sensus
Census
Lytron
Sebrae
My Partner

História da Moda – Alta costura ready to wear street style fast fashion ultra fashion

Christian Dior com a modelo Victoire usando o vestido “Zaire” (coleção outono-inverno haute couture, linha H) 1954

Texto de Laine Furtado

@fashionandtravelreporter

As semanas de moda de Nova York, Milão, Paris e Londres acabam de acontecer. E uma das bases para entender indústria da moda é conhecer seu funcionamento. A moda pode ser entendida a partir de nomenclaturas que definem e governam o mundo fashion de hoje e que fazem a história da moda.

A Fashion Week é a vitrine da moda apresentada no sistema de desfiles, com duração de aproximadamente uma semana, o que permite que os criadores de moda e a indústria do vestuário, calçados, acessórios, joalharia, entre outros, mostrem suas últimas coleções em desfiles.

Mais importante ainda, permite à indústria saber quais serão as tendências futuras. Em grandes capitais da moda, semanas de moda são eventos que acontecem de acordo com um calendário de moda anual. De janeiro a abril marcas de moda e estilistas expõem as suas coleções outono-inverno e de setembro a novembro as coleções primavera e verão. Temos ainda as semanas de moda dedicadas ao ready to wear (pronta para usar) e a haute couture (alta costura) E ainda temos os desfiles de cruise.

Muitas pessoas não sabem a diferença entre Alta Costura (Haute Couture) e a moda Pronta para Vestir (Prêt-à-Porter). Existem outros setores que também fazem parte do mundo da moda, como Fast Fashion, Street Style, e Ultra Fast Fashion. Nesta edição, apresentamos a história da Fashion Week e da moda no mundo explicado todas estas nomenclaturas. Vamos entender como surgiram esses termos?

CHARLES FREDERICK WORTH, CONHECIDO COMO “O PAI DA ALTA COSTURA”, FORMOU OS PRIMÓRDIOS DA INDÚSTRIA DA MODA COMO A CONHECEMOS HOJE

A história da Alta Costura remonta ao fim da monarquia francesa, quando a estilista Rose Bertin começou a criar roupas para a rainha mais chique de todas: Maria An­tonieta. Seus desenhos eram tão bonitos que rapidamente chamaram a atenção de toda a nobreza europeia!

Apenas 10 anos depois que Charles Frederick Worth criou o primeiro salão de alta costura em Paris, em 1858, com o primeiro des­file de moda com modelos (antes as peças eram expos­tas apenas em cabide).

O termo tornou-se popular como sinônimo de protesto quando pessoas conscientes da moda criaram seu pró­prio sindicato para regular o negócio: La Chambre Syndi­cale de la Haute Couture.

A Alta Costura [haute coutu­re em francês] é controlada pelo Fédération Française de la Couture, que é quem decide qual designer pode e não pode fazer Alta Costura, ou pelo menos chamá-la por esse nome legalmente.

A Fédération Française de la Couture foi fundada em 1973 e definiu quem deveria ser incluído ou não no círculo de designers de moda. Os critérios são rigorosos. Ano após ano os ateliês têm que se recandi­datar. Suas criações devem ser peças únicas, confec­cionadas a mão e feitas sob medida.

Para ser conhecida como uma Maison de Haute Cou­ture, a marca deve obedecer critérios que são estabe­lecidos pela Fédération Française de la Couture e as empresas seguem padrões bem definidos. No mundo da alta costura, cada peça pode ser classificada como uma verdadeira obra de arte devido ao seu processo de elaboração.

Entre os critérios estabelecidos estão a moda sob medida para cada cliente, a marca precisa ter um showroom, que é o lugar onde a roupa pode ser vista por clientes e pela imprensa, localizado no Triangle D’or, região que com­preende as vias George V, Champs-Elysées e Avenue Montaigne, em Paris. Além disso, a maison não pode ser alugada, ou seja, tem que pertencer a marca e precisa ter no míni­mo cinco andares, sendo o térreo uma loja, o primeiro piso um ateliê, um andar em que os desfiles possam ser realizados e o showroom.

