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Romeu e Julieta dos tempos modernos ou uma história sem contos de fada

De Eduardo Prugner
@eduardoprugner

ROMEU. Seus óculos escuros, escondiam um olhar que, ao mesmo tempo esperançoso, desenhavam um ar triste, mas vivo como se procu­rasse um tesouro perdido. Realmente era uma pessoa que mostrava um sorriso que nada expressava, senão um vazio.

Quem era aquela figura enigmática?

Nasceu sob o silenciar de canhões, andava pelas ruas como se tivesse perdido algo, e o seu trajar desleixado fazia-o um rapaz triste sob um manto de uma felicidade que nunca soube realmente saber de seu significado. Por vezes sorria, mas sempre um sorriso triste, imperceptível, que escondia um sonhador de sonhos impossíveis. Assim sempre viveu!

JULIETA

Também sonhava! Gostava de aventuras! Por vezes corria entre as matas para chegar ao mar e como uma corsária atravessava canais e desfrutava a brisa do mar numa ilha, senão deserta, pouco habitada, mas era ali que depositava seus sonhos e suas esperanças da sua vida que tanto queria mudar.

Julieta era uma mulher bela, com um sorriso encantador e um olhar penetrante. Mostra­va-se segura para jamais transparecer uma fragilidade feminina. Sua mãe pouco a enten­dia e seu pai partiu cedo para uma jornada na qual jamais voltaria. Assim era uma jovem sempre mulher!

O ENCONTRO

Um baile! Não! Nem em salões de um castelo iluminado por tochas e lampiões, mas numa garagem, ampla bem verdade, cercada por um jardim gramado. Senão fosse a noite de Lua Cheia, nada mais parecia como um ambiente normal e talvez sem nenhuma outra emoção, a não ser uma bela vista que tinha do local.

Romeu se fazia acompanhar de uma outra mulher. Não era a sua Julieta que ele estava buscando. 0 inesperado sempre acontece!

A Lua iluminou o local e o cenário transfi­gurou-se. A jovem Julieta, com seus cabelos esvoaçantes, dançava sem se preocupar com olhares para a sua figura.

Ao mesmo tempo, aquele que naquela festa se fantasiava como Romeu, personificava o personagem da trágica história de amor. Não tirava os olhos daquela jovem, que ao seu ver, era a mais bela Julieta que nenhum poeta poderia descrevê-la. Assim aconteceu o encontro.

O ENLACE

Os dois apaixonaram-se e meses depois marcavam a cerimônia de casamento.

A Natureza propositalmente fez com que uma leve garoa caísse no local do enlace. E assim, as gotículas se transformavam em pequenas perolas brilhantes que cobriam os cabelos da noiva.

Uma torre plantada ao lado de um pequeno “castelo” parecia determinar a imensidão dos tempos; e ali, entre olhares e um silêncio onde somente os olhos se viam, trocaram palavras que somente os corações poderiam escutar.

Novamente a Felicidade se fez presente! Novas histórias estariam se formando. A vida embalou vidas e a alegria renasceu! Fortes desejos, sonhos realizados e tudo pa­recia caminhar para uma verdadeira história de amor. Era a princípio indestrutível. Nenhum vento seria capaz de destruir aquela união.

A beleza e a poesia seguiam alegremente quando… O inevitável viria acontecer.O viver “felizes para sempre” não se realizou…. Transformou o conto de fadas, que estava sendo desenhado, numa novela fria, sem ro­mances, onde o cotidiano estaria impregna­do de tristezas, de saudades e sem futuro.

EPÍLOGO

E no soar de um surdo, acompanhado da cadência de baterias e outros tantos instru­mentos, Julieta desfilava vestindo-se como uma rainha, num traje real, jamais visto em corte alguma.

As luzes dos refletores iluminavam o seu vestido branco cravejado de missangas e paetês. Julieta seu nome de batismo, estava tão bela e seus aparatos causariam inveja às damas da corte francesa dos séculos pas­sados. Naquele momento esqueceu da sua vida cotidiana, dura, onde ganhava um pobre salário-mínimo.

Romeu, de nome verdadeiro João, era o prín­cipe, um sonhador! Vivia, simplesmente no seu viver. E até gostaria de sonhar! Profissão: pedreiro. Seriam agora duas histórias? A verdade é que a verdadeira história ainda não terminou…

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