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Cacá Filippini – A influencer conta a história de superação que viveu

Texto de ALETHÉA MANTOVANI
@aletheamantovani

Ela é uma influen­cer de sucesso nas redes sociais e a sua traje­tória como tal começou há exatos sete anos. Cacá Filippini, 43 anos, é hoje uma referência no mundo digital ao dar dicas sobre vida descomplicada, moda, maternidade, bem-estar viagens e muito mais…

Porém, antes de entrar no mundo virtual, Cacá deu os seus primei­ros passos escritora como em 2008, três meses após o nasci­mento do seu filho mais novo, Rafael, hoje com 13 anos de idade. Na ocasião, ele teve uma hemor­ragia cerebral, ficou 31 dias na UTI e isso foi a mola propulsora para Cacá criar o blog “Diário de Uma Mãe Especial”, onde ela abor­dava o dia a dia de uma criança especial, com as suas dificuldades e limitações.

A influencer conta que, até os nove meses de vida, seu filho nem mesmo enxergava direito, então o blog veio como uma oportunidade para ela conversar e trocar ideias com outras mães que passavam pela mesma situação.

Mas, o que ninguém imagina­va é que a influencer, com sua perseverança, fé e pensamento positivo, iria fazer um trabalho de Programação Neurolinguística (PNL) com o filho, e isso ajudaria a mudar o diagnóstico inicial que foi dado para ele.

Hoje, Rafael é um adolescente que tem uma vida bem diferente daquela imaginada pelos médicos, pois ele recuperou a visão após um tratamento que fez com células tronco, também fez várias terapias que o auxiliaram no seu desenvolvimento e consegue estu­dar em uma escola regular, apesar de ter algumas limitações em relação às outros adolescentes da sua idade. Porém, a sua situação atual está muito mais próxima da normalidade do que previam os especialistas.

“O Rafa é um exemplo de determinação o tempo inteiro, pois está sempre superando as expectativas das pessoas e isso é muito legal. Portanto, uma coisa que eu sempre repetia para ele desde a UTI, durante as suas primeiras horas de vida, é que tudo tem o seu tempo e para ele não se preocupar com o tempo dali. Eu dizia: ‘Faça o seu tempo!’ E é isso que ele faz, tudo ao tempo dele” – conta.

Após a experiência com o blog, em 2015, Cacá Filippini começou de fato a se destacar como influencer e a despontar no Instagram, onde tem hoje quase 350 mil seguido­res e faz muito sucesso com as suas postagens.

Além disso, a influencer criou ain­da a colunas #estilodescomplica­do, onde fala sobre comportamen­to, maternidade, moda, beleza, viagens e outros assuntos, de um modo simples, leve e descontraí­do. Tem também a #nossoescape, que fala da construção de uma casa funcional e sustentável, e a #365para42, que conta sobre os preparativos da brasileira rumo à maratona de Nova Iorque, que acontecerá no final deste ano. Ah, e ela tem mais um projeto que estará em breve no ar e contará histórias de mulheres reais.

Acompanhe a seguir a entrevista que Cacá Filippini concedeu à Linha Aberta Magazine.

LINHA ABERTA – De que maneira come­çou a sua trajetória como influencer?

CACÁ FILIPPINI – Efetivamente em 2015, mas em 2008 eu dei os primeiros passos, quando o meu segundo filho nasceu, teve uma hemorragia cerebral e foi desengana­do pelos médicos. Além disso, o pai dele e a sua família nos deixaram na mão. Com o passar dos primeiros meses, eu vi que estava vivendo o mesmo que muitas mães de crianças especiais e criei um blog para me desabafar. Com isso, eu criei também uma rede de mulheres, de mães solo com as suas histórias. De lá a me tornar uma influenciadora que fala da vida real e ga­nha dinheiro com isso foram mais alguns anos.

LINHA ABERTA – Como você utilizou a programação neurolinguística para que o seu filho superasse o diagnóstico de que viveria em estado vegetativo? Como foi esse processo?

