Luiza Brunet

“HOJE COMO EMPREENDEDORA E ATIVISTA CONSIDERO MEU MELHOR MOMENTO, ONDE POSSO EXERCER MEU PAPEL DE MULHER, MÃE, CIDADÃ E ATIVISTA”

Texto de LAINE FURTADO
@lainefurtado

Luiza Brunet foi a primeira top model do Brasil. Nas décadas de 80 e 90, quando se tornou modelo exclusiva da marca Dijon, uma das grifes de maior sucesso da época, foi um dos grandes ícones da beleza brasileira. Luiza quebrou bar­reiras ao investir na carreira de modelo na Europa, onde fez ensaios importantes e recebeu convites para desfilar com os maiores estilistas do mundo. Hoje, ao celebrar 59 anos no dia 24 de maio, a modelo e ativista continua a representar o ideal de sucesso e beleza. Ela é uma das mais famo­sas mulheres do Brasil, tendo trabalhado como mo­delo, atriz, empresária e ativista. Nesta entrevista exclusiva, Luiza lembra sua história, fala sobre seu relacionamento com o empresário Lírio Parisotto e a agressão física que sofreu em 2016 e que levou a modelo a lutar pela causa de mulheres que sofrem abuso, seja em casa ou no trabalho.

Luiza Brunet conta, com exclusividade, como ela está vivendo esta nova fase de sua vida, mais mulher, mais vivida e mais madura. Ao completar 59 anos, ela disse que não tem medo de envelhecer e que aprendeu a respeitar a maturidade. “En­velhecer faz parte da vida, colecionamos histórias boas, maravilhosas e até histórias que nos faz sofrer e entristece. Passamos a vida envelhecendo, isso é natural, por isso precisamos encontrar algo de que nos dê um norte e orgulho”, explicou a eterna top model brasileira.

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Segundo Luiza, cuidar do corpo e da saúde mental é muito importante. “Precisamos ter qualidade de vida e viver com tranquilidade dentro da nossa realidade. Nunca tive medo de envelhecer, me preocupo sim com a saú­de, pois é ela que torna tudo mais simples ou complicado. Mas não vamos sofrer com antecedência”.

A carreira de modelo deu a Luiza a opor­tunidade de conhecer o mundo e em sua trajetória, muitas decisões, tanto profissio­nais quanto pessoais nortearam a vida da modelo e ativista. Questionada se pudesse mudar algo na sua trajetória de vida, ela respondeu: “Quando revisito minha história, me sinto orgulhosa. Dentro de tão pouca possibilidades consegui sobreviver. Com dignidade, isso é o bastante. Viveria tudo novamente pois creio que todas as fases da vida são um grande aprendizado”.

Entre os momentos conflituosos da vida da modelo e ativista está seu relacionamento com o empresário Lírio Parisotto, com quem esteve de 2012 a 2016. Ele se separou de Parisotto depois de ser vítima de abuso físico. Em 2016, em uma viagem aos Estados Unidos, Luiza foi agredida por Parisotto, o que resultou no fim do relacionamento de quase cinco anos, seguido de um processo por agressão, onde Luiza entrou com ação na justiça contra o ex companheiro e que se prolonga por vários anos. E agora, o assunto volta às machetes, quando acontece a 3ª derrota na justiça e Luiza Brunet afirmou que vai apelar ao STJ em busca ao direi­to à metade dos bens de Lírio Parisotto. Luiza Brunet disse que é uma mulher que sempre lutou pelos seus direitos e afirmou que toda mulher tem que correr atrás do seus direitos. “Não houve uma 3ª derrota como foi anunciado, infelizmente foi notícia dada por alguém e acaba sendo replicada. O processo foi para o STJ pois infelizmente documentos importantes não foram levados em consideração”.

