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Catia Fonseca: Entrevista

Texto de ALETHÉA MANTOVANI
@aletheamantovani

A APRESENTADORA FAZ UMA ANÁLISE DA TV BRASILEIRA, FALA SOBRE A PARCERIA COM O MARIDO RODRIGO RICCÓ E A POSSIBILIDADE DE COMANDAR UM PROGRAMA NO EXTERIOR

Se analisarmos as principais apresentadoras brasileiras da atualidade, podemos dizer que Catia Fonseca, 53 anos, é uma das mais queridas e experientes para falar sobre a TV e tudo aquilo que a norteia. Isso porque ela tem uma bagagem ampla sobre o assunto, afinal são 28 anos de uma trajetória impecável na telinha, à frente de programas femininos em diversas emissoras.

Agora ela está no comando do “Melhor da Tarde”, na BAND, uma atração que tem ótimos índices de audiência para o horário, além de diversos patrocinadores que vieram junto com a apresentadora. E não é à toa que ela foi apelidada de Rainha do Merchandising”. Mas, qual será o motivo que tornou Catia uma das apresentadoras mais amadas pelo público brasileiro?

Além do carisma e simpatia, itens que ela tem de sobra, o alto astral, o bom humor e a descontração são características que logo despontam quando falamos da estrela das tardes da BAND. Ah, e tem ainda a versatilidade e o jogo de cintura, que são importantes para o comando de um programa diário e ao vivo. E, se não bastasse tudo isso, Catia ainda passa muita credibilidade e sinceridade ao telespectador, e demonstra a sua opinião até mesmo na fisionomia. Ela não consegue esconder se não está gostando de algo, seja uma reportagem, notícia, receita ou até mesmo um produto.

O público por sua vez consegue captar tudo isso. “Hoje o público percebe as nuances do que você está dizendo, se é verdade ou não. Se a gente está meio triste, eles sabem pelo olhar” – conta.

Ao ser questionada sobre as redes sociais, Catia afirma que é exatamente igual por lá quanto na vida real, pois se fosse o contrário o público logo saberia. “Elas irão te atrapalhar se você se posicionar de uma forma diferente daquela que as pessoas te conhecem. Comigo isso não acontece porque eu seria uma péssima atriz” – conta.

Sobre a TV brasileira, ela é enfática e muito direta ao dizer que atribui o seu sucesso por estar fazendo aquilo que acredita e por ser real com o seu público. E diz ainda, que não se deve fazer de tudo pela audiência. “Não vale tudo em função da audiência porque hoje isso é muito diferente do que era antigamente. Você tem a audiência, mas a perderá não só amanhã, mas muitas vezes de uma forma definitiva” – destaca.

Ao ser questionada sobre a parceria com o marido e diretor do seu programa, Rodrigo Riccó, Catia diz que vira uma chavinha quando eles estão trabalhando e assim, ambos não misturam a vida pessoal com a profissional. “Eu sou a apresentadora e ele é o diretor, ele não é o meu marido e eu não sou a esposa dele. Então, eu acho que isso é muito importante, pois cada um respeita o espaço do outro e a gente não mistura as coisas” – enfatiza.

Sobre a ideia de apresentar um programa no exterior, ela conta que gostaria de fazer um em cada lugar, para mostrar a cultura de outros povos. Acompanhe a entrevista que Catia Fonseca concedeu à Linha Aberta Magazine.

LINHA ABERTA – Você está há muitos anos na TV brasileira, sempre com muita audiência e atraindo diversos patrocinadores, graças à sua credibilidade. Foi difícil estabelecer essa confiança num tempo onde a concorrência é cada vez maior? A que você atribui o seu excelente desempenho na TV?