CACÁ FILIPPINI – Eu sempre fui muito adepta à programação neurolinguísti­ca (PNL) e leitora assídua do escritor Napoleão Hill, que teve um filho que não escutava. Porém, por meio da PNL, ele fez com que o filho pudesse ter 30% da audição, pois construiu outros caminhos no cérebro dele. Sabendo disso, eu pensei em fazer o mesmo com o meu filho. Eu sempre me baseei muito na PNL, na cons­trução do mundo que eu quero, mesmo diante das adversidades. Um exercício de grande valia começar a imaginar alguma pessoa ou você na situação desejada. Então, no caso do meu filho, eu ia visitá-lo na UTI e, ao olhá-lo, eu imaginava-o no berço de casa, saudável e interagindo com o ambiente. E era como se eu conseguisse tirar todas aquelas medicações que ele es­tava utilizando e só sobrasse ele em casa, brincando, correndo e andando. E isso não era uma negação, mas uma construção de realidade. O Rafa é um exemplo de deter­minação o tempo inteiro, pois está sempre superando as expectativas das pessoas e isso é muito legal. Eu sempre repetia para ele desde a UTI: “Faça o seu tempo!” E é isso que ele faz, tudo ao tempo dele. Até hoje, quando eu escuto algum especialista dizendo que há alguma restrição para ele, eu já começo a imaginar outras coisas diferentes das quais ele é fadado. E ele também já faz isso. Então, o cérebro dele entende que aquele é o caminho e não as verdades pragmáticas que as pessoas dizem.

LINHA ABERTA – Você acha que a PNL pode ser utilizada para qualquer pes­soa e em qualquer idade?

CACÁ FILIPPINI – As pessoas adeptas à PNL conseguem construir a sua reali­dade porque aquilo que elas idealizam passa a ser o universo delas. Então, elas conseguem visualizar e interagir com esse mundo. Essa programação funciona para qualquer pessoa e em qualquer idade, desde que a pessoa entenda que isso é um mecanismo não de autoenganação, mas de criação da realidade. Você programa o seu cérebro para receber e captar as informações que são importantes para você. Algumas vezes essa programação é quase instantânea. Por exemplo, quando uma pessoa deseja ter um certo carro e daí ela entra no seu automóvel atual e tem a certeza de que já está entrando no carro idealizado, pois o visualiza e sente o cheiro do carro novo. Porém, isso não é uma enganação, mas a entrada numa frequência e sintonia.

LINHA ABERTA – Como você concilia as tarefas de influenciadora, mãe, esposa e viajante?

CACÁ FILIPPINI – Eu não tenho dificul­dades hoje, mas no passado era mais complicado com filho menor e mais dependente de mim. Daí vinha aquele sentimento de culpa que geralmente a mãe carrega quando vai viajar. Hoje, os meus filhos sabem o quão realizada eu sou com o meu trabalho, e o meu atual marido, além de me apoiar, me incentiva e contribui positivamente para cada toma­da de decisão minha.

LINHA ABERTA – O que uma mulher precisa para ser empoderada? Você se considera uma delas?

CACÁ FILIPPINI – Primeiramente, essa mulher precisa ter claro quem ela é, quais os seus propósitos e aonde quer chegar. Empoderamento nada tem a ver com se sobrepor aos demais e menos ainda em ser a dona da verdade. Uma mulher em­poderada encanta ao falar, seus atos são harmônicos com a sua fala e tudo é genui­namente natural. A mulher empoderada empodera os demais porque sabe ouvir e valorizar o outro, julga menos, aprende com os erros e os acertos dos outros e, principalmente, sempre está ao lado e não à frente e nem atrás dos demais. Sim, eu me considero empoderada.

LINHA ABERTA – Você já sofreu algum preconceito ou machismo durante a sua experiência como influencer?

