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Entrevista: O artista e professor de história da arte Dante Velloni

ENTREVISTA DE ARILDA COSTA MCCLIVE

Dante Velloni possui graduação em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo com Mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Univer­sidade de São Paulo e com Doutorado incompleto na Escola de Comunicações e Artes – USP.

Durante sua vida acadêmica universitária foi Professor do cur­so de Pós-Graduação em História da Arte da FAAP-Fundação Armando Álvares Penteado e Professor Titular na Universida­de de Ribeirão Preto, além de professor convidado do Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto e ter ministrado Seminário sobre arte na Accademia di Belle Arti di Brera, em Milão.

Como artista, já expôs suas obras coletivamente na XIII Bienal Internacional de São Paulo, na Exposição Brasil/Japão, Salão Paulista, Salão Nacional Funarte, Centro Cultural São Paulo. Individualmente já expôs suas obras na Galeria da Embaixada do Brasil em Roma, na Galeria Cardano de Pavia (Itália), Galeria Ibrit de Milão, na Galeria Infraero de São Paulo, Museu de Arte Brasileira-FAAP, na Galeria Ka de Barcelona e Galeria Marcan­tonio Vilaça de Bruxelas.

Teve seu portfólio publicado na revista francesa L’Oeil de la Photographie. É artista citado como referência na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais, no conceito de Intervenção, como um dos precursores das Intervenções no Brasil

Dante Velloni ainda ministra um curso completo de História da Arte Online ( https://historiadaarteonline.com.br ) que é Reconhecido e Chancelado pelo Ministério da Educação e Cultura brasileiro.

LINHA ABERTA: Como e quando se dá o seu primeiro contato com as Artes e que despertou seu desejo de ser um artista plástico?

DANTE: Como todas as crianças da minha geração, fui “descoberto” pela minha família, que sempre reconheceu e estimulou nossos talentos, o que me levou a fazer um curso livre de arte numa escola bastante conservadora, em Ribeirão Preto (minha cidade natal), onde tive um primeiro contato sistemático com a arte. Em seguida, já ado­lescente, fiz estágio e trabalhei em diversos estúdios de comunicação visual, nos quais aprendi muito da arte de representar a figura com muito realismo.

Mais tarde, já adotando a arte como meu caminho a ser trilhado, fui cursar artes plásticas na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, na qual me dediquei intensamente e recebi seu título de “Aluno do Ano”. Junto com esse título, recebi o convite da Diretoria da Faculdade de Belas Arte para integrar seu corpo docente e fui contratado como professor assistente, lecionando as discipli­nas de Pintura e História da Arte.

Felizmente, desde então, como artista e como professor de História da Arte, tive o privilégio de sempre trabalhar com o que gosto e estar em contato com a arte 24 horas por dia. Estou sempre refletindo e questionando seus conceitos e, essa reflexão sempre foi fundamental para construir meu pensamento e me tornar quem sou.

Hoje, além da graduação em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, sou Mestre pela Faculdade de Arquitetu­ra e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Como professor, lecionei no curso de Especialização em História da Arte da FAAP­-Fundação Álvares Penteado de São Paulo e no curso de Aperfeiçoamento do Programa História da Arte Online.

LINHA ABERTA: Como é o seu processo criativo, o que te inspira?

DANTE: No sentido conceitual, minha obra não se limita a tratar somente de ameaças como a que nós humanos hoje enfrentamos, mas refere-se a qualquer tipo de ameaça, seja ela biológica além do Covid19, como a aids, ebola e cólera, seja ela também como ameaças diversas entre os próprios seres humanos, a exemplo das guerras, do terrorismo, da violência urbana e até das palavras de ódio de um Presidente de um país. Uso o termo Velature (veladuras) para indicar finas camadas aplicadas uma ou mais vezes sobre uma mesma superfície. Nestas obras, que produzo sem o uso da máquina fotográfica (cameraless), as com­posições são feitas com os próprios objetos organizados minuciosamente sobre o scan­ner de tal maneira que deixo transparecer as camadas mais abaixo e mais acima como se fossem “véus”, os quais obedecem a uma hierarquia subjetiva que o próprio conceito da obra exige.

LINHA ABERTA: Quais os materiais que você utiliza em suas obras?