Luiza disse que, em um união estável não se determina a metade dos bens do compa­nheiro e sim o período em que vivemos juntos. “Conheci o meu ex companheiro em 2011 e assumimos publicamente nosso rela­cionamento em 2012. No dia 21 de maio de 2016, meu ex companheiro me agrediu vio­lentamente e desde este dia decidi colocar um ponto final, já que vinha sendo agredida desde 2014. Hoje a minha compreensão so­bre mulheres suportarem muito tempo uma relação abusiva é maior. Não é fácil sair do silêncio e cada mulher tem seu tempo.”

Luiza conta que, depois de sofrer agressões e abusos moral, psicológico e físico, denun­ciou seu companheiro. Ao fazer a denúncia não dimensionava o quão importante seria sua atitude. “A pauta já era forte e com minha denúncia foi quebrado o paradigma de que só mulheres de baixa renda e da periferia sofriam violência doméstica”.

Depois que Luiza Brunet sofreu abuso físico no seu relacionamento com Lírio Parisotto, ela se tornou uma defensora dos direitos da mulher e este tem sido um de seus proje­tos de vida. “Passei a falar sobre violência contra mulheres no Brasil e no exterior. E cada vez mais quero estar presente em discussão e movimento de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas no Bra­sil e mulheres migrantes. Para uma maior conscientização é uma sociedade respeitosa e igualitária”, assegurou.

Questionada sobre como vê o papel da mu­lher na sociedade atual e quais os principais desafios a serem enfrentados pela mulher deste século, Luiza Brunet disse que vários movimentos importantes acontecem na defesa de mulheres que sofrem violência doméstica, e também sobre temas como o assédio sexual no trabalho. Ela cita como exemplo o Movimento Me Too que abriu a discussão sobre um problema secular e constrangedor para mulheres, o assédio sexual e moral no trabalho. “As mulheres en­tenderam o seu papel em denunciar eventos como este, uma vez que esta é a forma de dizermos que estamos aqui para trabalhar e sermos reconhecidas com profissionais e que esse tipo de comportamento não pode acontecer.”

Luiza falou ainda de outros movimentos que colocam em xeque situações de abuso em várias instâncias com proporções jamais vi­tas pela sociedade civil, como o movimento Black Lives Matter, que está repercutindo no mundo inteiro. “E ainda o movimento sobre assuntos delicados como a legalização do aborto. Hoje se fala muito em violência sexu­al contra crianças e adolescentes. São temas sensíveis, porém devem ser falados porque somente o entendimento pode educar a sociedade. Temos vários tipos de violência. Violência contra mulheres, crianças e idosos, violência contra pessoas com necessidades especiais e indígenas, intolerância religiosa etc., precisamos educar as pessoas para que haja respeito ao próximo.”

Outro tema que sem sido manchete de jor­nais e que envolve o nome de Luiza Brunet é o conflito entre sua filha Yasmin e a família de Gabriel Medina. Em relação ao assunto, Luiza disse que toda família tem problemas. “Precisamos ter calma e respeitar as partes. Só quem vive sabe o que se passa. As pes­soas, públicas ou não, são julgadas por uma sociedade preconceituosa. E as redes sóciais contribuem para o aumento de conflitos”, explicou.

Quando falamos da Luiza modelo, empre­endedora, ativista, mulher e mãe, podemos ver que são vários momentos que a modelo e ativista tem vivido nesses 59 anos. E cabe a pergunta: O que mais apaixona você ao fazer uma análise da sua trajetória? Luiza disse que todas as nuances das fases que viveu e que fazem parte de sua vida foram importantes e a fizeram uma pessoa melhor. “Sou grata por ter tido tantas oportunida­des ao longo da vida, poder experimentar e fazer bem feito. Hoje como empreendedora e ativista, considero meu melhor momento, onde posso exercer meu papel de mulher, mãe, cidadã e ativista. Me sinto completa e feliz”. E sem dúvida, aos 59 anos de idade, Luiza esbanja charme e beleza.

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