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Quais são as curas que você precisa fazer para dividir as suas potências com o mundo?

Texto de Lucyane Novaes

@LUFICOFOCA

Desde que me mudei para a América com o meu marido, carreira sem­pre foi a minha pedra no sapato. No começo foi tudo muito difícil, era bastante coisa nova e eu estava muito apegada ao que tinha no Brasil. Demorou demais para que eu me abrisse para novas áreas e passasse a tentar coisas diferentes. Eu gostava do que fazia no Brasil, tinha muita experiência com desenvolvimento de talentos e a ideia com a mudança, era continuar me aperfeiçoando e dar sequência à minha carreira. Só que não aconteceu. E o vazio de ter me tornado a sombra do meu marido, foi aumentando. Pelo menos era assim que eu me sentia; trabalho não tem impacto só financeiro, mas social e psicoló­gico também. Até que decidi me abrir para coisas diferentes e as oportunidades foram aparecendo. Trabalhei para grandes organizações, a vida pessoal também foi acontecen­do… vieram os filhos e os desafios que a mulher imigrante precisa encarar para conciliar maternidade com a vida profissional.

Nessas horas você entende o quanto faz falta a rede de apoio e o quanto a vida aqui é muitas vezes solitária. Praticidade virou um dos meus mantras. Deu certo! O que não deu certo, é que mesmo trabalhando, mesmo tendo o meu dinheiro e mesmo estando ocupada 300% do meu dia eu sentia um vazio tremendo. Bom, para encurtar uns bons anos, resolvi empreender. Agora vai! Eu pensei. Quantas vezes você também pensou isso? Só que no meu caso, não foi. Eu continuava com o mesmo vazio que sentia quando estava no corporativo. Wow. O que tinha de errado comigo?

Nada. Não tinha nada de errado. É que ninguém nos prepara para viver uma mudança como esta que vai impactar todas as áreas da nossa vida. Tem até uma especialidade dentro do Coaching, o Core Dynamics Transitions – que fui inclusive me aprofundar e tirei a certificação, justamente para ajudar as pessoas a lidarem com processos de mudança.

Casamento, maternidade, mudanças geográficas, perdas, tudo isso impacta a vida profis­sional.

Mas o que aconteceu comigo então? Como eu consegui virar o jogo e me realizar profis­sionalmente, já que hoje sou inclusive, mentora de carreira? Aconteceu que os anos foram passando e eu estava vivendo só do lado de fora, apagando incêndios, abafando as minhas emoções, relevando para tocar o barco, tentando ser forte e quando eu percebi, tinha me perdido de mim mesma.

É esquisito pensar como isso acontece, se a gente continua lá. Mas a sensação é esta, de estar perdida. Só se perde quem está em movimento e foi justamente o movimento que me fez enxergar isso. Se eu não tinha os resultados que buscava trabalhando para alguém e nem traba­lhando para mim mesma eu precisava mudar a rota e no meu caso, foi para o lado de dentro. Eu precisava olhar para essa versão do presente e refletir sobre a minha versão futura para entender o que de fato eu buscava.

Eu gosto de imaginar uma tela de pin­tura dividida em três partes. Se quiser, aproveita e faz este exercício comigo.

À esquerda é a minha versão passada. Gosto de olhar para ela porque foram as decisões que eu tomei lá atrás que me trouxeram até aqui. Que decisões te trouxeram até o ponto em que você está hoje?

No meio do quadro, tem a minha versão do presente. O meu trabalho, a minha família, as minhas emoções e necessi­dades. E do lado direito, tem um espaço em branco para a minha versão futura. Eu olho para as decisões do passado (tentando remover o julgamento), ob­servo o meu presente e desenho, como quem tem um pincel nas mãos, a minha versão futura.

Já parou para pensar, que versão sua você quer encontrar daqui um ano, por exemplo? Fazer este e outros mergulhos profundos de autoconhecimento tem sido um processo de desconstrução que tem me permitido construir todos os dias uma vida alinhada ao que eu quero.

E quando eu olho para trás, vejo o quan­to essa jornada de realização profissio­nal como mulher e como imigrante, tem sido um processo de cura.

Eu precisei deixar de lado o vitimismo. Precisei parar de querer ser forte o tem­po todo e me abrir para pedir e aceitar ajuda. Eu tive que parar de tolerar o intolerável; a gente não precisa deixar as coisas saírem de controle para tomar uma ação, mas essa ação precisa ser direcionada para aquilo que a gente busca.

E por fim, precisei entender que enquanto eu estava renunciando aos meus sonhos pela família, pela casa, por trabalhos que não me preenchiam, eram justamente essas pessoas que eu estava deixando na mão.

Hoje eu posso dizer que sou uma mu­lher muito realizada profissionalmente. Eu continuei com o negócio que havia iniciado, porém totalmente reformulado e alinhado à minha essência. Isso me permitiu avançar em meses, o que eu não tinha conseguido em anos.

E se os seus sonhos na América incluem realização profissional, lembra disso, as respostas ficam do lado de dentro e não fora de nós. Estas foram as curas que eu precisei fazer. E você, quais são as curas que você precisa fazer para dividir as suas potências com o mundo?

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Lucyane Novaes tem de 10 anos no universo corporativo, já trabalhou para empresas da lista Fortune 500 nos Estados Unidos, criou programas de desenvolvimento para mais de 20.000 colaboradores de grandes organiza­ções no Brasil. Já lançou 3 produtos digitais, liderou times remotos, palestrou e desenvol­veu projetos para líderes de diferentes indús­trias. Hoje, com clientes no Brasil, Europa e Estados Unidos, apoia indivíduos e organiza­ções a transformarem alto potencial em alta performance. Uma das suas especialidades é carreira feminina e o quanto as transições que a mulher atravessa ao longo da vida afetam a sua vida profissional.

Instagram: @luficofoca

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