompanhar os maridos, para seguir histórias que teoricamente não são a delas e com isso perdem a conexão consigo mesmas. Além disso, elas também vêm para preservar a família e os filhos, mas muitas deixam as profissões e as suas histórias. É um momento muito importante de ressignificar e é uma teia de apoio e comunhão que o feminino faz no exterior e que é muito lindo. Essa ajuda não importa a quem seja e, na verdade, o mais lindo na vida é quando a gente pode estender a mão para muitos e criar essa rede de apoio.

Aqui nos Estados Unidos, o movimento em relação ao etarismo, envelhecimento e amadurecimento está mais avançado do que no Brasil, que começa a ter uma representatividade um pouco maior. Esses dias uma atriz brasileira, acho que foi a Malu Galli, falou que não tem espaço para velho na TV, porque temos 1,2,3 personagens ao passo que as histórias contadas por mulheres jovens, até os 30, são muitas. É como se ao envelhecer e amadurecer a gente parasse de ter histórias interessantes. Eu tenho sentido cada vez mais na minha vida que é nessa faixa etária que a gente passa a ter histórias interessantes, porque as reflexões são de outro nível, pois aquietamos em algum sentido. Então, as possibilidades internas e de relações profundas e verdadeiras começam a aparecer com outra complexidade.

4- LINHA ABERTA – Quais são as iniciativas que as mulheres devem ter para conseguir maior representatividade neste período da vida? O que elas podem fazer para mudar esse cenário?

TANIA KHALILL – Não tem uma receita de bolo, mas é claro que quanto mais firme nós estivermos, as nossas histórias serão mais incríveis para ser contadas, olhadas, serão melhores, ou seja, no momento que, individualmente, as mulheres maduras decidem escolher por si e não deixam o tempo e a vida escorrerem pelas mãos. Agora, achar que não é possível começar uma história nova, que não dá inventar uma nova profissão ou estudar, que não dá para conhecer um novo alguém, fazer novos amigos, ou seja, se a gente ficar nesse vitimismo aí dançou. Agora, individualmente, cada uma fortalecendo os seus aspectos de que sempre é tempo, afinal o tempo é lindo, primoroso. Em cada minuto da nossa vida, essa junção de mulheres sentindo assim vai começar a ser representativa, afinal não adianta esperar de fora, tem que começar de dentro e isso vai ecoar fora.

5- LINHA ABERTA – Como surgiu a parceria com a pesquisadora Cínthia D’ Auria?

TANIA KHALILL – A Cíntia me ajudou muito no processo de pesquisa, pois é uma grande pesquisadora. Nós fizemos pesquisa com muitas mulheres para conseguir desenvolver temas e ouvi-las. São mulheres de classes sociais diferentes, de lugares diferentes, mulheres com histórias muito diferentes, casadas, solteiras, mães, não mães, com todo tipo de relacionamento afetivo. Nós fizemos uma pesquisa grande para desenvolver esse trabalho.

FOTO: DIVULGACÃO

6- LINHA ABERTA – Para uma mulher estrangeira que vive nos Estados Unidos, a representatividade pode ser ainda menor? Como você percebe essa questão durante os anos que está vivendo na América?

TANIA KHALILL – Aqui nos Estados Unidos a representatividade é ainda maior. As atrizes de 45, 50,60 e 70 anos se posicionam com mais clareza quanto a terem lindas histórias para contar.

7- LINHA ABERTA – Você gosta de viver nos EUA? Quais são os pontos positivos e os negativos de viver num país estrangeiro de Primeiro Mundo?

TANIA KHALILL – Eu adoro morar aqui. O ponto negativo é ficar longe da minha família, além de abrir mão de muita coisa, como do meu trabalho por exemplo. Apesar disso, esse abrir mão me possibilitou como se fosse receber a “mão do universo” para outro aspecto da minha vida que não só trabalhar. Eu me sinto muito presenteada, mas no começo foi muito desafiador reinventar o meu trabalho, conhecer os diretores novos, buscar um visto de imigrante e o visto de trabalho. Agora, porém, eu me sinto muito fortalecida por essa jornada e o “Palco da Vida” me revigora incrivelmente, pois traz ferramentas tão incríveis do teatro, de autoconexão, de observação do próprio corpo, principalmente por trazer voz para esse feminino de um jeito profundo e leve. Esse feminino muitas vezes sufocado, abafado, aquietado, mesmo nos dias de hoje com tanta contemporaneidade e modernidade.

8- LINHA ABERTA – Você é uma atriz muito querida do público e já está afastada da telinha há algum tempo. Existe alguma possibilidade de volta às novelas? Você tem recebido convites? Há algum projeto para o ano que começa?

TANIA KHALILL – Eu agradeço por você dizer que eu sou querida pelo público. Eu tenho recebido convites, mas no momento a novela não fecha aqui para mim porque eu fiz essa escolha de acompanhar as minhas filhas nessa jornada. Depois que a Isa fez 10 anos e eu 40, falei que queria vê-las crescerem. E eu não quero ficar vendo às vezes, porque essa é a realidade do artista, ainda mais eu que morava em São Paulo e trabalhava no Rio. Então, eu resolvi que pretendo estar perto delas.

TANIA KHALILL COM O MARIDO JAIR OLIVEIRA E AS FILHAS LAURA E ISABELLA FOTO: CAROLINE BIAZOTTO

Os meus próximos projetos aqui são voltados para o “Grandes Pequeninos”, pelo qual a gente está desenvolvendo uma nova leva de filmes. Para mim é um projeto infantil diferente de todos os que existem, pois é cheio de propósito, a música é incrível! Eu sou suspeita para falar, mas o Jair foi indicado até ao Grammy com esse disco infantil que é lindo, as músicas são de extrema qualidade. Nós estamos conversando com alguns streamings para fazer essa próxima temporada. Ele agora está no Amazon Prime, mas já esteve no Netflix. É um projeto muito lindo e estamos escrevendo as próximas músicas.

Tem o meu projeto que é o no “Palco da Vida” e o “Ser”, que é um outro tipo de experiência, e ambos estão cumprindo aqui a minha paixão. Eu fiz também uma série no Brasil há poucos meses, que deve ser lançada no Disney+. Porém, eu ainda não tenho os detalhes.

Share

Related posts