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Seca na Califórnia ameaça abastecimento de alimentos

A busca de água se tornou uma obsessão nos vales agrícolas do centro da Califór­nia, região que sofre uma seca que pode ameaçar o abastecimento de alimentos dos Estados Unidos. Os moradores obser­vam consternados como os campos ver­des se transformaram em planícies marrons e poeirentas, com árvores mortas, plantas murchas e agricultores desesperados.s Unidos e a proteger os empregos para os cidadãos nativos.

Em grande parte da Califórnia, e de toda região oeste dos Estados Unidos, as chuvas registram queda há vários anos e o último inverno foi especialmente seco. As autoridades estaduais e locais, que temem a falta de água para os moradores das cidades e para a fauna, cortaram abrup­tamente o fornecimento das fazendas, o que gerou indignação entre os agriculto­res.

Ao longo das estradas, entre as principais unidades agrícolas, outdoors exibem as frases “Economize a água da Califórnia”. A mensagem acusa as autoridades de “despejar… nossa água no oceano”.

Na Califórnia, que representa 13% da pro­dução agrícola dos Estados Unidos, os fa­zendeiros reclamam que o governador do estado, o democrata Gavin Newsom, está asfixiando o setor com as restrições, que deixariam os agricultores sem recursos para abastecer os supermercados do país. ”

As autoridades californianas não parecem ouvir a mensagem. Em agosto, aprovaram uma nova lei de emergência para impedir que milhares de pessoas — sobretudo agricultores — desviem o fluxo de córregos e rios.

“Em um ano em que a mãe natureza não provoca chuvas, não há água para eles”, disse Jeanine Jones, secretária do Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia. Quando as autoridades cortam o abastecimento de água, os agricultores são obrigados a depender dos poços, cavados a centenas de metros de profun­didade, mas que têm custo de milhares de dólares.

Mas até estes poços secam. “A situação é bastante terrível, disse Liset García, que de­pendia da água de um poço para regar metade de sua granja de oito hectares. E agora tudo está seco.

García aguarda há semanas que uma empresa de perfuração de poços, um serviço saturado pela alta demanda, compareça a sua fazenda para tentar encontrar água nas profundidades do solo. Sentada em sua banca de verduras, perto da cidade de Reedley, esta agricul­tora de 30 anos atende os clientes com um entusiasmo que nada tem a ver com os estragos em suas terras. O calor destruiu vários de seus cultivos, que “literalmente cozinharam sob o sol”.

“Tem muita folhagem que já está queima­da, assim como fruta que não atingem o tamanho, que não adquirem a suculência e doçura”, explica. “É quase um luxo inclu­sive ter comida”, afirma, com uma careta. “Parece loucura para você?”.

Os cientistas afirmam que a mudança cli­mática provocará episódios de seca ainda mais extremos e frequentes, colocando cada vez mais em perigo a segurança alimentar. Produzir alimentos nos Estados Unidos nestas condições será um desafio. Mas a região pode ter encontrado um salvador.

Nas terras sem cultivos, os painéis solares oferecem uma nova oportunidade de negócio e a promessa de um certo alívio para uma região que sofre com o aqueci­mento global.

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