As coleções devem ser apresentadas em um desfile, duas vezes por ano (primavera/ve­rão e outono/inverno), com pelo menos 50 novas peças em cada coleção e todas as peças devem ser feitas a mão, entre outros critérios definidos pela Fédération Française de la Couture.

A França é o único país que pode usar o termo Haute Couture para designar suas criações, pois é uma nomenclatura protegida por lei. Por isso, não existe Alta Costura fora da França. Mas é possível representar a FHCM em seu país: na Itália a Alta Costura é corres­pondente a Alta Moda, e na Inglaterra e nos Estados Unidos ela é nomeada High Fashion.

Hoje, cada peça de alta costura leva pelo menos 150 horas de artesanato para ser construída. Atualmente, há muito poucas marcas que são consideradas como casas de alta costura e que fazem parte da Fédération Française de la Couture.

CHANEL REVOLUCIONOU A MODA. NA FOTO ACIMA, A MOSTRA DA ESTILISTA FRANCESA EXIBIDA DURANTE A EXPOSIÇÃO “GABRIELLE CHANEL, MANIFESTO DE MODA” NO MUSEU DE MODA GALLIERA PALAIS, EM PARIS, EM 25 DE SETEMBRO DE 2020. A BAIXO, GABRIELLE CHANEL

CHRISTIAN DIOR SURPREENDEU O MUNDO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL COM O “THE NEW LOOK”, EM 1947. O NOVO VISUAL DA DIOR ERA VOLUMOSO E COM CINTURA MARCADA. A BAR JACKET CONTINUA SENDO UMA DAS IDENTIDADES DA MARCA ATÉ HOJE

ALGUNS DELES SÃO:

Chanel

Christian Dior

Adeline André

Alexandre Vauthier

Alexis Mabille

Franck Sorbier

Giambattista Valli

Givenchy

Jean Paul Gaultier

Julien Fournie

Maison Rabih Kayrouz

Maurizio Galante

Schiaparelli

Stephane Rolland

O público da alta costura é bem restrito por causa do preço das peças e da pouca quantidade de marcas. São rainhas, princesas, aristocratas e socialites em geral, que fazem questão de peças exclusivas. Celebridades também são vistas usando criações nos tape­tes vermelhos e festas luxuosas de Hollywood, mas os vestidos costumam ser emprestados e o empréstimo é feito como forma de publici­dade para a marca.

[prêt-à-porter] produtod’s, act no. 1, bottega veneta, boss and sportmax, durante o desfile da coleção de outono 2020 em milão

Depois da segunda guerra mundial e logo se popularizou, por oferecer maior praticidade para adquirir roupas, varie­dade de estilos e preços, onde as grifes apresentam pronta entrega em lojas. Prêt-à-porter é toda roupa que não é produzida para um consumidor especí­fico e exclusivo, mas sim para um grupo de consumidores em potencial porque é vendido em lojas.

Durante o período da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos ficaram iso­lados da Europa e por conseguinte, das tendências ditadas soberanamente pela França e Inglaterra. Viram-se sozinhos e obrigados a empregar seus próprios recursos e talentos na construção de uma “indústria da moda própria.” A Moda Pronta para Vestir foi criada para poder vender moda massivamente. O criador desse sistema foi Pierre Cardín que através da sua nova postura de em­preendedor, conseguiu trazer a moda das passarelas para a rua nos anos 50.

Mas desde o final de depressão ame­ricana, em 1929-30, os EUA vinham adotando em suas indústrias o conceito de design, resultando em produtos, so­bretudo as peças do vestuário, cada vez mais adequados a produção em massa. A nova fórmula estadunidense desper­tou profundo interesse nos europeus, principalmente para o empresariado francês, que, ao final da guerra, fazia visitas técnicas ao Novo Continente a fim de conhecer o que era exatamente essa nova proposta de ligar estética e pratici­dade industrial.

