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Paris Haute Couture Week

Texto de LAINE FURTADO
@fashionan dtravelreporter

A Semana da Alta-Costura de Paris agitou o mundo fashion, sob o comando da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, que realizou a Semana de Alta Costura, entre os dias 25 e 28 de janeiro. A Paris Haute Couture Week apresentou as últimas novidades para a moda Primavera / Verão de 2021, com um formato basicamente digital por causa da pandemia. Apesar de o momento não ser dos mais favoráveis, devido à pandemia de coronavírus, a fashion week do setor mais luxuoso da moda surpreendeu, com des­files digitais que combinaram arte e moda de forma exemplar, com apresentações cinematográficas e super criativas.

A programação, que começou com Schiaparelli, contou com um mix de grandes nomes da indústria: Dior, Chanel, Valentino, Giorgio Armani Privé, Maison Margiela, Elie Saab, Viktor & Rolf, Iris van Herpen e Giambattista Valli, e outros mais novos como Julie de Libran, RVDK Ronald van der Kemp e Imane Ayissi, que fez história em janeiro passado como o primeiro designer da África Subsaariana a receber um lugar de convidada no calendário oficial. Foram 28 desfiles da Semana da Alta Costura 2021 de Paris. Nesta edição apresentamos algumas das marcas que estiveram presentes nesta semana de alta costura de Paris.

FOTO DIVULGAÇÃO SCHIAPARELLI

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FOTO DIVULGAÇÃO SCHIAPARELLI

Schiaparelli abriu a Semana da Alta Costura de Paris, apresentando a coleção 2021 de Alta Costura de Schiaparelli. O designer da marca, o americano Daniel Rose­berry, transformou os modelos em personagens musculosos e fortes, questionando a moda convencional. Esta coleção de Haute Couture ex­plorou a beleza anatômica e rompeu com as silhuetas usuais dos desfiles da Alta Costura.

E o resultado não poderia ser mais moderno e diferente, com abdo­minais falsos, volumes nos braços, dedos e seios dourados, jóias extra large e brincos tão marcantes que chegam a virar vestidos completos.

Um desfile que mostra o DNA da marca, que sempre busca uma apresentação fora do contexto. A moda de alta costura de Schiaparelli é para marcar presença, sendo uma homenagem à magia, apresentando uma coleção que se pauta numa linha de arte, meio que transgresso­ra, mas super elegante e diferente, e que este ano coloca em evidência o corpo humano como objeto de arte.

A diretora de criação da Chanel, Virginie Viard, optou por vestidos retos com corte jovem, com volume nas saias nas cores da Primavera, com uma gama de pastéis e toques de rosa fúcsia e turquesa. O desfile começou com todo o elenco de modelos caminhando pelo Grand Palais, edifício emblemático do final do século XIX . O filme, uma produção de Anton Corbijn, começou em preto e branco, passando pela coloração das imagens e terminando em preto e branco. As modelos apareceram diante de uma tenda branca e uma passarela circular, rodeada de pérgulas com flores, celebrando a coleção primavera verão.

Penélope Cruz, Carlota Casiraghi, Marion Cotillard e Vanessa Paradis fizeram parte da plateia super seleta de celebridades que tive­ram a oportunidade de assistir ao vivo o desfile da Chanel. A coleção primavera-verão da Alta Costura 2021 da Chanel foi apresentada num desfile super chic, no Grand Palais de Paris, transmitido nas redes e que foi uma homena­gem à alegria e leveza.

Este ano Chanel optou pela simplicidade de uma apresentação bucólica, mas alegre e cheia de vida, mostrando a esperança mesmo nesses tempos de pandemia. A coleção, repleta de bor­dados de flores feitos à mão, rendas e babados de tule, jaquetas e coletes com brilhantes, esta­va linda. As calças masculinas, que modernizam a silhueta, contrastam com os mini vestidos de lantejoulas com toque anos oitenta.

Virginie Viard, que por trinta anos foi o braço direito do icônico designer alemão Karl Lager­feld, e que sucedeu o designer após sua morte em 2019, está dando um quê de juventude à marca sem deixar de lado o estilo de Chanel, que é apresentar o glamour com classe, requinte e sofisticação, mas contextualizado para o momento que estamos vivendo hoje no mundo.

O desfile Primavera Verão de Alta Costura 2021 da Maison Valentino apresentou uma coleção simples­mente maravilhosa. O estilista da marca, Pierpaolo Piccioli mostrou criatividade não somente no design das roupas mas na escolha do cenário e nos de­talhes da produção do desfile digital. O local, a Sala Grande da Galleria Colonna, em Roma é exuberante e tem tudo a ver com a leitura do desfile apresentado por Pierpaolo.