CATIA FONSECA – Foi realmente difícil estabelecer essa confiança num tempo

de concorrência tão grande. Eu acho que, acima de tudo, a gente tem que ser real e fazer aquilo que acredita, e eu sou muito isso. Se eu faço o anúncio de um produto é porque eu acredito nele ou caso contrário não irei fazer. Hoje, mais do que nunca, as pessoas acham que a distância é muito grande de quem está no ar para quem assiste, e isso é bem o oposto. A gente percebe que as pessoas sentem na sutileza do nosso olhar quando estamos bem ou não. Então, se eu não sou real e sincera com aquilo que eu estou fazendo as pessoas percebem. Eu atribuo esse excelente desempenho na TV justamente a isso, por eu ser eu mesma. Sabe aquela história de você não querer ser uma coisa que não é? E às vezes isso pode te colocar numa saia justa porque é uma cara feia que eu faço ou alguma meio engraçada. Eu pareço o Máscara! Por mais que eu aplique toxina botulínica e tudo mais (risos), eu não gosto de paralisar a feição porque é justamente isso, as pessoas me conhecem também pelas caras que eu faço, muitas vezes sem que eu perceba. Então, eu acho que a concorrência também faz o seu melhor o tempo inteiro e, por isso, você deve fazer aquilo que acredita.

LINHA ABERTA – Qual a sua opinião sobre os programas atuais da TV brasileira? Existe conteúdo de fato ou eles são feitos mais em função da audiência e deixam a desejar?

CATIA FONSECA – Eu acho que hoje em dia é difícil a gente analisar isso porque existe uma gama muito grande de streamings, TV a cabo e canais abertos. Então, eu acho que cada um faz aquilo que acredita e que irá atingir o seu público, e por isso você deve conhecê-lo. Algumas coisas são feitas em função da audiência, mas se você sabe que o teu público não gosta de determinado assunto você não coloca . A gente também faz isso. Agora, não que vale tudo em função da audiência, porque hoje isso é muito diferente do que era antigamente. Você tem a audiência, mas a perderá não só amanhã, mas muitas vezes de uma forma definitiva. Então, a gente segue uma linha de acordo com o que sabemos sobre o público do “Melhor da Tarde”.

LINHA ABERTA – Qual o estilo de programa que você gosta de assistir na TV? Quais são eles?

CATIA FONSECA – Nossa, eu gosto de assistir tanta coisa! Um programa leve e divertido, assim como é o do Fábio Porchat, que é engraçado e muito doidão. Eu adoro gente assim! Eu também gosto do Marcos Mion porque ele é maravilhoso! Eu sempre gostei muito do jeito dele, alegre e pra cima. Eu gosto de assistir ao Faustão, que também acaba sendo ele mesmo e fala umas coisas que a gente diz: “Meu Deus, só ao Faustão cabe isso!”, e eu curto esse tipo de coisa, acho legal. Eu gosto de assistir ao Datena, e veja… eu acabei de dizer que gosto de programa leve, mas ele imprime um jeito para falar das coisas que faz a gente pensar e repensar sobre algumas situações que estão acontecendo, como a gente pode se posicionar e eu curto isso. Eu gosto de assistir a alguma coisa que me dê um estalo, sabe? Que vire a chavinha. Eu adoro assistir reality show, o que estiver no ar eu acompanho e gosto, porque é um jeito para você conhecer as pessoas, se imaginar como faria e o motivo pelo qual nós não agradaríamos os outros.

LINHA ABERTA – Hoje os programas investem em alta tecnologia, têm muitos recursos inexistentes há 20 ou 30 anos, além de uma maior interatividade com o público. Porém, isso não é certeza de sucesso e audiência. Na sua opinião, o público atual prefere formatos mais simples, ou seja, que tenham o olho no olho do apresentador, por exemplo, ao invés de tanta modernidade?

