Rotas do Ódio no Globoplay

MAYANA NEIVA FOTOS: ROTAS DO ÓDIO CRÉDITO: GLOBO/ DIVULGAÇÃO

MAYANA NEIVA NO PAPEL DA DELEGADA CAROLINA RAMALHO CHAGAS

Texto de LAINE FURTADO
@lainefurtado

MAYANA NEIVA E ANDRÉ BANKOFF FOTO: ROTAS DO ÓDIO CRÉDITO: GLOBO/ DIVULGAÇÃO

Rotas do Ódio, a série brasileira de Susanna Lira, é ambientada em São Paulo e traz Mayana Neiva no papel da delegada Carolina Ramalho Chagas que, ao lado de sua equipe, trava uma luta diária para combater as várias camadas de crimes raciais e de intolerância. Um dos maiores desafios da delegada Carolina é liquidar a gang “Falange Branca”, comandada pelo playboy Gustavo Zooter (André Bankoff), que espalha o terror na cidade cometendo crimes principalmente contra gays, negros, nordestinos e estrangeiros. Mas além da vida pesada no trabalho, Carolina precisa lidar com problemas pessoais e com a constante ameaça de ter a delegacia fechada pela Secretaria de Segurança. As três primeiras temporadas da série acabam de chegar ao Globoplay nos Estados Unidos e já podem ser maratonadas na plata­forma. Segue abaixo nossa entrevista com Mayana Neiva, protagonista da série.

   

VOCÊ PODE FALAR UM POUCO SOBRE A CAROLINA, SUA PERSONAGEM NA TRAMA?

A Carolina é uma personagem maravilhosa, que se compadece com as histórias das pessoas ao seu redor. Ela faz parte da inteligência da Polícia Civil e lida com a falência dessa estrutura, mas também tenta buscar novas saídas e entender esse novo mundo, onde todos esses dilemas se apresentam. Eu acho que a Carolina é a melhor personagem da minha vida. Tenho muito amor por ela. Quando a Susanna (Lira) me ligou – na época eu estava morando nos EUA – e disse: “escrevi uma personagem pra você”, eu fiquei muito feliz. Principalmente quando li o roteiro, que é espetacular e tem coordenação do Barry Schkolnick, que fez “Law and Order”. A Carolina é uma personagem muito complexa, multifacetada e fascinante. É heroína e anti-heroína ao mesmo tempo. Ela foi um dos maiores e mais lindos desafios da minha carreira.

O QUE O PÚBLICO PODE ESPERAR DA SÉRIE, QUE TRATA DE UM TEMA TÃO ATUAL?

A série chega em um momento em que a intolerância é uma pauta global e crimes de ódio são realidade em todo o mundo. Estão nas páginas dos jornais. Desde quando eu recebi o roteiro, em 2017, até a gente gravar as quatro temporadas da série, entre 2018 e 2019, esse tema explodiu. No Brasil, tivemos casos como a morte da vereadora Marielle Franco e o assassinato da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, nesse último Natal, em mais um feminicídio. São poucas as personagens escritas para mulheres com a força que a Carolina tem, com esse dínamo tão amoroso e, ao mesmo, tempo tão explosivo. Eu acho que esse é um tema que a gente precisa ver refletido nas telas, para poder transmutar na sociedade. Nada para mim é mais urgente hoje. Eu amo essa série, não só por eu fazer parte dela, mas por que eu sei da importância de se discutir esse tema. Fico muito feliz de fazer parte desse projeto, que traz essa temática, que é tão forte e necessária para o nosso tempo.

VOCÊ VIVEU NOS ESTADOS UNIDOS POR ALGUNS ANOS. COMO FOI ESSA EXPERIÊNCIA?

Sim, eu vivi em Nova York durante quase seis anos, que foram muito muito felizes. Foi uma experiência extraordinária. Eu fiquei em cartaz aí, tenho um agente na cidade, tinha meu centro de meditação, andava de bicicleta na West Side Highway. Essa experiência foi muito parte da minha formação artística. Eu também fiz intercâmbio, aos 15 anos, e a primeira vez que fiz teatro foi nos Estados Unidos, na Califórnia. E novamente ter ido morar em Nova York, mais tarde na minha vida, foi muito transformador. As reflexões artísticas e humanas que isso me trouxe, me mudaram para sempre.

 

Share

Related posts