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Marcello Camargo

MARCELLO CAMARGO COM A FOTO DE HEBE CAMARGO FOTO: LOURIVAL RIBEIRO

O FILHO DA ETERNA RAINHA DA TV BRASILEIRA, HEBE CAMARGO, FALA SOBRE A CARREIRA, SOBRE O LEGADO DEIXADO POR SUA MÃE E OS PRÓXIMOS PROJETOS

Texto de ALETHÉA MANTOVANI
@aletheamantovani

Ser filho da eterna rainha da TV Brasileira é para ele motivo de muito orgulho. E dela ele herdou a simpatia, o carisma e a “alegria de viver” – termo que a estrela sempre usava. Estamos falando de Marcello Camargo, 56 anos, filho da saudosa Hebe Camargo e apresentador do programa “Café com Selinho”, que é trans­mitido pelo YouTube e pelo TV Brasil COM, da Sky.

Marcello afirma que ser comunicador como a mãe foi algo que aconteceu por acaso e que, provavelmente, teve uma aju­da vinda de outro plano. “Um dia eu estava à noite em casa, assim, pensando e veio a ideia na minha cabeça. Eu acho que veio lá de cima, com certeza!” – diz.

Já Hebe Camargo nunca sonhou com essa profissão para o filho e ficou surpresa quando ele demonstrou a sua vontade. Porém, ela o apoiou, incentivou e ficou muito contente com a escolha dele pela TV.

Além disso, ele conta que a mãe foi, sem dúvida alguma, a sua maior inspiração, mas que também outros grandes artistas o influenciaram, como Lolita Rodrigues, Agnaldo Rayol e Nair Bello – que aliás eram bastante amigos de Hebe.

HEBE CAMARGO E MARCELLO CAMARGO FOTO: LOURIVAL RIBEIRO

Sobre o legado deixado por sua mãe, o apresentador diz que pretende seguir com as exposições itinerantes que trazem peças e objetos deixados por Hebe – inclusive algumas já foram realizadas em São Paulo antes da pandemia. E estas mostras também incluem palestras interativas, que apresen­tam ao público a verdadeira Hebe Camargo, com suas his­tórias divertidas e seus casos curiosos. E tudo, segundo ele, baseado em fatos reais, bem diferente do que foi mostrado no filme “Hebe – A Estrela do Brasil”, lançado em 2019. Para Marcello, muito do que foi apresentado na obra não condizia com a realidade da comunicadora. “Eu não a reconheci e no filme, aquela não era a Hebe! Várias coisas ali ela jamais faria.” – afirma.

Ao ser questionado sobre a sua vontade de ter um programa em alguma TV aberta, ele conta que de fato gostaria, e que poderia ser um talk show bem descontraído ou ainda, a volta do programa Hebe, um semanal nos mesmos moldes da atração comandada durante anos pela artista brasileira.

Acompanhe a seguir a entrevista que Marcello Camargo concedeu à Linha Aberta Magazine.

LINHA ABERTA – Como surgiu o programa “Café com Selinho”? O projeto foi idealizado por você?

MARCELLO CAMARGO – O programa “Café com Selinho” foi de idealizado por mim, surgiu do nada. Um dia eu estava à noite em casa, assim, pensando e veio a ideia na minha cabeça. Eu acho que veio lá de cima, com certeza!

LINHA ABERTA – A sua mãe te aconselhou a seguir por algum caminho profissionalmente, o mesmo caminho que ela, por ex­emplo? Ser filho da Hebe te ajudou nesse processo?

MARCELLO CAMARGO – A minha mãe nunca me aconselhou a seguir a car­reira dela e eu também nunca tinha pensado. Eu resolvi ser apresenta­dor bem tarde, demorou bastante. Depois dos 30 e poucos anos é que eu tive essa vontade, essa ideia. Inclu­sive foi uma surpresa, porque ela nunca imaginou que eu ia querer ser apresentador de TV. Mas, ela me deu uma hora boa, me incentivou e ficou contente com o que viu. Ela era muito crítica e caso não gostasse de alguma coisa, falaria, com certeza. Porém, é claro que ser filho dela me ajudou porque eu tive a mestra da comunica­ção em casa, junto comigo, direto, né? Então, com certeza eu me inspirei nela e aprendi muito.

