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Brasil deve crescer 5% neste ano mas pode ter desaceleração forte em 2022, diz OCDE

A economia brasileira deverá crescer 5% em 2021 (repor final sairá este mês), mas em 2022 há riscos de forte desaceleração e o PIB do país deve aumentar apenas 1,4%, segundo previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A expansão do PIB brasileiro deverá ficar pouco abaixo da média de crescimento da economia mundial em 2021, projetada em 5,6%, e poderá ser bem inferior à média global em 2022, estimada em 4,5%, de acordo com a organização.

A economia brasileira também deverá crescer menos em 2022 do que a de vários países da América Latina, como a Argentina (2,5%), Chile (2%), Colômbia (5,5%), Costa Rica (3,9%) e México (3,3%). Em seu estudo sobre perspectivas para a economia mundial, lançado nesta quarta e publicado semestralmente, a OCDE, com sede em Paris, afirma que a aceleração da campanha de vacinação no Brasil contribuiu para a retomada do crescimento neste ano.

A atividade econômica também foi sustentada pelos programas sociais, como o auxílio emergencial, encerrado em outubro, que contribuíram para manter o consumo, e pelo investimento privado. Além disso, o aumento dos preços das commodities durou mais do que o espera­do, impulsionando as exportações.

Por essas razões, a OCDE revisou para cima neste último estudo sua projeção de crescimento do PIB brasileiro neste ano, que era de 3,7% no relatório divulgado em maio, para 5% atualmente. “Com o levan­tamento das restrições às atividades e o retorno à normalidade, a demanda inter­na acumulada pôde recuperar o atraso dos últimos meses”, disse à Priscilla Fialho, economista especializada no Brasil do departamento de economia da OCDE.

Ao mesmo tempo, a OCDE alerta que o ritmo da recuperação da economia brasileira está desacelerando. A organi­zação revisou para baixo sua estimativa de expansão do PIB do Brasil em 2022, que era de 2,5% e passou para apenas 1,4%, segundo o relatório divulgado em dezembro.

“A revisão das projeções do PIB brasileiro para 2022 explica-se sobretudo pela de­saceleração no final de 2021, que deverá persistir até meados do próximo ano, enquanto os gargalos nas cadeias de suprimentos da indústria se mantiverem, a inflação permanecer elevada e o Banco Central continuar o aperto monetário, com juros mais altos, como resposta à elevação dos preços”, afirma Fialho.

Segundo ela, a recuperação da econo­mia brasileira deverá voltar a acelerar progressivamente no segundo semestre de 2022, à medida que os gargalos na cadeia de suprimentos global desapare­cerem. Também se prevê a recuperação do mercado de trabalho e a queda da in­flação, decorrente das taxas de juros mais altas, que devem contribuir para melhorar o rendimento das famílias e sustentar a expansão do consumo interno.

Mas a OCDE ressalta que há “riscos impor­tantes” de baixa para a previsão de 2022. Isso porque a crise hídrica pode durar mais tempo, o que leva ao aumento dos pre­ços da energia, “resultando em inflação persistente e perspectivas de crescimento menores.”

As incertezas políticas e o aumento do risco fiscal podem “minar a credibilidade” das regras fiscais, e resultar em inflação persistente e perspectivas de crescimento menor da economia brasileira no próximo ano, alerta o estudo da OCDE.

“Há muitas incertezas em relação a essas projeções. Não estamos, por exemplo, a salvo de uma nova crise sanitária e de novas restrições de mobilidade, como já se observa na Europa”, afirma a econo­mista da OCDE.

Um crescimento mais fraco do que o esperado na China – estimado em 8,1% neste ano e 5,1% em 2022 e 2023 – tam­bém pode prejudicar o desempenho das exportações brasileiras.

Fialho afirma que a maioria dos fatores que explicam a inflação são temporais, como o aumento dos preços da energia elétrica por conta da crise hídrica e a falta de suprimentos que elevam os preços dos bens industriais.

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