CATIA FONSECA – Eu acho muito louco isso, hoje a situação é outra. Quando essa tecnologia toda chegou, a gente queria usar e abusar de tudo. E eu acho que hoje, se a gente prestar atenção, nós estamos voltando aos programas mais reais. Tudo bem, cabe num filme ou numa série? Cabe num efeito? Cabe! Mas, no dia a dia fica cansativo. Então, eu acho que hoje as pessoas buscam o que parece ser mais simples, porém mais difícil de fazer. É prender as pessoas pelo conteúdo e a forma como você coloca aquele assunto. Eu acho que certeza de sucesso e audiência hoje em dia a gente não tem, mas estamos voltando ao tempo para assistirmos pelas pessoas e pela forma como elas trabalham e agem. A Hebe, por exemplo, a gente assistia por ela mesma. Via pelos convidados também? Sim, mas normalmente a gente assistia por causa dela. Então, eu acho que hoje a gente assiste mais porque quer, e o olho no olho que você falou é o que faz a diferença.

LINHA ABERTA – Fazer um programa ao vivo não é para qualquer pessoa, precisa ter muito jogo de cintura e inteligência emocional para lidar com diversas situações e saber improvisar. Você já passou algum momento muito complicado ao vivo, uma “saia justa” por exemplo?

CATIA FONSECA – Você aprende a fazer o programa ao vivo quando não tenta controlar tudo ou caso contrário não dará certo. Às vezes temos que estar mais atentos e talvez a gente se canse mais por conta disso. Você fica numa adrenalina constante, mas aprende a ter jogo de cintura. Algumas vezes já pegou fogo no refletor do estúdio que eu estava apresentando o programa, a panela explodiu e/ou tivemos animais que fizeram cocô e xixi ou saíram correndo. Então, isso faz parte, é ter jogo de cintura. Portanto, a “saia justa” depende de como você sai da situação, aí pode ficar “justa” ou nem tanto. Eu já caí no ar e morri de rir e ficou por isso mesmo.

LINHA ABERTA – Você é casada com Rodrigo Riccó, que é o diretor do seu atual programa na BAND, o “Melhor da Tarde”. Ser comandada pelo marido é mais fácil ou difícil? Em quais aspectos?

CATIA FONSECA – A gente se conheceu justamente trabalhando, lá em 1999, 2000 na Record. Ele era o diretor e eu era a apresentadora. Depois, ele foi dirigir o “Mulheres” e eu era a apresentadora. Então, quando nós começamos a namorar era engraçado, pois a gente virava uma chavinha. Eu sou a apresentadora e ele é o diretor, ele não é o meu marido e eu não sou a esposa dele. Então, eu acho que isso é muito importante, pois cada um respeita o espaço do outro e a gente não mistura as coisas. Por exemplo, se vai ter uma pauta cujo tema eu não acredito e ele sim, a gente conversa sobre o assunto não pensando o que eu acho ou o que ele acha, mas naquilo que o público quer ver, e daí chegamos a um consenso. E, se eu não tenho confiança no diretor, que nesse caso é o meu marido, é impossível darmos continuidade ao trabalho. A gente segue o que ele fala porque é o diretor da nave (risos) e ele sabe onde o público está indo. Hoje, a gente acompanha pelas redes sociais, então temos um controle maior disso. Não só em relação ao Ibope, à aferição de audiência, mas acima de tudo nas coisas que a gente vai vendo como resposta do telespectador.

CATIA FONSECA COM O MARIDO RODRIGO RICOÓ. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

LINHA ABERTA – O que é fake para você na TV brasileira e mundial?

CATIA FONSECA – Fake para mim na TV é tudo aquilo que você fala: “Não acredito!”. Ou seja, assim como tem fake news nas redes sociais, muitas vezes as pessoas, na ansiedade de dar a notícia primeiro, acabam falando uma bobagem, uma fake news. E tem muita coisa perigosa em relação a isso. Mas, eu acho que a gente tem que buscar aquilo que acreditamos e temos que fazer. Por várias vezes, a gente recebeu algumas notícias que poderíamos ter dado em primeira mão. Algumas foram verdade e a gente preferiu não falar para não expor as pessoas, outras não foram verdade. E hoje o público percebe as nuances do que você está dizendo, se é verdade ou não. Se a gente está meio triste, eles sabem pelo olhar.

LINHA ABERTA – Qual a sua opinião sobre as redes sociais? Elas mais ajudam ou atrapalham a carreira e a vida dos famosos?

