Censo 2021: pesquisa mostra dados que define verba dos municípios do Brasil

COM ORÇAMENTO REDUZIDO, IBGE PLANEJA RECORRER A DOAÇÕES PARA OBTER ITENS COMO EPIS E CHIPS DE TELEFONIA PARA O CENSO. FOTO: ACERVO IBGE

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deu o pontapé ini­cial para a realização do Censo populacional este ano, ao publicar os editais para contratação de mais de 200 mil pessoas para trabalhar na organização e coleta da pesquisa.

Realizado pela última vez em 2010 e com periodicidade decenal, o Censo demográfico deveria ter sido realizado no ano passado, mas foi adiado devido à pandemia do coronavírus.

Segundo especialistas, o Censo é fundamental para embasar as mais diver­sas políticas públicas do país, ao revelar com precisão e em nível municipal quan­tos são, onde moram e em que condições vivem cada um dos brasileiros.

A contagem populacional também define o repasse de verbas entre esferas governamentais, através dos fundos de participação dos Estados e municípios e dos fundos que destinam recursos à educação e à saúde.

Além disso, no atual contexto de crise sanitária, a pesquisa pode trazer informações preciosas para ajudar, por exemplo, na estratégia de vacinação dos municípios e nas políticas de assistência social para atender à população mais vul­nerável. No entanto, apesar da confirma­ção do IBGE de que o instituto pretende de fato realizar o Censo este ano, muitas incertezas pairam sobre a operação.

A principal delas diz respeito aos sucessivos cortes de orçamento, que levaram o instituto a planejar recorrer a doações para obter itens como EPIs (equipamentos de proteção individual) para os recenseadores e chips de telefonia para os equipamentos que serão usados na coleta de dados.

Funcionários e especialistas também expressam preocupação com a realização da pesquisa em meio à pandemia, o que pode aumentar a taxa de não resposta e prejudicar a qualidade da coleta de dados. Isso além do risco à saúde para os trabalhadores do Censo e a população.

Além disso, a realização do levanta­mento em meio à emergência de saúde pública pode afetar dados importantes como a taxa de fecundidade e a expectati­va de vida.

Usuários dos dados apontam ausên­cia de diálogo entre o IBGE e a comunida­de acadêmica para discutir esses efeitos e como tratá-los para que não afetem políticas que dependem dessas informa­ções.

A atual edição do Censo já perdeu R$ 1,4 bilhão ou 41% da verba esperada inicialmente pelo IBGE.

Em 2018, a operação foi orçada pelo instituto em R$ 3,4 bilhões, valor redu­zido a R$ 2,3 bilhões no ano seguinte, em meio às dificuldades do governo em fechar as contas públicas.

Ao fim do ano passado, na proposta de Orçamento para 2021 enviada pelo governo ao Congresso – que ainda não foi votada pelos parlamentares e pode sofrer novas alterações – a verba destinada ao Censo foi novamente reduzida, para R$ 2 bilhões.

“Como um órgão público, temos sempre a questão orçamentária como uma limitação”, disse Bruno Malheiros, coordenador de recursos humanos do IBGE, durante coletiva de imprensa na quinta-feira.

“O IBGE está se organizando consi­derando a proposta orçamentária que o governo submeteu ao Congresso, que traz uma previsão de R$ 2 bilhões. Temos um cronograma do Censo que não pode ser atrasado.

A execução do Orçamento vem acon­tecendo dentro do previsto, acreditamos que é possível realizar a operação com o valor disponível e temos confiança de que o Orçamento vai ser aprovado”, comple­tou Malheiros.

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