Estudantes brasileiros e o bilinguismo

ALUNOS DA OLYMPUS INTERNATIONAL ACADEMY FALAM SOBRE SUAS EXPERIÊNCIAS COM O PORTUGUÊS COMO LÍNGUA DE HERANÇA

Tudo começou quando a professora de Português Cleide Daiha solicitou que enviássemos exemplares da revista Linha Aberta para os alunos da Olympus International Academy, em Boca Raton. A ideia, segundo Cleide, seria usar as matérias da revista para que os estudantes tivessem como estudar o Português e, ao mesmo tempo, conhecer a cultura e o mind set brasileiro. A experiência deu tão certo que o artigo MINHA PÁTRIA, MINHA LÍNGUA, de autoria da jorna­lista Luciana Savioli, publicado na edição de outubro de 2020 da LINHA ABERTA foi tema de debate em sala de aula e os alunos tiveram a oportunidade de fazer uma análise da matéria. A seguir, apresentamos a opinião dos alunos sobre o tema.

JULIA GARCIA / 7TH GRADE

A matéria fala sobre crianças de famílias brasileiras que se mudaram do país para os Estados Unidos por causa dos pais. Geralmente, essas crianças que nasceram e estudaram no Brasil, e que falam português acabam esquecendo a própria língua por conta dos pais deixarem os filhos falarem apenas inglês em casa, o que é bem comum.

A matéria fala também que quando um brasileiro chega nos EUA e nasce um filho americano acontece também de os pais não ensinarem o português para seu filho e a criança apenas fala o inglês.

IGOR PORTO / 6TH GRADE

Hoje lemos sobre crianças que são brasileiras e vieram para os Estados Unidos. Geralmente quando as crianças vêm aqui, os pais não têm hábito de conversar com os filhos em português em casa. Isso acaba fazendo a criança esquecer a língua e essa parte da revista discute sobre isso.

Isso realmente é bem interessante e importante porque as crianças não podem perder a língua de origem! Para manter isso, requer muita dedicação e aprendizagem. Esse texto também fala sobre a diferença de cultura de um país para o outro o que é difícil manter a herança e a cultura do país de origem. Para lidar com isso tem que se acostumar com as coisas diferentes da cultura como feriados, culturas e etc.

LUCCA AGUIAR / 8TH GRADE

O artigo fala sobre como a linguagem pode ser um benefício e uma cura para alguém. Conhecer vários idiomas pode ajudá-lo a transmitir seus pensamentos e ideias para mais pessoas e também pode ajudá-lo no final da vida, se for para um trabalho ou viajar.

Embora, não conhecer uma língua em um ambiente estrangeiro possa criar uma grande quantidade de problemas. A interação social com pessoas que falam línguas diferentes tornará a vida em um novo ambiente muito difícil.

Isso também pode afetar sua capacidade de se defender, tornando-o muito vulnerável. Infelizmente, muitas crianças perdem a capacidade de falar outra língua quando não precisam. Se você é do Brasil e viaja para a América, não há necessidade de falar o Português.

SOPHIA CARVALHO / 7TH GRADE

A matéria fala sobre a pátria da língua portuguesa e as maravilhas nela encontradas. Entre todas elas, a maravilha e o orgulho de ser uma brasileira estará sempre no meu coração. Tenho os parentes mais atenciosos e adoráveis que eu podia querer, não mereço, mas agradeço muito a tudo e a todos que minha língua de orgulho, e meu país assim mesmo, me proporcionaram.

NICKOLAS AMANTE / 8TH GRADE

A matéria fala sobre imigrantes que vão para fora de seu país de origem, têm filhos grandes ou pequenos, e não ensinam sua língua de herança para seus eles com medo de que eles não aprendam a língua do país que estão vivendo agora. Esses filhos acabam ficando chateados por não terem ensinado a eles, e em algumas “reuniões” de família eles não conseguem debater, dar sua opinião e se “defender”.

NA FOTO A PROFESSORA CLEIDE DAIHA COM ALGUNS DOS ALUNOS QUE COMENTARAM SOBRE SUAS EXPERIÊNCIA DE VIVER NOS EUA E O TEMA MINHA PÁTRIA, MINHA VIDA: SOPHIA CARVALHO, MARIA MARIA, SAMUEL COSTA E IGOR PORTO.

