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Ao meu pai

De Eduardo Prugner
@eduardoprugner

Anoitecia…
Poderia ser um dia comum, mas trazia
Nos ponteiros das horas a trágica cena,
Marcada pelos tempos, desde os meus 10 anos.
Dali, daquela varanda, como um espião,
Ou talvez uma testemunha,
Olhava entre lágrimas, o que pouco entendia.
Os passos pequenos, cabisbaixos do meu pai.
Com ele, uma pequena mala, surrada,
Levava consigo a vida, atravessando a rua,
Os anseios, o passado e sem futuro!
Rompia os elos de uma corrente
Que outrora ligava as mãos daquele homem,
Que tantas vezes sentia afagar os meus cabelos.
Distanciava o criador da criatura!
Histórias eram contadas,
Algumas ao pé do ouvido,
Outras de aventuras ou de fatos,
Que poderiam ou não ter acontecido.
Correram anos, semanas e dias,
Passaram-se pelos conflitos da adolescência,
Das primeiras experiências de adulto,
E do ser pai também!
Agora, já não mais naquela varanda,
O via com cabelos brancos, a fronte envelhecida,
Os sinais de doença e,
Sobre seus ombros pesava ainda aquela travessia.
Não percebia, a não ser a idade que nele se via.
Assim, na solidão dos seus dias, deixou-nos…
Agora de vez, libertado das correntes que trazia.
Passado mais tempo do que com ele vivi,
No silêncio do meu eu e olhando o espaço,
Encontrei-o vagando em meu coração.
Palavras me faltaram, solucei e chorei,
O que nunca tinha chorado.
Queria tê-lo aqui comigo…
Olhar seus olhos e sentir sua mão me afagando.
Voltei à varanda do passado,
Ali pedi perdão e soluçando gritei:
“Pai como eu te amo e amei!”

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