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A última estação

De Eduardo Prugner
@eduardoprugner

Essa é a história de Lola, a última locomotiva movida a vapor! Toda história tem um começo e a de Lola não poderia ser diferente! Século XX. A segunda grande guer­ra havia terminado, as indústrias siderúrgicas se modernizavam e se prepara­vam para os novos tempos, novos produtos que substituiriam os pesados tanques de guerra. Países retomavam suas indústrias, o povo podia transitar tranquilamente e novos meios de transportes iam surgindo a cada momento.

Os trens voltavam a circular. Cada vez mais velozes, cortavam florestas, atravessam rios por pontes de ferro, avançavam por entre montanhas e cidades surgiam ao largo dos trilhos. Locomotivas garbosas, movidas a eletricidade, desfilava com dezenas de va­gões atrelados uns aos outros, entre eles va­gões luxuosamente decorados, altivamente frequentado por senhoras ostentando joias e roupas de grifes e cavalheiros garbosamente vestidos.

Era a “belle época” que transformava uma Europa ainda ferida pelos resquícios dos embates sangrentos que teriam maculado famílias e cidades.

Um vagão de passageiros foi esquecido numa pequena gare perdida num termi­nal qualquer de uma cidade. E quando o descobriram, estava coberto de pó e alguns de seus equipamentos de ferro, já estavam enferrujados. Porém graças a qualidade do material usado na sua fabricação, eram ferrugens superficiais e que não afetavam a sua beleza!

Ao olharem atentamente, percebiam que aquele vagão tinha uma história: no seu interior traços de um luxo, outrora usado pela aristocracia da época, onde senhoras desfilavam com seus vestidos . As laterais eram cobertas por veludos de cores suaves entrelaçados com tecidos tipo tartan so­bressaindo a vivacidade do colorido. Havia também sobrevivido as bombas e tiros da segunda grande guerra!

Não muito distante dali, acompanhado os trilhos em meio a uma vegetação densa, despontava a parte traseira de trem. Nota­va-se claramente ser uma cabine de uma locomotiva. A porta do forno da caldeira estava quebrada, pedaços de lenha estavam espalhados naquele chão de ferro e ainda podia-se ver o manômetro que conservava o vidro protetor dos ponteiros. Poucos podiam entender o que representava aquela velha locomotiva! Quantas coisas ela poderia contar. Hoje nem mesmo aguentaria o calor da sua própria caldeira.

Novos Tempos: O Trem de Prata

Surge em meio aos fins das viagens de trem entre São Paulo e Rio de Janeiro, o intrépido “trem de prata”. O trem contava com um carro-bar, um carro-restaurante, dois vagões de bagagem e quatro de dormitórios — do­tados de quarenta cabines duplas ocupadas por oitenta passageiros e atendidas por uma tripulação elegantemente trajada.

Em 1968 partiu o último trem, o adeus definitivo ao “Trem de Prata”, que fazia Rio de Janeiro a São Paulo. Com ele as senhoras trajando seus elegantes vestidos cobrindo delicadamente os joelhos e os homens com seus ternos de casimira inglesa ou de lãs es­cocesas, olhando aos seus relógios presos a correntes de ouro. No entanto os custos não só pela manutenção de seus vagões como também pela concorrência dos aviões encer­ravam definitivamente as viagens emocio­nantes e românticas nos trens. Fim de uma época! Um adeus emocionante e que talvez tenha deixado saudades aos nossos avós!

Tempos Modernos

Os aviões reduzem o tempo de viagem. Surge a Ponte Aérea, incialmente operada por velozes aviões “Convair” tipos 340 e 440, da VARIG. Sem contar o aparecimento deum moderno avião, que possuía escadas retráteis e motores turboélicee ostentava o nome VASP.

A Cruzeiro do Sul, uma das companhias aéreas que operavam na época, inovou com o Caravelle, o primeiro jato puro. As viagens demoravam cerca de 1 hora e no ápice da Ponte Aérea, as aeronaves partiam, simulta­neamente a cada uma hora, do aeroporto de Congonhas, em São Paulo e outra do Santos Dumont, Rio de Janeiro.

Dizia-se, na época, que se podia acertar os relógios devido a pontualidade da Ponte Aérea. Hoje, as estações, outrora palcos de desfiles, quando muito, são aproveitadas para os terminais de metrô ou mesmo para viagens detrens metropolitanos apinhados de gente.

Só ficou histórias!

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