CAIO / 7TH GRADE

A matéria fala sobre um famílias que têm filhos estrangeiros e que não falam a língua nativa deles.

MARIA MAIA / 7TH GRADE

A matéria fala sobre famílias imigrantes brasileiras que colocaram seus filhos na escola para se adaptarem mais rápido ao novo país. Os pais muitas vezes esquecem de sua língua e Terra Natal e com isso os filhos também. A criança vai para escola, vê a cultura daquele país que ela está e vai se adaptando de acordo com aquela cultura. Os pais e mães que moram muito longe de sua Terra Natal têm dificuldades para manter as culturas e heranças de lá, mas eles têm que ensinar para os filhos que onde eles nasceram sempre será a pátria deles.

LOREN MELLO / 8TH GRADE

Se você vai para qualquer país que não seja da sua origem, não há necessidade de falar essa língua, mas você não vai se sentir bem por não conseguir se comunicar. Faça o que for possível para aprender aquela língua,isso é importante e o quanto antes aprender melhor.

VOCÊ SE IDENTIFICA COM ESTA MATÉRIA? EXPLIQUE.

JÚLIA GARCIA / 7TH GRADE

Acho que não porque eu e minha família ainda não nos acostumamos muito com o inglês então nós falamos português em casa, mas mesmo que soubéssemos falar inglês meus pais iriam querer que nós falássemos português sempre em casa para não perder a língua e acabar esquecendo. Antes de mudarmos para os Estados Unidos, muitos dos amigos dos meus pais falavam para treinarmos o português em casa para não acabar esquecendo, porque muitos dos filhos brasileiros dos amigos dos meus pais acabaram esquecendo um pouco de sua língua e preferem falar o inglês do que o português.

IGOR PORTO / 6TH GRADE

Eu me identifico com essa matéria, pois eu vim do Brasil e agora estou aqui nos Estados Unidos! No começo foi difícil me acostumar com a cultura, até para meus pais. Aprender a nova língua também foi difícil, mas eu também não podia esquecer minha língua natal, igual como se dizia na revista. Uma mudança importante é o horário por exemplo, até os horários da escola mudam! Outro exemplo: comida. A comida daqui é bem diferente do que de lá do Brasil, aqui é bem difícil encontrar uma boa Feijoada.

A comida, o horário, a cultura, tudo isso muda. Realmente é difícil de acostumar no começo mas no final tudo se encaixa aos seus devidos lugares.

SAMUEL / 6TH GRADE

Em parte sim, porque foi difícil no começo quando chegamos. Eu não falava nada de inglês, mas agora sinto mais dificuldade com o Português. Minha mãe que me ajuda quando preciso escrever. O inglês é mais fácil para mim. Tanto para ler, escrever e falar. Em casa só falamos o português, pois meus pais acham importante para que eu não esqueça a nossa língua, da ligação com minha família. Eles dizem que assim serei bilíngue, e que isso é uma vantagem.

NICKOLAS AMANTE / 8TH GRADE

Não exatamente, porque português é minha língua “primária”, e não tive dificuldade em aprender, pois já sabia, e minha família só falava português. Mas como eu estava em um país estrangeiro, tive que aprender uma língua diferente, o que foi difícil pra mim, porque dependia do tradutor para poder conversar e me “expressar”.

CAIO / 7TH GRADE

Não, eu não me identifico porque na minha casa nós só falamos português então eu não preciso ficar falando inglês.

SOPHIA CARVALHO / 7TH GRADE

Sim, claramente me identifico com a matéria, pois assim como abençoada, mamaãe sempre me disse que meu vocabulário oral e escrito é um vocabulário que nem todos têm, ela diz que meu jeito de falar e meu jeito de escrever descrevem bem a eficácia e a dedicação de nossa língua para connosco. Enfim, me identifico sim e tenho que dizer que é um grande prazer escrever para o meu Brasil.

