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Enchentes e tempestades dominaram os desastres naturais nos últimos 50 anos

MENINO CARREGANDO ÁGUA EM COX’S BAZAR. AS CHUVAS JÁ DEIXARAM MILHARES DE
DESABRIGADOS/PATRICK BROWN/UNICEF

Uma análise da Organização Meteo­rológica Mundial, OMM, mostra que enchentes e tempestades dominaram a lista de desastres naturais nos últimos 50 anos. O impacto é histórico tanto em relação às mortes quanto aos prejuízos econômicos.

Os desastres que mais ceifaram vidas foram as secas, com 605 mil. A seguir estão as tempestades que causaram mais de 577 mil óbitos, as enchentes com 58,7 mil, e as temperaturas extre­mas com 55,7 mil óbitos. O Atlas da Mortalidade e das Perdas Econômicas devido ao Clima traz dados de 1970 a 2019. Neste período, as tempesta­des causaram prejuízos na ordem dos US$521 bilhões. As perdas com as cheias chegaram a US$115 bilhões.

A OMM destaca que no período ana­lisado, os desastres ligados ao clima e aos perigos da água foram responsáveis por 45% das mortes e de 74% dos prejuí­zos econômicos em nível global.

Ao lançar o relatório, em Genebra, o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, mencionou “as chuvas torrenciais e as enchentes destruidoras que cau­saram, recentemente, mortes tanto na Europa como na China”. Taalas também destacou as ondas de calor na América do Norte, que estão ligadas ao aquecimento global. O chefe da OMM explicou que a atmosfera tem ficado mais quente, com mais umidade. Como consequência, chove mais forte e os riscos de enchentes aumentam. De acordo com Taalas, nenhum país está imune, pois a “mudança climática está aqui e acontecendo agora”. A OMM destaca alguns eventos extremos que aconteceram recentemente na Europa e na Ásia. Na Alemanha, o volume de chuvas registrado entre os dias 14 e 15 de julho foi o equivalente a dois meses de precipitação. Além da Alemanha, as enchentes atingiram Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça, causando dezenas de mortes.

Entre os dias 17 e 21 de julho, o acúmulo de chuvas na província chinesa de Henan foi maior do que a média anual, causando enchentes. Segundo a OMM, 600 estações meteorológicas registra­ram um volume recorde de chuvas na China. Segundo a agência, vários estudos confirmam a influência humana nesses eventos chuvosos extremos. Mas apesar das tragédias serem recorrentes, o total de mortes por desastres naturais está caindo no geral, graças a melho­rias nos sistemas de alerta e de resposta aos desastres.

A Europa, por exemplo, registrou 1,672 desastres e mais de 159 mil mortes entre 1970 e 2019. Os prejuízos causados por enchentes, tempestades e tempera­turas extremas bateram os US$ 476,5 bilhões.

Duas grandes ondas de calor em 2003 e 2019 foram responsáveis quase 128 mil mortes no continente europeu.

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