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A arte de Humberto Espíndola

Texto de ARILDA COSTA MCCLIVE
@arildamclive

Humberto Augusto Miranda Espíndola é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema Bovinocultura desde 1967. Representou o Brasil na Bienal de São Paulo, Brasil, 1969 e 1971; Bienal de Veneza, Itália, 1972; Bienal de Medellin, Colômbia, 1972; Bienal do México, 1978; Bienal de Havana, Cuba, 1984; Bienal de Cuenca, Equador, 1989.

Suas obras integram os acervos do Fórum Ludwig Aachen, Alemanha, Casa de Cultura José Marti, México, Casa de Cultura Wifredo Lam, Cuba, AMBA Collection Contem­porary Art from Africa, Brasil and Caribbean, Londres, MASP Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Pinacoteca de São Paulo, MAC Museu de Arte Contem­porânea da Universidade de São Paulo, MAM Museu de Arte Moderna de São Paulo, MAM Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu de Arte Paranaense e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Minas Gerais, entre outros.

LINHA ABERTA: Como e quando se dá o seu primeiro contato com as Artes?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Aos 13 anos tive meu primeiro contato com a pintura, através de um tio que percebeu meu talento. Pintei meia dúzia de quadros e a família elogiou muito os trabalhos. Mas, na verdade, o professor Bassi, que me orientava, retocava os quadros e então compreendi perfeitamente que os elogios não eram para mim. Desisti da pintura, o que foi bom, pois aprendia nesse momento a importância da autocritica. Assim, abandonei a pintura, só retornando a esse desejo quando já estudava jornalismo em Curitiba, graças as aulas de história da arte ministradas com muito entusiasmo pelo professor Barontini, que redespertou em mim o desejo de pintar. Me apaixonei por Van Gogh.

LINHA ABERTA: Como surgiu ou você descobriu este dom?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Aos 6 ou 7 anos, quando me davam a missão de molhar o chão do quintal, desenhava com o esguicho da água em um grande paredão, que logo absorvia os desenhos e eu recomeçava realizando outras figuras. A família percebeu então que eu tinha esse dom. Essa parede de fato foi meu principal caderno de dese­nho. Ali exercitei minha tendência a grandes quadros e murais.

LINHA ABERTA: Quais são suas principais influências?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: A primeira grande exposição que me impressionou eu já estava na faculdade em Curitiba. Vi uma exposição dos muralistas mexicanos Orozco e Rivera. Três anos depois vi na Bienal de São Paulo em 1967 uma grande retrospectiva da Pop Arte e o american way of live me inspirou a buscar o que correspondia a isso em minha vida e na minha terra natal. Lá estava o boi como principal fator sócio-econõmico da minha região. Nasceu assim a “Bovinocultura”. Logo a conduzi para a crítica social, pois vivíamos no Brasil a ditadura militar. Então conquistei meu espaço na arte brasileira.

LINHA ABERTA: Como é o seu processo criativo em si? O que te inspira?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Meu processo criativo, a partir do que já relatei, passou por várias experiências culturais e plásticas nos últimos cinquenta e cinco anos, e muitos estudos sobre a minha temática, inclusive viajando pelo mundo atrás da importância do boi, prevendo com meio século de antecedên­cia a sua importância atual no agronegocio brasileiro. Sobre seu aspecto mítico, estudei in loco, principalmente na Índia e no Egito.

LINHA ABERTA: Quando você começou efe­tivamente a produzir ou criar suas obras?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Em 1967 a Bovi­nocultura estréa no IV Salão de Brasilia, que tinha como objetivo mostrar a arte deste imenso “Brasil de dentro”.

LINHA ABERTA: A arte é uma produção intelectual primorosa, onde as emoções estão inseridas no contexto da criação, po­rém na história da arte, vemos que muitos artistas são derivados de outros, seguindo técnicas e movimentos artísticos através do tempo, você possui algum modelo ou influência de algum artista? Quem seria?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Estudei muto a história da arte, visitei muitos museus em mais de vinte e cinco países e fui assim cons­truindo minha trajetória e obra. Sáo mais de quatro mil pinturas, desenhos e objetos, além de arte ambiental que apresentei nas Bienais em São Paulo, Veneza e de países latino-ame­ricanos.

LINHA ABERTA: O que a arte representa para você se fosse resumir em poucas pa­lavras o significado das artes na sua vida?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: A própria vida, pois a dediquei à pintura e à animação cultural. Junto com a animadora Aline Figueiredo deixamos para nossos Estados (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) a fundação de Museus e históricas montagens de esposições em projeto que revelou artistas e os afirmou, revelando pela primeira vez a arte deste Brasil interno e profundo. Junto a isso reali­zamos integração com artistas e estudiosos da arte sul-americana.

LINHA ABERTA: Quais as técnicas que você usa para expressar suas ideias, sen­timentos e percepção acerca do mundo?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Como já disse, passei pela arte ambiental (instalações), arte objectual e diversos tipos de suporte, como por exemplo couro de boi, arte digital, mas me considero principalmente pintor.

LINHA ABERTA: Você tem alguma outra atividade além da arte?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Gosto de escrever também, tenho livros publicados e em 2021 fui eleito para a Academia Sul-mato-gros­sense de Letras

LINHA ABERTA: Suas principais ex­posições nacionais e internacionais e suas premiações? (Mencione as 5 mais recentes).

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Na virada dos anos 60 para os anos 70 fui premiado em muitos Salões de Arte Brasileira e Bienais Internacionais. Destaco a 36ª Bienal de Veneza, que impressionou o escritor José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, que me cita em seu seu primeiro livro, “Manual de pintura e caligrafia”.

LINHA ABERTA: Em sua opinião qual é o futuro da arte brasileira e dos seus artis­tas? Por que tantos artistas estão dando preferência em mostrar seus trabalhos em exposições internacionais apesar dos altos custos?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Estamos vivendo uma transição cujo resultado ainda é im­previsível, devido a revolução informática, muitas mudanças técnicas. Mas creio que a pintura ainda será importante para expres­sar a capacidade física do homem por muito tempo ainda. A imagem pode passar por processos técnicos, assim como a invenção da pintura á óleo e o suporte do cavalete revolucionaram a apresentação da arte no Renascimento, Vamos ter uma novo renas­cimento com a entrada da digitalização e a holografia… Mas o fazer arte no seu sentido intrínseco pertence à manifestação humana. Na minha opinião a arte é eterna.

LINHA ABERTA: Como você desenvolveu seu estilo?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Busquei uma for­ma de expressão que me satisfez, sinto-me pleno quando pinto. Para mim é meditação o movimento dos pincéis e das pinceladas e cores, entro em outra dimensão do meu ser. Na pintura descobri minha razão de existir.

LINHA ABERTA: Na história da arte qual período ou movimento você gostaria de ter feito parte e porque?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Me sinto um pintor do século 20, pois nele terei passado a maior parte de minha vida. A pintura da virada do século 19 para o século 20 é minha grande referência.

LINHA ABERTA: Seus planos para o futuro?

HUMBERTO ESPÍNDOLA: Vou completar 80 anos. Pretendo pintar até quando a vida me permitir. Amo o que faço.

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