CACÁ FILIPPINI – Eu já sofri muitas vezes. Infelizmente, existe um entendimento de que estar na Internet é não ter o que fazer (quando se faz muito!) e ser exibida. Quando solteira, eu já enfrentei muito preconceito ao falar que era influenciado­ra ou que trabalhava com a Internet.

LINHA ABERTA – Quais são as pessoas que te influenciam atualmente?

CACÁ FILIPPINI – As pessoas reais e com vidas reais. A cada dia eu me deparo com uma. É gente como a gente. Quanto mais os anos passam e eu conheço os bastido­res, mais quero estar conectada a quem tem uma boa história de vida para me contar. Estas pessoas me inspiram porque são reais.

CACÁ FILIPPINI COM O MARIDO ANTONIO, OS FILHOS LEONARDO E RAFAEL E OS ENTEADOS ALLAN E LUCAS. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

INHA ABERTA – Você já sofreu com os haters?

CACÁ FILIPPINI – Sofrer não, mas eu já tive experiências com haters que comen­taram alguma foto minha. Mas, antes mesmo que eu visse, os meus seguidores sempre me defenderam. Eu procuro responder a quem faz um elogio e não àquele que vai me provocar com algo que fala muito mais dele do que de mim. Eu valorizo quem me valoriza.

LINHA ABERTA – O que você faz para manter o interesse dos seus seguido­res? É uma tarefa difícil?

CACÁ FILIPPINI – A tarefa não é fácil, mas eu procuro sempre trazer conteúdo e informações que possam interessar mais às pessoas do que falar sobre mim. Eu não sou aquela influenciadora do “me, myself and I”. Eu uso o meu dia a dia e o meu conhecimento para agregar ao outro e não para massagear o meu ego. Eu acredito que a parte mais difícil é se fazer entender nos tempos modernos, pois às vezes, mes­mo sem intenção, uma fala pode machu­car alguém que nos lê.

LINHA ABERTA – Quantos países você conhece e qual o lugar mais exótico que visitou?

CACÁ FILIPPINI – Foram 17 países bem visitados e não somente “passadinhas” e, mesmo assim, eu digo que o Brasil é o mais exótico. Antes de atuar como influ-viajante, eu conhecia São Paulo-Rio e achava que conhecia o meu país. Sabia de nada inocente! Nestes sete anos, eu conheci cada cantinho brasileiro, que não perde nem para os deslumbrantes países asiáticos. Eu costumo dizer que o Brasil tem vários Brasis e que aqui cabe o mundo.

LINHA ABERTA – Quais os conselhos que você dá para as pessoas que pre­tendem ser influenciadoras, mas não sabem por onde começar?

CACÁ FILIPPINI – Primeiro elas precisam deixar o EGO em segundo plano. Ser famosa no Instagram pode ser o mesmo que rica no Banco Imobiliário. Eu também recomendo não criar um personagem, pois as pessoas já têm alguns e muitos seguidores já se cansaram do mundo perfeito instagrámavel. Por fim, procurem falar o que o outro quer ouvir. A Internet e as suas mídias nada mais são do que um grande buscador. As pessoas consultam sites, seguem canais e perfis por busca de respostas.

LINHA ABERTA – Quais são os seus próximos projetos?

CACÁ FILIPPINI – Eu sigo com o meu #estilodescomplicado, compartilhando dicas para viagens, moda, beleza, compor­tamento e maternidade, mais conectados ao que realmente importa e de forma mais leve. Recentemente, eu mergulhei na retomada do sonho de correr a New York Marathon e, desde novembro de 2021, venho compartilhando o meu preparo, os perrengues, os desafios e dou boas dicas ligadas ao universo de quem passa 365 dias se organizando para correr 42.195 km. É o #365para42. E, por fim, a cons­trução de uma casa funcional, descompli­cada, acolhedora e com viés de sustenta­bilidade, o #nossoescape. Há ainda um projeto pelo qual eu tenho muito carinho e que, se conseguirmos o patrocínio, em breve estará no ar e irá atrair muitas mulheres reais e com histórias reais.

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