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RIHANNA – E A COMPLICADA QUESTÃO DAS ROUPAS DE MATERNIDADE

Texto de MANUEL LÓPEZ
@manuel_lop_ID

Maio é o mês das mães e apresen­tamos o case Riha­na. No final de janeiro, fotos de paparazzi de Rihanna em um casaco vintage Chanel rosa deu a notícia de que ela estava grávida. No meio do Harlem nevado, a can­tora ficou com seu parceiro, ASAP Rocky, exibindo orgulhosamente sua barriga de grávida. Isso provou ser a primeira de suas exibições públicas de roupas de maternida­de, com Rhianna chocantemente chique. Podemos dizer que eram roupas de maternidade?

De fato, o estilo de gravidez controverso de Rihanna não se assemelha ao que imaginamos quando pensamos sobre looks da maternidade. Mas por que exatamente isso? Espera-se que as mulheres se comportem de uma certa maneira quando descobrem que estão grávidas? Há certamente algo duvidoso em pedir às mulhe­res para viver sua vida em torno da maternidade. E nosso choque diante da decisão de uma mulher de vestir o que ela muitas vezes se mostra como um roblema.

Como podemos definir o termo roupas da maternidade? Estas roupas realmente refletem os desejos das grávidas? Elas podem dizer algo sobre o mundo em que vivemos?

PESSOAS X ROUPAS O DESEJO DA MULHER DE ESTAR FASHION, MESMO GRÁVIDA

Goste ou não, vivemos atualmente em um mundo movido a imagens. Nós consumimos fotos todos os dias, então fazer a curadoria de nós mesmos para se encaixar no quadro tornou-se apenas natural. As mídias sociais nos levaram a manter uma imagem perfeita de nós mesmos, para a inveja dos ou­tros. É claro que isso levou a altos níveis de depressão e ansiedade entre os usuários.

No reino das roupas de maternida­de, a imagem não é tão diferente. Fotos de mulheres perfeitas com gravidez perfeita criam pressão para que tudo seja igualmente per­feito. De agora em diante, mais do que nunca, as mulheres desejam estar com a sua melhor aparência enquanto grávidas.

Há também a grande incerteza que a gravidez e todos os medos e a ansiedade que a mulher vive durante a gravidez. Infelizmente, abortos não são incomuns, o que significa que há grande ansiedade e que este momento é de incer­teza para a mulher. Mas há tanta informação disponível, tanto para aprender, tantas coisas para não fazer. É difícil, como diz a escritora Stephanie Grob Plante, não sentir que a gente está falhando em algo. A sensação de impotência traz so­brecarregada para este momento.

DUAS CAPAS HISTÓRICAS: RIHANNA NA V0GUE E DEMI MOORE NA VANITY FAIR. DUAS PERSPECTIVAS DE COMO MOSTRAR A MULHER GRÁVIDA, UMA SENSUAL E OUTRA FASHIONISTA. DUAS CAPAS MARAVILHOSAS.

Quando pensamentos em roupas para grávidas, o ato de se vestir de uma forma ou de outra pode representar um maior controle para a grávida. Assim, algumas mulheres grávidas podem recorrer às roupas como âncora, algo para lhes dar uma sensação de controle.

Além disso, a grande variação hormonal que ocorre dentro do corpo das mulheres durante a gra­videz geralmente se traduz em um desejo sexual flutuante. Isso pode facilmente se manifestar como explosões sexuais, durante as quais as mulheres podem querer se sentir sexy, ou queiram paracer sexy, mesmo grávidas.

O FRACASSO DA INDÚSTRIA EM ATENDER ÀS NECESSIDADES

Apesar do que parece ser uma grande demanda por roupas de maternidade bonitas, a oferta não parece ser responsiva. Como diz o jornalista EJ Dickenson, “opções elegantes de roupas de materni­dade — ou mesmo noções básicas — são poucas e distantes”.

Por quê? Bem, como tantas coisas, pode ser rastreado até o sexismo. A ideia de que as mulheres existem apenas para ter filhos é, querendo ou não, ainda muito presente. Na verdade, pode ser a razão pela qual as empresas não se sentem compelidas a criar roupas de maternidade que mostram a sexualidade da mulher. Por que as mulheres se importariam com sua aparência quando sabem que tem um bebê a caminho?

Além disso, o negócio de roupas de ma­ternidade é complicado porque lida com roupas que serão usadas por um tempo finito. As mulheres só precisam delas quando estão grávidas, e do ponto de vista das vendas, isso é difícil de gerenciar.

Isso não quer dizer que não haja boas opções lá fora. Marcas como Hatch e PinkBlush fazem de tudo para tornar as roupas de maternidade chiques. A primei­ra ainda carrega tatuagens temporárias na barriga! Ainda assim, o mercado permane­ce estagnado, e precisa ser resolvido. E é aí que a Rihanna entra.

EXCEPCIONALISMO DE RIHANNA

Vestidos completamente transparentes emparelhados com lingerie lacey. Tops de corte, correntes corporais e saias de baixo nível. Vestidos de couro body-con e saltos altos. Estas são as roupas de maternidade da Rihanna.

No papel, parecem roupas da Rihanna. A cantora não mudou nem um pouco seu estilo desde que concebeu. E ela está mui­to ciente disso. “Nem pensar que porque estou grávida vou usar roupas de grávida que não tem nada a ver comigo”, afirmou a cantora em uma entrevista à Vogue.

Isso nos leva ao hoje. A inovadora capa da Vanity Fair de Demi Moore, na qual ela aparece semi-nua enquanto está grávida, levou a algumas mudanças. De repente, tornou-se popular para mostrar a barriga com o bebê. Celebridades que vão de Kim Kardashian a Beyoncé ostentam suas bar­rigas em sessões fotográficas e nas ruas.

No entanto, como destaca a escassez de modelos fashionistas na maternidade, a mudança ainda não se espalhou pelo cotidiano. A ideia de modéstia e mudança enquanto está grávida ainda prevalece, e Rihanna está ajudando a mudar isso. Sua recusa em se transformar em uma pessoa diferente só porque ela está grávida é uma declaração política.

O uso da maternidade dela não só muda nossas concepções sobre o que as grávidas devem ser. Também desafia a ideia de que qualquer um, menos as mulheres, pos­suem seus próprios corpos. Ao usar o que quiser quando quiser, Rihanna enfatiza a autonomia das mulheres para fazer o que quiserem, não importa as condições.

ENTÃO, O QUE PODE VIR A SEGUIR?

Todas as evidências parecem apontar para a mesma coisa. Não há como negar que a mudança está vindo em nossa direção. Na verdade, a mudança está aqui. A aparência da maternidade nunca mais será o que costumava ser, e é tudo graças à Rihanna.

As marcas podem começar a entender que as necessidades das gestantes não são di­ferentes das de mulheres não grávidas. Os primeiros podem até começar a procurar roupas de maternidade em outros lugares — em brechós, marcas gerais e hand-me-downs.

Enquanto isso, podemos ter certeza de que a mensagem de Rihanna está sendo ouvida em alto e alto: a independência de uma mulher de poder escolher como se vestir e ter manter sua personalidade,, mesmo grávida.

 

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