MARIA MAIA / 7TH GRADE

Eu me identifico bastante com essa matéria porque ela explica sobre crianças que chegam do Brasil e se adaptam demais à cultura daquele país novo onde eles moram agora. Eu cheguei nos Estados Unidos 2 anos atrás, quando eu tinha 10 anos. Foi muito doloroso pra mim, porque toda a minha família estava no Brasil, mas com o tempo eu fui começando a me adaptar aqui. Agora eu me sinto muito bem e melhor, e sem ter esquecido da minha língua e Terra Natal.

LOREN MELLO / 8TH GRADE

Sim, eu me identifico. Sou brasileira e vim morar nos EUA, mas não sei falar inglês. Não sinto bem com isso porque não é uma coisa confortável. Eu sei que preciso aprender o quanto antes. Quando a gente nasce, a gente aprende a nossa língua com uns 3,4 anos de idade, então eu penso “como vou aprender uma língua inteira em pouco tempo?” Não é fácil, mas é o que eu tenho que fazer.

QUAL A SUA OPINIÃO EM RELAÇÃO ÀS SUGESTÕES DA ESPECIALISTA IVIAN DESTRO ? EXPLIQUE.

CAIO / 7TH GRADE

Eu acho que as sugestões dela de como fazer a sua criança se habituar à língua nativa são muito boas. Porque eu acho que funciona não somente para a língua portuguesa mas também para todas as línguas do mundo.

LOREN MELLO / 8TH GRADE

Eu acho certo o que ela escreveu,a gente precisa aprender a língua daquele país. É uma coisa importante para se comunicar, então quanto antes aprender, melhor. Eles têm que adequar as duas línguas para a criança e isso é necessário, ela aprenderá mais assim.

SOPHIA CARVALHO / 7TH GRADE

Eu acho que as sugestões da especialista Ivian Destro, assim como as opiniões de seus colegas, são opiniões muito verdadeiras: “uma língua de herança é aquela utilizada com restrições”, acho essas opiniões essenciais para quem mora fora do Brasil, como eu e minha família, assim como é importante “encher seu cérebro”, aprender, estimular novas línguas, sua língua nativa sempre tem que estar ali.

MARIA MAIA / 7TH GRADE

A minha opinião em relação às sugestões da especialista Ivian Destro são bem positivas. Eu acho que ela está certíssima conforme a isso, que os pais e adultos devem falar português em casa. Desse jeito os filhos não vão esquecer de sua língua nativa e vão ter ela para vida toda. Mas isso requer prática e dedicação como a Ivian Destro menciona.

NICKOLAS AMANTE / 8TH GRADE

Eu acho que manter a sua língua de herança não é necessariamente obrigatório, mas é sempre bom saber mais uma língua, ainda mais quando ela pertence às origens de sua família, pois se um dia você quiser voltar e conhecer o país de sua origem ou seus parentes que moram lá, você vai poder dialogar, e não ficar sem entender o que falam.

SEGUNDO O TEXTO, QUAIS SÃO OS ARGUMENTOS QUE FAVORECEM O BILINGUISMO?

NICKOLAS AMANTE / 8TH GRADE

Segundo a neurocientista Ellen Bialystok, em Cognitive and Linguistic Processing in the Bilingual Mind, o bilinguismo traz benefícios sociais expressivos. Se por um lado a criança bilíngue costuma ter vocabulários menores, ela exibe, no entanto, melhor desempenho em tarefas não verbais que requerem resolução de conflitos.

SOPHIA CARVALHO / 7TH GRADE

Segundo a neurocientista Ellen Bialystok “o bilinguismo traz benefícios sociais expressivos” mas por outro lado, “costuma ter vocabulários menores, ela exibe, no entanto, melhor desempenho em tarefas não verbais que requerem resolução de conflitos”, ou seja, o bilinguismo pode trazer inteligência, mas ao mesmo tempo, pode trazer a perda da eficiência da fala e do seu jeito de se expressar.

MARIA MAIA / 7TH GRADE

Os argumentos sobre o bilinguismo é que o bilinguismo traz muitos benefícios às crianças. Elas se tornarão mais sociais, expressivas e poderão falar com diferentes públicos. Saber uma nova língua cria novas oportunidades para as crianças.

Texto de Laine Furtado com participação da professora Cleide Daiha e dos alunos da Olympus International Academy

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