LINHA ABERTA – Além da Hebe, quais são os famosos que você admira e que lhe inspiraram?

MARCELLO CAMARGO – Eu cresci com a Lolita Rodrigues, que é uma pessoa maravilhosa e uma apresenta­dora de TV fantástica. Ela dizia sem­pre que era a minha segunda mãe. A Lola está com 92 anos, mora em João Pessoa e eu tenho muito orgulho dessa consideração que ela tem em ser a minha segunda mãe. Eu cresci muito também com a Nair Bello, que era ótima! Era o trio, né? E também com o Agnaldo Rayol, que sempre es­tava em casa e era uma figura muito presente, um grande amigo da minha mãe, com uma voz única. Então, essas pessoas realmente me inspiraram bastante.

LINHA ABERTA – Você gostaria de ter um programa semanal numa emissora aberta? Se sim, qual formato ele teria? Você já recebeu convites?

MARCELLO CAMARGO – Eu gostaria e poderia ser um talk show, um bate-papo bem descontraído ou quem sabe até um programa Hebe apre­sentado por mim de volta. Aliás, esse é um sonho que eu tenho. Pode ser um programa chamado Hebe mesmo, sabe? Mas, eu nunca recebi convite para a TV aberta. Eu recebi um con­vite do Fernando Mauro para levar o programa “Café com Selinho”, que estava só no YouTube, para a TV Com Brasil, que é um canal comunitário da Sky, para todo Brasil. Eu fiquei muito honrado, feliz e hoje estamos juntos por lá.

LINHA ABERTA – Foi fácil ser filho da Hebe Camargo? Quais os aspectos positivos e negativos de ser filho de uma estrela da TV brasileira?

MARCELLO CAMARGO – Bom, eu não vejo aspectos negativos, somente positivos. Em primeiro lugar porque é um privilégio, um presente de Deus, não só pela Hebe apresentadora, mas pela Hebe mãe e mulher. Eu agradeço todos os dias por isso.

LINHA ABERTA – Após o lança­mento do filme sobre a história de vida da Hebe, você declarou que muito do que foi mostrado não correspondeu à realidade dos fa­tos e isso te deixou descontente. O que mais te desagradou no filme? Você tomou alguma providência jurídica sobre o que considerou inventado?

MARCELLO CAMARGO – O filme real­mente me desagradou muito, pois eu não a reconheci no que foi mostrado, aquela não era a Hebe! Várias coisas que estavam ali ela jamais faria. Primeiro, beber whisky o filme in­teiro e ela odiava essa bebida, nunca colocou uma gota de whisky na boca. Ela jamais bebia no camarim, pois lá só tinha água, suco, mas nunca bebida mas nunca bebida alcoólica. Outra coisa é que ela jamais deixaria o público esperando por não querer entrar em cena, como aparece no filme, jamais! Ela tinha um respeito pelo público dela, era algo sagrado. Ela também nunca jogou o microfone no chão ou aquelas cenas exacerba­das com o Lélio. Eles tinham brigas, mas não aquilo que foi mostrado, rasgando roupa, ela cambaleando no restaurante. Jamais! Ela tinha vergonha de vexame. Realmente, ali não era a Hebe Camargo, eu não a reconheci. Eu não tomei providência jurídica porque quem era sócio do filme e assinou tudo foi o Cláudio, meu primo. E ele nos deixou no começo desse ano, vítima da Covid. Eu tinha um relacionamento muito bom com ele, e até manifestei o meu descontentamento com o filme, falei claramente que eu iria defender a minha mãe, doesse a quem doer. E eu sempre vou defendê-la, sempre, sem­pre, porque aquela não é a Hebe!

LINHA ABERTA – Você pretende fazer um novo filme sobre a vida da Hebe, conforme foi divulgado em várias notícias?

MARCELLO CAMARGO – Saíram essas notícias, mas não são verdadeiras. Eu não vou fazer outro filme. O que vai sair agora é um documentário, que ainda foi negociado e todo acordado com o Cláudio. Mas, outro filme não irá ter. O que eu quero fazer são pa­lestras com um pocket de exposições, contendo algumas coisas dela. E isso, realmente, para mostrar e contar a verdadeira história dela, por meio de palestras interativas pelo Brasil. Esse projeto irá acontecer assim que a pandemia acabar.

