Em discurso, Powell prevê recuperação da economia dos EUA

JEROME POWELL, PRESIDENTE DO FEDERAL RESERVE, EM DEZEMBRO DE 2019 EM WASHINGTON.

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, deve enfatizar a rápida recuperação da economia americana, ainda que longe de “completa”, durante audiência na Câmara dos Representan­tes dos Estados Unidos, segundo discurso publicado pela entidade monetária. O documento, divulgado no dia 22 de mar­ço, no site do Fed, mostra que Powell irá destacar o papel “sem precedentes” das políticas fiscal e monetária no combate à crise, que preveniu um impacto negati­vo ainda maior na economia, além da melhora na taxa de emprego e nos gastos com consumo nos EUA.

No discurso, porém, o presidente do Fed afirma que, mesmo com o acelerado ritmo da economia e a boa perspectiva diante da vacinação em massa contra a Covid-19 no país, há setores que apresen­tam um fraco desempenho, ainda por conta do choque provocado pela crise sanitária.

“Como enfatizamos ao longo da pandemia, a trajetória da economia con­tinua dependendo do curso do vírus”, dirá Powell, segundo o documento.

O discurso também destaca que a taxa de desemprego nos EUA, de 6,2%, subestima o persistente impacto da covid-19 na economia americana, com o mercado de trabalho ainda em níveis abaixo do período anterior à pandemia. Diante deste cenário, Powell assegurará aos congressistas que o Fed seguirá dando apoio à atividade nos EUA e se mantém comprometido em usar toda a gama de instrumentos disponíveis para atingir uma recuperação plena.

Nos EUA, o Fed prevê para este ano, além do crescimento mais pronunciado, uma taxa de desemprego de 4,5%, e uma inflação ligeiramente superior (2,4%, quatro décimos acima do que Jerome Powell vi­nha afirmando há meses), sem alterações nas projeções para 2022 e 2023.

O temor de uma retomada da inflação, devido ao previsível boom do consumo na primavera e no verão, quan­do teoricamente a maioria da população norte-americana estará vacinada —quase 2,5 milhões de doses estão sendo admi­nistradas por dia—, levantava dúvidas na maioria dos analistas.

“Alguns economistas alertaram que um excesso de estímulo poderia provo­car uma sobrecarga na economia. Estes mencionaram inclusive os riscos crescentes de que a inflação volte a níveis não vistos desde os anos setenta, o que poderia obrigar o Fed a aumentar as taxas muito antes do que muitos esperam, talvez já no próximo ano.

“Acreditamos que os riscos práticos de um episódio inflacionário no estilo dos anos setenta são relativamente baixos, inclusive se a magnitude do gasto for grande em comparação com o tama­nho atual do hiato de produção. Por isso, o mais importante é que se concentrar excessivamente nas preocupações com a inflação pode acabar deixando de lado as questões relacionadas à estabilidade financeira que têm uma maior probabi­lidade de afetar os mercados”, avaliou Tiffany Wilding, economista da empresa de gestão de investimentos norte-americana PIMCO.

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