DANTE: Os materiais que utilizo para pro­duzir minha obra, nesta fase da produção de cameraless é, essencialmente, um scanner especial, com o qual faço minha arte experi­mental sem o uso de câmera tradicional. De­pois de captar a imagem digitalmente, faço impressão da obra pelo sistema Fine-Art, isto é, usando pigmentos minerais, papel de algodão puro e imagem alta resolução.

LINHA ABERTA: O produto de uma obra sua é único ou tem alguma relação próxi­ma ou distante de sua obra anterior?

DANTE: Não, normalmente, desenvolvo séries de trabalhos, nos quais seleciono um meio técnico para transportar o conceito. Quando sinto que o que eu tinha que falar se esgotou e não parece fazer mais sentido continuar a produzir trabalhos daquela sé­rie. Porém, traçando um olhar retrospectivo, tenho várias fases que, nas suas essências temáticas, dialogam entre si.

LINHA ABERTA: Quais são as habilidades fundamentais para o artista na cena atual?Para se produzir arte contem­porânea, não há nenhuma habilidade pré estabelecida a que um artista deva desempenhar.

DANTE: A arte atual não exige nem que seja o próprio artista o executor da obra. A arte é uma produção intelectual primorosa, onde as emoções estão inseridas no contexto da criação, porém na história da arte, vemos que muitos artistas são derivados de outros, seguindo técnicas e movimentos artísticos através do tempo.

LINHA ABERTA: Você possui algum mode­lo ou influência de algum artista?

DANTE: Sem dúvida que tenho muitas influ­ências. Elas são tantas que fica impossível apontar somente uma. Num determinado tempo de minha vida, mais na juventude, o surrealismo de Salvador Dalí foi minha inspiração. Noutro momento, os expressio­nistas alemães me marcaram profundamen­te, mas Se você fosse resumir em poucas palavras o significado das Artes na sua vida. A arte na minha vida é tanto o prazer do sentir e compreender, quanto, às vezes, as frustrações por não alcançar muito do que almejei na minha vida de artista.

LINHA ABERTA: Todo artista tem seu mentor, aquela pessoa a quem você se espelhou que te incentivou e te inspirou a seguir essa carreira, indo adiante e levando seus sonhos a outros patamares de expressão, quem é essa pessoa e como ela te introduziu no mundo das artes?

DANTE: Tive também vários mentores. Inicialmente, quando criança, como disse, meus pais me estimularam bastante. Na juventude, meus amigos próximos que ad­miravam minhas obra me destacavam como aquele que tinha um “dom” especial.

Quando estudante de graduação, minhas queridas Professoras Heloisa Ferraz e Elza Ehzemberg da Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Mais adulto, durante o Mestrado, tive a honra e o prazer de ser um pupilo do grande poeta concreto brasileiro Décio Pig­natari, de quem absorvi tanto conhecimento teórico quanto postura ética profissional. Mais tarde ainda, quando cursei, sem con­cluir, o meu Doutorado, tive como modelo a Professora Elide Monzeglio, uma das maio­res conhecedoras das Teorias das Cores e da composição plástica.

LINHA ABERTA: Suas principais ex­posições nacionais e internacionais e suas premiações? (mencione as 5 mais recentes).

DANTE: Como artista plástico tenho mos­trado meu trabalho em galerias e museus do Brasil e do exterior, a exemplo das exposições no Centro Cultural São Paulo de São Paulo, KA. Gallery de Barcelona, Galeria Casa do Brasil de Madrid, Galeria Marcanto­nio Vilaça de Bruxelas, Embaixada do Brasil de Roma, Galeria Cardano de Pavia (Itália), além de publicações do meu portfólio na revista francesa L’Oeil de la Photographie, que é uma das mais conhecidas e respeita­das do mundo.

LINHA ABERTA: Seus planos para o futuro?

DANTE: Hoje tenho me dedicado muito ao Programa História da Arte Online com muitas Lives abertas ao público e a revisão e reestruturação de todas as aulas do curso, que hoje é Reconhecido e Chancelado pelo Ministério da Educação e Cultura do Brasil. Para meu futuro como artista, queria intensificar minha produção de pintura e cameraless para suprir as exposições que tenho programadas em Catania na Sicília, Itália e em Vancouver, no Canadá.

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