LINHA ABERTA – O acervo com as peças da Hebe já foi exposto em diversos locais no Brasil. Agora, quem está cuidando dele é a sua amiga e também da sua mãe, a Lydia Sayeg. Você já pensou em fazer um museu permanente com todos os itens? Já recebeu algum convite?

MARCELLO CAMARGO – Na verdade são duas pessoas que estão cuidando. Eu fiz uma entrevista no Café com Selinho apresentando os dois admi­nistradores do legado: a Lydia Sayeg e o Evaldo Pereira. Inclusive numa matéria da Vejinha não saiu o nome do Evaldo, por um lapso, mas deveria ter sido citado porque são dois os administradores. Eles são da minha extrema confiança e conhecem demais a história de Hebe Camargo. Mas, nós não vamos fazer um museu. A ideia é continuar com as exposições itinerantes, assim como estas que tiveram em São Paulo, como no Farol Santander e no Morumbi Shopping. Talvez possa ser feita em São Paulo uma galeria Hebe com algumas coi­sas, mas museu não está em nossos planos.

LINHA ABERTA – Após a morte da sua mãe, você escolheu a cidade de Santa Fé do Sul para viver, ou seja, um local menor, no interior pau­lista. Por quais motivos você optou por uma cidade pequena? Como é a sua vida hoje por lá?

MARCELLO CAMARGO – Sim, eu sem­pre gostei e fui apaixonado pela vida no interior. Eu já tinha casa aqui em Santa Fé do Sul, e daí resolvi mudar de vez para cá. Eu nunca gostei de cidade grande e aqui eu encontrei muita paz, natureza e o que me en­canta muito aqui é que faz sol quase todos os dias. Hoje mesmo, eu saí de Campinas com chuva e frio e cheguei aqui com sol e calor. E isso eu herdei muito da minha mãe, pois ela amava o sol. O sol a estimulava, ela sabia era o combustível dela. E eu também adoro o sol, pois ele dá outro ânimo para a gente. Sem contar que eu fui muito bem acolhido aqui, o povo é muito bom! Então, realmente, eu escolhi aqui para ser a minha casa.

LINHA ABERTA – O que é priori­dade hoje na sua vida, as coisas das quais você não abre mão?

MARCELLO CAMARGO – Eu não abro mão dessa vida tranquila do interior, sabe? E mesmo que eu recebesse um convite de alguma emissora para fazer um programa semanal, alguma coisa do tipo, eu iria ter que me ajeitar para não abrir mão de morar no interior. Morar em São Paulo não está nos meus planos, eu não preten­do voltar a morar lá de jeito nenhum.

LINHA ABERTA – Quais são os seus próximos projetos? Há alguma novidade que você possa nos con­tar em primeira mão?

MARCELLO CAMARGO – Eu acho que o meu grande projeto é esse das palestras. Nós fizemos uma em São José do Rio Preto, quando o Cláudio estava vivo, e foi um sucesso. Eu acho que além da história de vida dela, maravilhosa, que eu quero escla­recer e mostrar que não é aquilo que mostraram no filme, ela tem muita coisa engraçada, muitos casos curiosos para contar, sabe? E eu quero realmente dividir isso com o público. Já que o filme foi tão fictício, eu resolvi, por meio das palestras, contar a verdadeira história de Hebe Camargo.

Uma coisa muito importante que eu quero esclarecer é o seguinte, tanto o filme, quanto a biografia, que aliás é muito boa pois o Xexéo era fantástico, já começam equivocados, pois o nome dela saiu errado. Eu não sei de onde tiraram “Hebe Maria Monteiro de Camargo”! Isso não existe! O nome dela na identidade, na certidão de nascimento e no passaporte sem­pre esteve como Hebe Camargo, só! Então, eu não sei de onde surgiu isso! Então, até soa estranho você pegar uma biografia e o nome estar errado. E olha, eu sou o filho, então eu garanto que o nome dela é Hebe Camargo, e só! (risos).

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