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Mario Teixeira e Rachel Anthony contam detalhes de “Passaporte para Liberdade”

No dia 20 de dezembro, o canal internacional da Globo exibiu a estreia mundial de ‘Passa­porte para Liberdade’, minissérie estrelada por Sophie Charlotte e Rodrigo Lombardi. A superprodução, baseada em uma história real, mergulha na saga emocionante de Aracy de Carvalho (Sophie Charlotte), funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, que, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou a salvar judeus do Holocausto. Autor da obra, que a princípio seria gravada em português, Mario Teixeira contou com a parceria da escritora britânica Rachel Anthony para reconstruir a trama em inglês. A produção, com oito capítulos, será exibida de segunda a quinta, em versão dublada. Na entrevista, os dois revelam detalhes sobre a minissérie. ‘Passaporte Para Liberdade’ é a primeira produção da Globo em parceria com a Sony Pictures Televison. A minissérie tem criação de Mario Teixeira, foi escrita por Mario Teixeira e Rachel Anthony, com direção artística de Jayme Monjardim, direção de Seani Soares e produção de Samantha Santos, Mariana Pinheiro e Fabiana Moreno. A produção executiva é de Silvio de Abreu, Monica Albuquerque, Elisabetta Zenatti e Rachel Anthony.

FOTOS: RACHEL ANTON. CRÉDITO: GLOBO/VICTOR POLLAK
MARIO TEIXEIRA. CRÉDITO: GLOBO/VICTOR POLLAK
JOÃO (RODRIGO LOMBARDI) E ARACY (SOPHIE CHARLOTTE). CRÉDITO: JAYME MONJARDIM

LINHA ABERTA: Como você define ‘Passaporte para Liber­dade’ e como surgiu a ideia de escrever a minissérie?

MARIO TEIXEIRA: A ideia partiu do diretor Jayme Monjardim. Ele queria contar a história dessa mulher que poucos brasileiros conhecem. Escrever sobre a Aracy de Carvalho era instigante do ponto de vista da criação. Mais do que um resgate histórico de sua memória, ela seria apresentada a nós brasileiros e ao mundo como realmente foi: uma mulher comum que ousou desafiar as maiores instâncias de poder de sua época. Tal atitude humanitária é hoje de fácil compreensão, mas temos que notar que, à época, ela era uma simples burocrata que se insurgiu contra dois governos, o brasileiro e o ale­mão, para fazer o que hoje sabemos que é certo. Mas, naquele momento, com risco da própria vida, ela não tinha essa perspectiva histórica.

LINHA ABERTA: Para você, qual a impor­tância de contar a trajetória de Aracy para os brasileiros e para o mundo?

MARIO TEIXEIRA: Contar a história de Aracy é recuperar o legado de fé e esperan­ça que ela deixou. Temos que nos orgulhar dessa brasileira tão discreta, que falou tão pouco de si mesma, jamais fez alarde de seus atos. Era uma mulher comum que decidiu agir. Aí é que está sua grandeza. Mesmo sendo tão vulnerável, ela mudou o destino de muitas pessoas.

LINHA ABERTA: Como foi para você a cons­trução da narrativa em outra época?

MARIO TEIXEIRA: O mais complexo, quando se trata de uma história de época, é encarnar um personagem de outro tempo, com outros valores, sob outra perspectiva histórica. Aracy não viveu apenas num mundo conflagrado, mas numa socieda­de vigiada, onde os direitos civis foram abolidos. Diante disso, como se portaram as pessoas comuns em meio à barbárie na­zista? Parti de relatos da época, de diários como os de Victor Klemperer, para esta­belecer essa relação. Tive acesso a cartas de pessoas comuns a Hitler, por exemplo. São mensagens, de revolta e apoio, para o ditador, um retrato multifacetado de uma época singular, de uma nacionalidade que perpetrou o maior massacre da história da humanidade. Como Aracy se sentiu em meio a isso? Só podemos especular e imaginar.

LINHA ABERTA: Como foi o trabalho com Jayme Monjardim e a equipe de produção?

MARIO TEIXEIRA: A equipe de produção foi heroica. As gravações foram interrompi­das e retomadas por conta da pandemia. Eu nunca vi tanta garra e tanta determinação. A equipe, capitaneada pelo Jayme, incor­porou o espírito de Aracy. Acompanhamos, Rachel e eu, o início das gravações. Tenho muito orgulho desse time e da estrutura de produção da Globo, que nos possibili­tou segurança e apoio incondicional para a realização desse trabalho. Jamais vou esquecer.

LINHA ABERTA: Como você conheceu a história de Aracy?

RACHEL ANTHONY: Eu assisti a um docu­mentário sobre Aracy, li a sua biografia e as cartas que ela enviava para a mãe. Quando soube do seu trabalho secreto para salvar a vida de judeus do Holocausto, fiquei fasci­nada por ela. Ela foi uma mulher extrema­mente corajosa, um exemplo à frente do seu tempo. As pessoas que a conheciam a descrevem como uma mulher destemida. E o fato de que ela fez esse trabalho na Alemanha, lugar que tinha pouca resis­tência ao nazismo, deixa tudo ainda mais extraordinário.

LINHA ABERTA: Como surgiu a colabora­ção com o Mario Teixeira?

RACHEL ANTHONY: Fui convidada pela Sony para trabalhar com o Mario em uma série que seria lançada no mercado internacional. E foi realmente maravilho­so colaborar com ele, uma pessoa muito generosa e aberta para experimentar novos métodos de trabalho. Nós passamos três semanas em São Paulo construindo a his­tória juntos e, ao final, já estávamos muito amigos. Nos divertimos muito construindo as trajetórias dos personagens, mapeando suas jornadas e encontrando os caminhos mais interessantes e surpreendentes.

LINHA ABERTA: Na sua opinião, qual é a mensagem-chave da trama?

RACHEL TEIXEIRA: Acho que o mais marcante da história de Aracy é como ela conseguia enxergar, com tanta clareza, o que era a coisa certa a se fazer – e tomar a iniciativa de fazê-la, enquanto todos ao seu redor estavam persuadidos ou apavorados com o governo nazista. Quando olhamos para trás nos dias de hoje, vemos com clareza que os planos de Hitler eram maléficos e precisavam ser detidos, mas pouquíssimas pessoas na Alemanha esta­riam dispostas a correr o mesmo risco que Aracy. É uma mensagem muito importante e que continua extremamente relevante nos dias de hoje.

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