E antes mesmo de Pierre Cardín, em 1948, começava a chegar na França a versão europeia do ready-to-wear, o aclamado prêt-à-porter. Podemos dizer que o prêt-à-porter revolucionou o varejo de moda ao fetichizar o consumo, tornando “acessível” o estilo e marca da Alta Costura a várias classes sociais. O nascimento das butiques independentes deu início a uma verdadeira revolução nas compras. forma de apresenta a moda ready-to-wear.

É no prêt-à-porter que a maioria das tendências são lançadas, e são peças feitas para usar no dia-a-dia de pessoas “normais”. Esses desfiles acontecem nas maiores capitais da moda sendo as de Nova York, Londres, Milão e Paris são as mais importantes. Elas acontecem nessa ordem após a semana de haute coutu­re ter chegado ao fim. O pret-à-porter também difere no preço porque é feito com materiais menos nobres e mais baratos e as peças podem ser produzidas em outros países com mão de obra mais barata, como China,Turquia e India, por exemplo.

[street style]

O street sytle, um movimento que teve início com amantes da moda que come­çaram a se aglomerar nas ruas para ver o que acontece durante as semanas de moda , tomou corpo e hoje é uma febre, com fotógrafos e fashionistas prontos para registrar a moda fora da passarela.

Com o advento e democratização da internet e das câmeras fotográficas di­gitais, o mercado da moda se viu diante de uma drástica mudança: o foco, antes centralizado no que era apresentado nas passarelas, foi alterado para enquadrar também um sem número de aspirantes a ícones de estilo que, a bordo de produções dos mais variados gostos, passaram a disputar a atenção da mídia, eclipsando jornalistas, designers e até a tradicional primeira fila dos desfiles.

Nos últimos anos o “street style” cresceu de tal maneira que hoje é quase impraticável a existência de um veículo sem uma seção dedicada exclusivamente ao fenômeno; o que dizer então de eventos do segmento sem blogueiros e seus muitos flashes. O estilo dos convidados de um desfile é um espelho da identidade da própria marca em uma apresentação da Hermès, é possível observar mulheres e homens em cores e formas clássicas, encontramos facilmente pessoas “À la Daphne Guinness” em eventos da Alexander McQueen ou Rick Owens.

Isso é natural e sempre foi, desde a criação dessa forma de exibição de novas coleções, assim como o registro dos looks desses frequentadores. No entanto, com o número cada vez maior de blogueiras de “street sty­le” as semanas de moda estão se transfor­mando mais em grandes plataformas para a fama onde para aparecer é preciso usar o máximo de tendências em um único look.

[fast fashion e ultra fast fashion]

A Fast Fashion apresenta roupas mais baratas e geralmente sem a mesma qualidade de uma peça Ready to Wear, sendo “inspirada” em coleções prontas para usar, produzidas em alta escala, onde a estratégia é incentivar a compra maciça de roupas para usar por um curto período de tempo.
O conceito de fast fashion (ou moda rápida) surgiria apenas na década de 1990, com o barateamento tanto da mão de obra quanto da matéria-prima na indústria têxtil. Lojas como Zara, H&M e Topshop investiram em peças que lembravam a alta costura, porém tinham custo baixo para o consumidor e um tempo de vida reduzido.
Rapidamente, a fórmula se tornou um fenômeno entre o público e se expandiu por todo o mundo na década seguinte. Hoje muitas fabricantes adotam o modelo fast fashion em suas confecções.
E nos anos 2020, suguiu o Ultra Fast Fashion. No sentido mais simples, os varejistas de ultra fast fashion aceleram ainda mais o processo de produção de roupas da fast fashion. Isso significa ciclos de produção mais rápidos, agitação de tendências mais rápidas e o crescimento de lixo.
A roupa é ultra plástica, com pelo menos metade dessas peças de vestuário feitas de plásticos virgens que vão lançar microfibras em cursos d’água e no ar nos anos seguintes, prejudicando o meio ambiente.
As 5 marcas de ultra fast fashion mais populares são SHEIN, Fashion Nova, Boohoo, PrettyLittleThing e Cider.

Share

Related posts