Com o nome Code Temporal, as peças desfi­ladas, sem dúvida, transcenderam o tempo e podem ser transliteradas para o mundo real. A integração entre os looks, que mostra desde roupas que podem ser usadas no dia a dia até os vestidos de festa, que são a marca registrada de Valentino, é perfeita.

O desfile Spring / Summer 2021 Haute Couture examina “o domínio do feito à mão como com a modernidade e os valores atemporais”. Nas roupas do dia a dia, o designer navega entre as cores pastéis, com muito beige, off white, azul e com cores mais contrastantes como rosa, verde, marrom, amarelo e laranja. Os vestidos de festa são suntuosos, modernos e clássicos, com mui­tos tons de ouro, branco e bege.

Pierpaolo mostrou um desfile que mistura o tradicional e o clássico com o modernismo do século 21. A apresentação virtual traz um diálogo entre o diretor criativo Pierpaolo Piccioli e o artista britânico Robert Del Naja, com trilha sonora de Del Naja e sua banda Massive Attack.

No final do desfile, temos a entrada triunfal dos modelos e de Pierpaolo que, com másca­ra preta, registrou o momento de pandemia que estamos vivendo hoje. E para fechar com chave de ouro, ele mostrou o grupo de artesãos e costureiros que foram respon­sáveis pela confecção das peças desfiladas na coleção primavera verão de alta costura 2021 da Maison Valentino.

A Fendi apresentou um desfile to­talemente diferente que remeteu ao momento de pandemia que estamos vivendo. No cenário, a modelo Kate Moss junto com a fi­lha Lila e outras figuras icônicas da indústria, como Naomi Campbell, Christy Turlington e Demi Moore, fizeram parte do show de estreia do estilista Kim Jones para a Fendi.

O designer assumiu a direção artística da marca em setembro. Antes de Kim Jones assumir o cargo, Silvia Venturini Fendi estava desenvolvendo as coleções femininas desde a morte de Karl Lagerfeld.

Para a primeira coleção na grife, Jones optou por realizar um desfile físico, com trans­missão virtual. O show aconteceu no Palais Brongniart, em Paris, na França. Kim Jones apresentou um um desfile num labirinto de vidro com diferentes “showrooms” por onde as modelos passaram e expuseram a nova coleção da marca.

A coleção Primavera / Verão Haute Couture 2021 apresentou m sonho de purpurina, tecidos de cetim e luxo para celebrar a alta costura. Em meio ao mix de moda e literatu­ra, a ideia do estilista foi retratar roupas que podem ser usadas no mundo real, mesmo que sejam da alta costura.

Desenhando a partir de inspirações variadas, passando pela linguagem visual dos már­mores de Bernini ao romance de viagem no tempo de Virgina Woolf, o desfile navegou em uma jornada única da British Blooms­bury à Galleria Borghese de Roma.

Com um cenário, um castelo que lembra os contos de fadas, o tema dos tarôs e um clima mágico e etéreo marcaram o desfile Primavera Verão 2021 de Alta Costura da Dior. Maria Grazia Chiuri mostrou uma coleção cheia de brilho, com roupas artesanais e um desfile que lembra o período da Idade Média.

Maria Grazia Chiuri mostrou uma coleção de vestidos, saias, blusas e conjuntos que combinaram malha lamé, veludo, tecidos efêmeros e cujos desenhos exibiram cortes de linha império. Os conjuntos foram ainda embelezados por capas que remetem à realeza medieval.

A colecção, explicou Maria Grazia Chiuri, foi inspirada no tarot – uma referência recorrente na Dior, exatamente porque Christian Dior era muito supersticioso. A coleção em muitos aspectos apresenta os conjuntos de cartas de Visconti-Sforza, desenhados no século XV. E a razão está na pandemia.

O conceito visual de Maria Grazia Chiuri tomou forma no filme de moda Le Châte­au du Tarot dirigido por Mateo Garrone, que foi o diretor do desfile da Dior do ano passado.

Neste novo filme, estrelado pela atriz italiana Carlotta Antonelli – conhecida por seu papel como Angelica Sale na série Suburra: Blood on Rome da Netflix, cada carta do Tarô (sol, temperança, morte) foi representada por um de seus maravilho­sos designs.

Vimos bordados, flores, volumes, ouro, decotes em V, decotes frente e versos, ves­tidos com tule . E a legendária jaqueta Bar, a jaqueta icônica da marca que consoli­dou Christian Dior em 1947 e simbolizou a era do ‘Novo Look’, esteve representada em vários looks do desfile digital da Dior.

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