Census
sensus
My Partner
Lytron
Sebrae

Envelhecimento e discrimação. Quais os impactos do Etarismo para a saúde e a qualidade de vida?

ETARISMO, SEGUNDO O DR. ELEXSANDRO ARAÚJO, NA FOTO ACIMA, É O PRECONCEITO CONTRA PESSOAS IDOSAS

Etarismo é o preconceito contra pessoas idosas. No geral, ele se refere a uma forma de discriminar o outro tomando como base estereótipos associados à idade, mas afeta principalmente quem já é mais velho. Também pode ser chamado de ageísmo, um aportugue­samento de “ageism”, expressão criada pelo gerontologista Robert Butler em 1969.

Discutido desde a década de 1960 nos Estados Unidos, o termo teve seu uso reformulado por Erdman Palmore em 1999. No Brasil, apesar de ser um assunto pouco conhecido, o etarismo costuma ser praticado contra pessoas que nem idosas são consideradas ainda.

Segundo um relatório realizado pela Organização Mundial da Saúde com mais de 80 mil pessoas de 57 países, 16,8% dos brasileiros acima dos 50 anos já se sentiram discriminados por estarem envelhecendo. De acordo com o Insti­tuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 13% da população brasileira tem mais de 60 anos de idade.

Os mesmos dados apontam que em 2031, o país será formado por mais idosos do que crianças. Apesar dessa previsão e da atual parcela de pessoas nessa faixa etária já ser significativa, o etarismo ainda é um tema pouco discutido no Brasil.

Segundo o Dr. Elexsandro Araújo, fisio­terapeuta e gerontologista, o etarismo, preconceito que se baseia na idade para supor o grau de capacidadedo indivíduo, é um dos responsáveis pela alta taxa de depressão na faixa da população de 60 anos ou mais, além de suportar preconceitos acerca da popu­lação madura.

O médico explica que uma pesquisa Na­cional de Saúde, realizada em 2019 pelo IBGE, mostra que os idosos ocupavam o primeiro lugar no ranking de casos de depressão; cerca de 13% da população entre os 60 e 64 anos são acometidos pela doença.

Apesar do natural envelhecimento da população, que já representa um quinto dos brasileiros conforme estudo do Die­ese (Departamento Intersindical de Es­tatística e Estudos Socioeconômicos), os exemplos da prática do etarismo estão em abundância na rotina da socieda­de. Por exemplo, quando uma pessoa idosa está na fila do caixa eletrônico é comum que os demais prefiram uma fila mais longa, a esperar que ele utilize o equipamento, partindo da suposição que a pessoa madura terá dificuldades em lidar com o sistema.

“Acredita-se que os impactos do etaris­mo vão muito além do convívio social. Na prática, há consequências relaciona­das ao aumento do risco de violência, abuso físico e financeiro, além de outras restrições”, explicou Elexsandro.

“O etarismo possui, portanto, impactos profundos no bem-estar e na saúde do idoso. Afinal, ao ter a sua capacidade e competência questionadas, a pessoa idosa passa a sentir ainda mais receio de realizar funções do cotidiano e tende a ratificar o preconceito, apresentando, assim, maior dificuldade de se recuperar, demonstrar sua capacidade e atuar na plenitude de suas capacidades”.

Elexsandro Araújo disse que o etarismo, portanto, corrobora com o distancia­mento entre gerações, mantendo o ido­so à margem da sociedade. “Podemos concluir, então, que diminuir o indivíduo devido à faixa etária gera impactos no âmbito social, econômico,físico e psico­lógico”. afirmou.

Share

Related posts