CATIA FONSECA – Eu acho que elas não atrapalham e nem ajudam, pois tudo vai depender de como você as utiliza. Elas irão te atrapalhar se você se posicionar de uma forma diferente daquela que as pessoas te conhecem. Então, é como se fosse uma pessoa na TV e outra diferente nas redes sociais. Comigo isso não acontece porque eu seria uma péssima atriz, eu não consigo fazer isso. Portanto, as minhas redes sociais são aquilo que eu acredito e vejo que as pessoas querem saber. Eu gosto de fazer live, apesar de não conseguir fazer muitas. Para mim, as redes sociais me aproximam de quem me assiste e isso é muito prazeroso.

LINHA ABERTA – Como você mantém a saúde e a beleza? Você é adepta dos últimos procedimentos estéticos, já fez plástica? O que é fundamental para você nesse quesito?

CATIA FONSECA – Eu sou adepta, mas não tão radical. Por exemplo, para cuidar da saúde eu controlo um pouco a quantidade de açúcar que eu como. Eu adoro açúcar, mas eu deixo para sábado e domingo, ou acabo comendo mais uma vez durante a semana, porém controlado. Eu como bastante frutas, muita verdura e legume refogado. Eu gosto de comer de verdade. Esse negócio de fazer dieta não é muito comigo. Eu faço exercícios também. Eu sou muito acelerada, em casa dificilmente eu fico sentada por muito tempo, eu me sento e me levanto, pego uma coisa, pego escada, faço um negócio, faço outro, caminho bastante… eu gosto de caminhar e faço ginástica com um personal duas vezes por semana.

Para a beleza eu tomo umas cápsulas que a minha dermatologista, a Dra. Shirley, me deu para o cabelo após o Covid, pois ele ficou mais ralo. E esse composto também é para as unhas. E a outra médica é a Dra. Isabel Martinez, com a qual eu faço tratamento com toxina botulínica. O engraçado é que, quando eu chego ao consultório dela, eu nem falo nada pois ela já sabe do que eu gosto e que não quero perder os movimentos faciais. Eu acho que a gente precisa estar melhor para nós mesmas e não só para os outros. Então, a cada seis ou sete meses, eu refaço o botox. Eu uso hidratante, aprendi a usar protetor solar, no corpo eu passo pouco pois às vezes eu empipoco. Quanto às plásticas, eu já fiz, tenho prótese de silicone e há 20 anos eu fiz lipoaspiração. Agora neste mês de outubro, eu vou trocar a prótese porque está vencida, mas fora isso eu não vou fazer mais nada.

LINHA ABERTA – Qual a sua opinião sobre os Estados Unidos? Você já pensou em morar no país, fazer um programa para brasileiros no exterior?

CATIA FONSECA – Olha, eu vou te falar uma coisa, é muito louco isso, antes de namorar com o Rodrigo, eu já tinha conhecido outros países como a Costa Rica, Madagascar, a África, o Chile, a Argentina, mas nunca os Estados Unidos. E olha que engraçado, eu falava: “Ah, esse é um país que eu não quero conhecer!”. Quando eu comecei a namorar com o Rodrigo, ele falou para irmos a Orlando e eu pensava que era brincadeira de criança. E veja, eu me apaixonei pelo país. Agora em janeiro, nós iremos ao Canadá e aos Estados Unidos, e sempre temos que ir até Nova Iorque, Filadélfia e Washington. Nós costumamos fazer de carro esse trajeto. As pessoas falam que o povo americano é frio, mas eu não acho isso pois na verdade eles não ficam cuidando da vida dos outros. O país é muito organizado. Eu moraria daqui a uns dez ou quinze anos, quando estiver fazendo um programa semanal. Ou ainda, faria um em cada lugar do mundo para mostrar a cultura de outros povos também. Se bem que eu acho legal mostrar as coisas do nosso país. Fazer um programa para os brasileiros seria perfeito. Eu já pensei nisso, mas ainda não aconteceu.

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