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Inflação pesa no bolso das famílias nos EUA

O ritmo de gastos das famílias america­nas desacelerou em maio por efeito da inflação elevada e da renda insufi­ciente para compensar o aumento de preços, o que poderia agradar ao Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Os dados acabam de ser divulgados pelo Fed.

Segundo o report, em maio, o consumo das famílias cresceu 0,2% contra 0,6% em abril, e as receitas aumentaram 0,5%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Departamento de Comércio. Em paralelo, a inflação de maio foi de 0,6%, contra 0,2% em abril. Em estimativa anual, a inflação se estabilizou em 6,3%, segundo o índice PCE, o indicador preferido do Fed.

Outro índice de inflação, o IPC, publi­cado pelo Departamento de Trabalho e utilizado especialmente para calcular as aposentadorias, teve um aumento maior em 12 meses: 8,6%.

Ambos os indicadores são calculados a partir de cestas de produtos distintas, o que explica a diferença.

A inflação que corrói o poder aquisitivo e ameaça o crescimento econômico e o consumo dos EUA, o pulmão da maior economia mundial.

Já no primeiro trimestre, o PIB ameri­cano caiu mais que o previsto inicial­mente, 1,6% em 12 meses, devido a uma revisão para baixo dos gastos de consumo pessoal.

“Em termos reais”, ou seja, ajustados pela inflação, “o consumo caiu 0,4%”, disse Rubeela Farooqi, economista-che­fe da consultoria High Frequency Eco­nomics em nota. E “a renda disponível das famílias se debilitou”, acrescentou. ”O enfraquecimento do PCE corrigido pela inflação em maio é um sinal de alarme sobre a trajetória futura do cres­cimento”, disse.

“Se em junho os gastos se mantiverem no mesmo nível de maio, o consumo desacelerará no segundo trimestre para apenas 0,9% em estimativa anual, contra 1,8% do primeiro trimestre e 2,5% do quarto” de 2021. Os dados de junho ser~ao liberados no final de julho.

Essa desaceleração poderia agradar ao Fed, que vem subindo agressiva­mente as taxas básicas de juros desde março, para moderar a demanda e, por consequência, a pressão sobre os preços. O presidente do banco central, Jerome Powell, disse que a entidade tem a intenção de subir ainda mais os juros até o fim deste ano.

Durante a pandemia, os americanos economizaram muito, graças aos auxí­lios do governo e à impossibilidade de consumir devido às medidas de confi­namento e à restrição das atividades.

Depois, a forte recuperação da de­manda, combinada com os proble­mas nas cadeias de abastecimento, alimentou o crescimento da inflação, que se viu exacerbada pelo aumento dos preços da energia provocado pela invasão russa da Ucrânia no fim de fevereiro. A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis dos alimentos e da energia, foi de 0,3% em maio, o mesmo índice registrado em abril.

Ian Shepherdson, economista-chefe da consultoria Pantheon Macroeconomics, assinala que o aumento médio de três meses caiu para o ritmo mais baixo des­de novembro, e observa que se trata de “uma forte queda desde o pico de 5,7% de fevereiro”.

“Uma combinação de desaceleração dos aumentos salariais, uma inflação de margem mais fraca e um dólar mais forte começam a causar uma desaceleração acentuada da inflação subjacente”, disse, embora “ainda haja muito o que fazer”.

Brian Deese, principal conselheiro econômico da Casa Branca, deu boas-vindas à “moderação” da inflação subjacente nos últimos três meses. Em­bora não possa influenciar nos preços da energia, o governo está “especial­mente focado” nos setores em que há concentração de empresas e preços “excepcionalmente altos”.

A meta do Fed é manter a inflação em torno de 2%, que considera ótima para a economia. Alguns economistas estimam que uma desaceleração da inflação poderia vir acompanhada de uma breve recessão. Por ora, o Fed acredita que é possível evitá-la.

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