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Pílulas que imitam os benefícios da atividade física estão sendo desenvolvidas por cientistas

Pesquisadores de diferentes cantos do mundo descobriram uma série de substâncias benéficas liberadas durante ou depois da prática da atividade física nos últimos cinco anos. Esses especialistas buscam, agora, encapsular esses com­postos, que vão desde um hormônio que queima a flacidez, até uma proteína que aumenta a memória.

As pílulas, a depender da substância, impactariam no ganho muscular, na queima de gordura ou no aumento da capacidade pulmonar, e são estudadas para auxiliar pessoas que não conse­guem emplacar o exercício físico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 minutos semanais de exercício moderado.

Ao jornal O Globo, o educador físico Gustavo Cardozo, diretor técnico-cientí­fico do Centro de Medicina do Exercício no Brasil (Decordis), afirma que o avanço das substâncias está ocorrendo rapida­mente:

— Essa área está caminhando depres­sa. O exercício produz estímulos para a produção de determinados compostos que até muito pouco tempo não eram conhecidos. Os recentes avanços foram realizados por pesquisadores america­nos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O estudo foi publicado na revista Nature, no qual descobriram a proteína denominada como clusterina, um composto anti-inflamatório liberado em grandes quantidades quando uma pessoa se exercita. Essa ação ajuda a memória a ficar mais “afiada”.

Em outra análise, pesquisadores da Universidade Nacional Australiana, em Camberra, na Austrália, identificaram produtos químicos que contribuem para a redução de risco de degeneração macular relacionada à idade, durante o exercício.

O estudo foi publicado na revista Clinical and Experimental Ophthalmology, que evidencia a inclusão de proteínas associadas ao desenvolvimento e so­brevivência de células cerebrais. A partir dessa descoberta, os pesquisadores esperam produzir um medicamento que proporciona esses benefícios naturais do exercício para pessoas muito idosas ou frágeis.

Há equipes trabalhando em outros suple­mentos que também fornecem melhorias na saúde, como perda de peso e ganho de massa muscular. Um hormônio cha­mado irisina foi identificado por cientistas do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, nos Estados Unidos. A substância produzida pelo corpo é liberada pelos músculos durante o exercício e pode ajudar a converter gordura branca, a forma de armazenamento de energia responsável pela maior parte da gordura nos humanos, em gordura marrom, que queima as calorias. Além disso, auxilia no fortalecimento dos ossos.

Mesmo com esse avanço esperançoso para muitas pessoas ao redor do mundo, é difícil que algum dia vá existir uma pílu­la que substitui o exercício por completo. O sugerido pelos cientistas que tratam das substâncias estudadas é um modelo híbrido, no qual deva haver um conjunto da prática de exercícios com a ingestão desses suplementos.

— Não há substituto total para o exer­cício. O exercício é muito mais que um efeito fisiológico. Ele gera um bem-estar pisco-físico-social extremamente benéfi­co para o ser humano como um todo — disse Cardozo.

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