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O artista e escultor Marco Aurélio R. Guimarães

O ESCULTOR MARCO AURÉLIO R. GUIMARÃES EM SEU ATELIÊ COM A ESCULTURA ANCESTRAL. ABAIXO, PROXIMUS, E NA PÁGINA AO LADO, O ESCULTOR.

Ainda jovem, como autodidata produziu pequenos artefatos e presentes para amigos, como caixas de joias, anéis e pequenas esculturas feitas de coco, madeira, ossos e outros materiais alternativos disponíveis. Quando se aposen­tou da profissão de engenheiro, começou a estudar arte por conta própria, fazendo diversos cursos e aprofundando seus conhecimentos nas técnicas de joias, escultura de madeira, marfim, pedra sabão e, finalmente, mármore.

Em 2011, aos 74 anos, Marco Aurélio procurou Cícero D’Ávila, importante escultor figurativo, que estudou o ofício na icônica cidade de Carrara, na Itália, e é conhecido pela “vecchia maniera” de enta­lhar o mármore.

Marco Aurélio encantou-se, então, pela arte da lavratura em pedra e estética clássica, consagrada por grandes escultores, como o ícone do renascimento italiano Michelan­gelo (1475-1564) e outros expoentes do movimento romântico na França Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875 ) além de seu escultor favorito, o italiano Gian Lorenzo Bernini (1598- 1680).

Sob a orientação de D’Ávila, o determinado aprendiz viajou diver­sas vezes para a Itália para visitar estúdios, conhecer técnicas e ar­tistas. Lá ele adquiriu alguns blocos de mármore estatuário “Carrara”, que pesavam até cerca de cinco toneladas e vieram de navio para o Brasil. No estúdio de D’Ávila, em São Paulo, Marco Aurélio desenvol­veu e executou as duas peças que compõem um grupo escultórico em que retratam as figuras de um homem e uma mulher e tamanho pouco acima do real.

A obra de Marco Aurélio R. Guimarães se assemelha à escultura clássica renascentista não apenas por seu caráter humanista, que se foca não somente na beleza da anato­mia humana, mas principalmen­te pelo seu aspecto técnico e artístico.

O artista idealiza a peça com a participação inicial de modelos vivos, que posam por cerca de três horas por cada sessão. A partir da pose do modelo ele faz um pequeno esboço, com as formas básicas da peça que deseja reproduzir.

O objetivo não é retratar carac­terísticas, ou expressões faciais idênticas às dos modelos, mas, sim, obter a máxima fidelidade às proporções, escala, composi­ção e gestual corporal além de outros aspectos básicos da ana­tomia. O escultor então segue para um primeiro modelo feito de plastilina, um composto de ceras, pigmentos e óleos, que resulta em uma massa flexível e moldável.

Para Marco Aurélio, seu traba­lho como engenheiro não é tão dissociado de seu talento para esculpir, como o bom senso pode presumir. “A engenha­ria é uma profissão racional, matemática, firme, imutável, e aparentemente distante do campo da arte, que é essencial­mente emocional.

A arte também pode ser rigoro­sa e absoluta, como no caso da escultura clássica, que se foca na reprodução não distorcida do modelo a ser reproduzido.

Esculpir uma escultura de mármore é remover pedaços de matéria que não pertencem propriamente ao objeto. Uma vez removido do todo, não há como voltar atrás.

De todos os segmentos das Artes, a escultura em pedra é o único que é feito somente por remoção de material, não permitindo assim qualquer tipo de correção.

No meu entender este parti­cular aspecto faz da escultura em pedra um dos mais nobres segmentos do belo campo das Artes”, diz o artista.

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